• Pedro Zaniol

Titans resolveu nadar contra a maré em 2022, será que vai dar certo?

Onze, esse foi o número de contratos assinados com wide receivers com uma média anual de salário de 20 milhões de dólares ou mais na intertemporada de 2022. Houve uma explosão nos valores dos contratos da posição. Duas vezes o recorde de maior salário da história de um recebedor foi batido. Até Christian Kirk, um bom slot receiver, que era a segunda opção no ataque do Arizona Cardinals e não está nem perto de ser um dos 10 melhores recebedores da liga assinou um contrato de 18 milhões de dólares por temporada.


Existem motivos para isso, a NFL é uma liga que cada vez mais passa a bola, praticamente todos os times usam 3 wide receivers ou mais em metade dos seus snaps ofensivos, com times chegando até a quase 90% dos snaps com 3 ou mais wide receivers. Com mais jogadores da posição em campo, o seu valor subiu.


Demetrius Harvey

Outro motivo é a quantidade de talento na posição, querendo proteger os jovens que jogam futebol americano, um estilo de jogo diferente ficou muito popular, o 7 contra 7, nesse modo de jogar, os atletas não usam proteção, os defensores não precisam dar tackles, basta segurar quem está com a bola, e os times são formados por um quarterback, um snapper e 5 recebedores no ataque, e 7 defensive backs na defesa, não há linha ofensiva nem defensiva e nem jogo corrido. Isso fez com que muitos jovens evoluíssem demais na posição de wide receiver, chegando cada vez melhores no college, e depois na NFL.


Unindo a qualidade dos jogadores com o aumento da importância da posição no jogo, e é por isso que os wide receivers valorizaram tanto nos últimos anos, culminando nessa explosão de valores dos contratos em 2022.


Mas uma das coisas mais legais da NFL, é que enquanto alguns times estão indo para a direita, outros resolvem ir para a esquerda. Se muitos times estão valorizando a posição de wide receiver, terão algumas equipes que vão buscar uma ineficiência no mercado e valorizar outra posição.


Um dos times que buscou uma alternativa diferente em 2022 foi o Tennessee Titans. A franquia era uma das 4 equipes que draftaram um grande wide receiver em 2019 e esses 4 jogadores iam jogar o seu último ano de contrato em 2022, precisando de uma renovação.


Os 4 times foram o Titans, que draftou A. J. Brown, o Seattle Seahawks, que draftou DK Metcalf, San Francisco 49ers com Deebo Samuel e Washington Commanders com Terry McLaurin. Desses 4 jogadores, o único que não está mais no time que o draftou é A. J. Brown.

Todos eles ganharam um contrato com valores bem parecidos por ano, Brown vai receber 25 milhões por temporada, DK vai receber 24 milhões por ano, Deebo 23.85 e Terry 23.2. Após todos eles assinarem os seus novos contratos, A. J. Brown foi para o seu twitter e disse o seguinte:



“Basicamente nós 4 assinamos o mesmo contrato e eu fui o único que foi trocado... É, pode continuar acreditando que a culpa foi minha. Enfim, Go Birds (grito da torcida do Eagles).”

A. J. Brown foi trocado no dia da primeira rodada do draft para o Philadelphia Eagles, que mandou para Tennessee duas escolhas, uma de 1ª e uma de 3ª rodada. O próprio jogador em entrevista para Turron Davenport, da ESPN, disse que o Titans fez uma proposta de 16 milhões de dólares por temporada, com incentivos que poderiam chegar a 20 milhões por ano, valor muito abaixo dos 25 milhões pretendidos pelo jogador.


tennesseetitans.com

Mas porque Tennessee fez uma proposta tão menor para um jogador jovem que comprovadamente é um grande nome da posição?


São alguns fatores, o primeiro deles é que o Titans joga um estilo de futebol americano diferente dos demais times da NFL, por ter em seu elenco Derrick Henry, um dos melhores running backs nas últimas temporadas, Tennessee é um dos times que mais corre com a bola. Em 2021 foi o 3º time que mais correu com a bola, em 49% dos snaps do ataque, em 2020 foi bem parecido, 3º time que mais correu em 50% dos snaps e em 2019 a mesma coisa, 3º, e 49% dos snaps corridas. Com um estilo que favorece a corrida, a franquia valoriza mais a posição de running back, tanto que Henry tem o 5º maior salário da posição.


O outro e principal motivo, é que a franquia de Tennessee como um todo tem uma política muito bem estabelecida de não oferecer muito dinheiro para apenas 1 jogador. O General Manager da franquia, Jon Robinson, e o treinador, Mike Vrabel, trabalharam por muitos anos com Bill Belichick no New England Patriots, que tem a mesma filosofia.


Robinson trabalhou na diretoria de New England entre 2002 e 2013, quando saiu para o Tampa Bay Buccaneers e depois virou o GM do Titans em 2016. Já Vrabel é um ex-linebacker e um dos ídolos da franquia, jogou 8 temporadas, entre 2001 e 2008, foi para 4 Super Bowls e venceu 3 deles. Ele foi contratado por Robinson em 2018 para ser o treinador do Titans.


Ambos compartilham da estratégia de Bill Belichick de não gastar muito dinheiro com apenas um ou poucos jogadores do elenco, pois como o futebol americano é um esporte com muitas lesões, se um desses jogadores se machucar o time perde muito a sua força. Belichick e o Titans acreditam que o melhor a ser feito é dividir bem os contratos entre todos os jogadores do elenco, para sempre ter um time completo e equilibrado.


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A. J. Brown tem apenas 25 anos, é um excelente wide receiver e seu contrato, mesmo que o maior em valor por ano, foi o mais vantajoso assinado, por ter 4 anos de duração, ao invés dos 3 que os outros jogadores da classe do draft de 2019 assinaram. Como Brown ainda tinha um ano de calouro garantido, o Eagles vai ter o atleta em seu elenco até final de 2026. Como o teto salarial da NFL sobe toda a temporada, em alguns anos esse contrato já será uma barganha.


Na minha opinião, valia a pena para o Titans assinar com ele por esse valor, mas eu consigo entender o motivo deles não terem o feito. Sou muito a favor dessa estratégia de não pagar grandes quantias para apenas alguns jogadores, somente em casos de talentos muito especiais. Acredito que no longo prazo, o Titans vai colher bons frutos por essa escolha, sempre tendo um elenco competitivo e equilibrado


Selecionar Treylon Burks com a escolha que o Eagles mandou para Tennessee por Brown foi inteligente também, ele é um ótimo prospecto da posição, tem 4 anos baratos de contrato (podendo virar 5 se o Titans exercer a opção de 5º ano), e os wide receivers chegando do college precisam de menos adaptação que os jogadores de outras posições na NFL. É muito improvável que ele jogue no mesmo nível ou próximo do que A. J. Brown produzia, mas se ele conseguir se firmar como titular, os 21.5 milhões de diferença de salário por ano entre os dois pode ser muito importante para reforçar o restante do elenco e ainda assim ter um ataque forte.


Por mais que eu discorde da posição que o time tomou com A. J. Brown, tenho convicção que se a franquia fizer a mesma coisa com todos os seus jogadores, na maioria das vezes eles vão se dar melhor do que pior, e é isso que faz um time ser competitivo por longos períodos de tempo. Não tem como acertar sempre, mas se a equipe sempre tentar fazer o certo, vai acabar dando mais tiros certeiros do que errados.


Torcedor do Titans, você gostou da decisão de não pagar A. J. Brown e trocá-lo? Ou preferia que a franquia pagasse o que o jogador queria para mantê-lo no elenco? Conte para a gente nos comentários a sua opinião e também diga que tipo de filosofia você prefere, um time que paga muito para suas estrelas, mas fica com alguns buracos no elenco, ou um time que não paga apenas alguns jogadores, mas sempre tem um elenco completo e equilibrado.

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