• Pedro Zaniol

Conhecendo o College – UCLA Bruins

A série conhecendo o college chega em um dos seus capítulos mais difíceis de avaliar. UCLA é sem sombra de dúvidas uma das maiores Universidades dos Estados Unidos, e suas equipes são sempre grandes times, com muita qualidade. Porém, fica a impressão de que os resultados, apesar de muito bons, não fazem jus à fama da instituição. Por ser uma Universidade de muito prestígio, que investe muito, UCLA é uma das maiores potências no esporte universitário. Só que mesmo investindo muito em seus times de futebol americano, com jogadores lendários que passaram pela sua história, UCLA não é uma das maiores potências do esporte, não tanto quanto investe para isso.



Os dois principais motivos são que, por dividir a cidade com USC, um dos maiores programas da história do esporte, os times de UCLA sempre sofreram para ficar embaixo do holofote. Além disso, a própria Universidade parece não dar a atenção merecida ao time. Isso porque, por conta do grande sucesso do programa de basquete, UCLA é conhecida como uma superpotência nesse esporte, muitas vezes fazendo com que o público veja o futebol americano como um esporte secundário. O que não é o caso, tanto na proporção do investimento, como na história do programa.


Se você quiser conhecer melhor toda essa história, e entender tudo o que aconteceu com UCLA, nos próximos parágrafos iremos destrinchar tudo isso.


O COMEÇO DO PROGRAMA E A ASCENSÃO AO TÍTULO (1919-1964)


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UCLA foi uma das Universidades que mais demorou para começar a jogar futebol americano. Somente em 1919 que o primeiro time foi montado. Isso aconteceu, pois a Universidade só foi criada nesse ano. Se você leu os outros textos da série conhecendo o college (se não o fez, aconselho), sabe que a maioria das grandes instituições começaram a jogar no final do século XIX, ou bem no início do século XX.


No primeiro ano, como um time independente, fez jogos contra clubes e times de futebol do ensino médio. No ano seguinte eles se filiaram à SCIAC e jogaram contra outras Universidades.


O início foi bem complicado, com o time perdendo muito. Isso só mudou em 1925, com a chegada do treinador William Spaulding. Ele ficou até 1938, conquistou 72 vitórias em 131 jogos e venceu o primeiro Bowl da história de UCLA. Foi durante os anos de Spaulding que eles se filiaram a Pacific Coast Conference, precursora da atual PAC-12.


Edwin Horell assumiu o time em seguida. Em 1942, UCLA conseguiu sua primeira vitória contra seu maior rival, USC. Essa conquista veio no 9º jogo entre os times, USC tinha vencido 5, e os outros 3 jogos acabaram empatados.


NCAA

Horell foi o treinador de Jackie Robinson em UCLA. Robinson jogou basquete, futebol americano, baseball e atletismo, se destacando em todos eles.


Robinson é uma das maiores lendas da história do esporte americano. Na verdade, não só do esporte, mas de toda a história americana. Quando assinou um contrato com o Brooklyn Dodgers em 1947, ele se tornou o primeiro negro a jogar na MLB. Ele é uma das figuras mais importantes para o fim da segregação racial nos Estados Unidos.


Com a demissão de Horell em 1944, Bert LaBrucherie assumiu o cargo. Mas ficou pouco tempo, após 4 bons anos, aceitou a proposta para treinar Caltech.


Precisando de um treinador, UCLA contratou Red Sanders. Sanders é considerado o maior treinador da história da Universidade, teve um recorde de 66 vitórias, 19 derrotas e 1 empate em 9 anos à frente do time. Venceu 3 vezes a PCC, 2 Rose Bowls, e mais importante, o único título nacional da história do programa, em 1954. Além do sucesso em campo, Sanders virou uma lenda por conseguir pela primeira vez o time ter uma sequência vitoriosa contra USC, com 6 vitórias e 3 derrotas. Foi ele também que mudou as cores do time. Até 1949, UCLA usava as mesmas cores da outra Universidade Pública da California, em Berkeley. Azul escuro e amarelo. Ele mudou para um azul mais claro e dourado, para que o time tivesse mais destaque.



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Sanders é dono de duas das frases mais icônicas da história do futebol americano. A primeira é em relação à rivalidade com USC, quando ele afirmou:


“Vencer USC não é uma questão de vida ou morte. É mais importante que isso”.

A outra é uma das frases mais repetidas, usadas até hoje. Quando ele disse: “Vencer não é tudo, é a única coisa” (winning isn’t everything, it’s the Only thing).


Sanders infelizmente morreu de maneira trágica, pouco antes da temporada de 1958 começar, ele teve um ataque cardíaco no seu quarto de hotel, e não resistiu. Ele foi para o Hall da Fama do College de maneira póstuma em 1996.


Quem teve a difícil missão de o suceder foi William Barnes. Ele começou bem, mas depois de 3 temporadas ruins não teve seu contrato renovado em 1964.


A ERA DE TOMMY PROTHRO (1965-1975)


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Contratado em 1965, Prothro chegou depois de um bom trabalho com Oregon State. Logo em seu primeiro ano, ele já conseguiu melhorar muito o time. UCLA fez uma grande temporada, e inclusive venceu um jogo épico contra USC. Estava perdendo por 16-6 faltando 4 minutos para o jogo acabar. Conseguiu diminuir para 16-14 depois de um touchdown e a conversão de dois pontos. Recuperou um onside kick e fez o touchdown da vitória, 20-16. O time sonhava com o título nacional quando foi jogar contra Tennessee. Depois de um jogo com uma arbitragem muito controversa, UCLA perdeu por 37-34. E Protho, que nasceu em Memphis, no Tennessee, disse: “Pela primeira vez na minha vida, eu estou com vergonha de ser um sulista.” A derrota acabou com as chances de UCLA vencer o título.


Em 1966, mais um capítulo para a rivalidade UCLA-USC. No último jogo da temporada, USC estava com 7 vitórias e uma derrota, e UCLA estava com 8 vitórias e uma derrota. Portanto, o vencedor desse jogo deveria ser o representante da conferência no Rose Bowl. UCLA venceu por 14-7, mesmo com o seu quarterback reserva. O titular, Gary Beban, tinha quebrado o tornozelo uma semana antes.


Mesmo com a vitória, os diretores da conferência votaram que USC deveria ser o time para representá-los no Rose Bowl, gerando grande revolta por parte de UCLA.


No ano seguinte, os times se encontraram novamente, e dessa vez o jogo valia ainda mais. UCLA e USC vinham de duas ótimas temporadas, UCLA era a primeira do ranking e USC a segunda. O quarterback Gary Beban tinha vencido o Heisman Trophy e a partida ficou conhecida como o “Jogo do Século”. USC venceu por 21-20, com um lindo touchdown do running back O. J. Simpson de 64 jardas, e acabou ficando com o título nacional.


Prothro ficou mais 2 anos em UCLA. Em 68, perdeu mais uma vez para USC, por 14-12, em um jogo com muitas chamadas duvidosas da arbitragem. Em 69, o time sofreu com muitas lesões, e acabou indo pior do que o esperado.


Em 1970, ele aceitou uma proposta do Los Angeles Rams, e foi treinar o time na NFL. Pelos seus trabalhos em Oregon State e UCLA, foi indicado ao Hall da Fama do College em 1991.

Os próximos dois treinadores foram bem nos Bruins, mas ambos pediram demissão antes de seus contratos acabarem para treinarem outros times. Pepper Rodgers tinha apenas 3 anos no comando quando decidiu ir treinar a Universidade na qual ele estudou, Georgia Tech. Dick Vermeil ficou só dois anos e foi para a NFL, treinar o Philadelphia Eagles



A ERA DE TERRY DONAHUE (1976-2002)


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Terry começou sua carreira como assistente de Pepper Rodgers em Kansas. Quando Rodgers foi para UCLA, levou Terry junto. Com a saída de Vermeil, Donahue virou o Head Coach de UCLA, e sua carreira nos Bruins foi de muito sucesso. Ficou 20 temporadas à frente do time, com 16 temporadas vencedoras. Venceu 5 títulos de conferência, conquistou 3 Rose Bowls. Terry também tem vários recordes. Foi o primeiro treinador a vencer 7 Bowls seguidos. Suas 151 vitórias em 233 jogos é um recorde em UCLA. E dessas 151 vitórias, 98 delas foram na PAC-10 (hoje PAC-12), um recorde na conferência.


Treinou diversas lendas de UCLA como Troy Aikman, Jonathan Ogden, Jerry Robinson e Kenny Easley. Foi para o Hall da Fama do College em 2000.


Bob Toledo, coordenador ofensivo de UCLA nas últimas temporadas de Donahue, foi promovido para Head Coach.


Ele conseguiu até elevar o nível do programa, que estava decaindo nos últimos anos com seu lendário treinador.


Ele venceu os dois últimos títulos de conferência do programa até hoje, em 1997 e 1998.


98 foi um ano que marcou a história da Universidade. Com um começo histórico, o time venceu seus 10 primeiros jogos, e chegava na última semana da temporada regular como a terceira colocada no ranking, atrás das também invictas Tennessee e Kansas State. Nessa época, os dois primeiros times do ranking faziam a grande final do college. Só que bem no último jogo, o time dos Bruins perdeu para a Universidade de Miami por 49-45, com o touchdown da vitória marcado faltando menos de um minuto para o jogo terminar, e acabou saindo da disputa pelo título. Kansas State também acabou perdendo na última semana, e Florida State herdou a segunda vaga para jogar contra Tennessee na final.


Essa derrota extremamente dolorosa foi o início da decadência do programa, que busca até hoje voltar aos seus anos de glória. Toledo ainda ficou mais algumas temporadas até ser demitido no meio da temporada em 2002.


UCLA NO SÉCULO XXI E A CHEGADA DE CHIP KELLY (2003-ATUALMENTE)


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Os Bruins trouxeram, em 2003, o treinador Karl Dorrel para ser o treinador da equipe. Experiente e com passagens como assistente no college e na NFL, Karl foi wide receiver em UCLA, e se tornou o primeiro afro-americano a treinar a Universidade. Sua passagem foi muito irregular, começou mais ou menos, melhorou nos próximos 2 anos, e quando a expectativa era enorme para que o time tivesse uma grande temporada, eles foram mal, piorando nos dois anos seguintes, resultando na demissão de Dorrell.


UCLA manteve as ideias ao contratar um novo treinador. Trouxe de volta um ex-jogador da instituição. Na verdade, até companheiro de time de Dorrell. Só que dessa vez um quarterback. Rick Neuheisel.


Os resultados também foram muito parecidos, só que dessa vez a paciência foi menor, com Rick saindo 4 anos depois.


A universidade resolveu tirar o escorpião do bolso, e investiu muito para a recuperação do programa. Contratou Jim Mora, que vinha de dois trabalhos como Head Coach na NFL, no Atlanta Falcons e Seattle Seahawks.


O investimento mostrou resultado logo de cara. UCLA teve um ótimo ano recrutando novos jogadores do high school. Os especialistas avaliaram a classe de recrutas como a 12ª melhor daquele ano. Uma avaliação muito melhor que a dada em anos anteriores.


Nos três primeiros anos com Mora, o time sempre melhorou, e em 2017 a expectativa era altíssima. Esse seria o ano de calouro de Josh Rosen. Ele era considerado um dos melhores quarterbacks do high school, e um jogador que foi recrutado pelas melhores Universidades, e acabou escolhendo UCLA. O time teve problemas com lesões, mesmo assim foi bem.


Foi no ano seguinte que o time entrou em crise, perdendo muitos jogos, vários deles em placares apertados com viradas no fim. Foram 2 temporadas com mais derrotas do que vitórias até que Jim Mora fosse demitido.


Mesmo após a demissão de Mora, o investimento continuou alto com a contratação de Chip Kelly, treinador que fez história no PAC-12 com Oregon e seus ataques revolucionários.


Só que os 3 primeiros anos de Kelly não foram nada fáceis. O time voltou a ter problema com o recrutamento, e a característica dos treinadores era muito diferente, precisando de tempo para fazer essa mudança. Além disso, Kelly deixou o college em 2012, nesses 6 anos em que ficou fora, o seu ataque parou de ser uma novidade, com muitos times imitando aquele ataque de Oregon, e outros trazendo novidades diferentes. Kelly teve que mudar o seu ataque, e o time ainda está procurando uma identidade.


Isso se mostra em campo, o novo treinador teve o pior início da instituição desde 1943, com um 0-5. No ano seguinte, outro início ruim, 0-3. A temporada passada foi até melhor, mas ainda ruim. Mas contou com toda a dificuldade de ser mais curta por causa da pandemia.


A atual temporada é chave para Chip Kelly, que assinou por 5 anos. Se o time não mostrar evolução, são grandes as chances de que ele não tenha esse contrato renovado.


RIVALIDADES


USC TROJANS


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Uma das maiores rivalidades do college. UCLA e USC são duas instituições que se localizam na mesma cidade, 16km separam os dois campi, algo extremamente raro nos Estados Unidos. Isso faz com que a rivalidade entre os estudantes e torcedores seja ainda mais ferrenha. O clássico é conhecido como Victory Bell.


Ele tem esse nome pois em 1939, o sino que ficava em cima de uma locomotiva da ferrovia do Sul do Pacífico foi dado para o corpo estudantil de UCLA como um presente. O sino virou uma atração nos jogos de UCLA, e era tocado a cada pontuação do time. Em 1941, alunos de USC se infiltraram na seção de estudantes de UCLA, e conseguiram roubar o caminhão com o sino depois do jogo. O sino ficou sumido por mais de um ano, e a rivalidade entre os estudantes estava começando a passar do limite quando o Reitor de USC ameaçou acabar com os confrontos entre os dois times. Assim os dois corpos estudantis entraram em acordo, e em 1942 foi decidido que o sino seria o troféu da rivalidade. Ele sempre fica com o time que venceu o último jogo. Quando está com UCLA, ele é pintado de azul, e quando está com USC, de vermelho.



O primeiro jogo entre as equipes aconteceu em 1929, com vitória de USC por 76-0. Desde 1936 as equipes se enfrentam todo ano.


Entre 1929 e 1981, os dois times dividiam o Los Angeles Memorial Coliseum. E como os dois eram mandantes no jogo, as torcidas eram divididas meio a meio, e ambos os times usavam seus uniformes principais no jogo, algo bem fora do comum no college. Mesmo com a ida de UCLA para o Rose Bowl em 1982, as duas tradições se mantiveram, as torcidas são sempre meio a meio, nos dois estádios, e os times sempre jogam com seu primeiro uniforme.


CALIFORNIA (CAL) GOLDEN BEARS


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As duas Universidades fazem parte do sistema de ensino público universitário da Califórnia, que tem 10 campus. A Universidade da Califórnia, em Berkeley, foi a primeira delas, e UCLA a segunda. No começo, elas eram dois campi da mesma Universidade. Hoje, são instituições independentes, gerenciadas pelo mesmo sistema. Por serem a mesma instituição no início, usavam as mesmas cores do uniforme, azul e amarelo, e tinham o mesmo apelido, Bears, e o mesmo mascote, um urso. Ambos mudaram seus apelidos ainda no começo, Cal virou Golden Bears, e UCLA virou Cubs, depois Grizzlies e em 1926 o atual Bruins (todas essas derivações de Ursos). As cores só mudaram em 1949, pelo treinador Red Sanders.


O primeiro jogo aconteceu em 1933, e terminou em empate, 0x0 (jogão kkkk). Desde então, os times se enfrentam todo o ano. Isso faz com que seja uma das rivalidades mais longas sem nunca ter sido interrompida.


TRADIÇÕES


JOE E JOSIE BRUIN


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UCLA tem como mascote um urso desde a sua criação. E ele era um animal de verdade, em 1926, quando o time assumiu o apelido de Bruin, o nome Joe Bruin foi dado ao mascote. Foi somente nos anos 60 que pararam de usar um urso de verdade, e começaram a usar uma fantasia. Com o uso da fantasia, Josie Bruin virou a versão feminina do mascote.


UCLA BRUIN MARCHING BAND


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Uma das bandas mais famosas do college, está em todos os jogos de UCLA no Rose Bowl. É a responsável por puxar os cantos “Strike Up the Band for UCLA", "The Mighty Bruins” e “Bruin Warriors”. A banda também fez parte da abertura e encerramento das Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Já abriu show do Rolling Stones no Staples Center e fez aparições em jogos do San Francisco 49ers, Los Angeles Raiders e Los Angeles Rams.


ROSE BOWL



O Estádio é um patrimônio histórico Nacional dos Estados Unidos. Construído em 1922 em Pasadena, cidade vizinha a Los Angeles. Já recebeu diversos eventos grandiosos como, a final olímpica de futebol em 1984, a final da copa do mundo masculina, em 1994, e a feminina, em 1999. Recebeu 5 Super Bowls. Além de receber anualmente um dos maiores Bowls do college, que tem o mesmo nome do estádio. Localizado nas colinas de Los Angeles, o estádio tem uma vista muito bonita.


RECORDES DE UCLA



  • Jardas passadas: Cade McNown – 10.708 jardas

  • Touchdowns passados: Brett Hundley – 75 TDs

  • Jardas corridas: Johnathan Franklin – 4.403 jardas

  • Touchdowns corridos: Skip Hicks – 48 TDs

  • Jardas recebidas: Danny Farmer – 3.020 jardas

  • Touchdowns recebidos: J. J. Stokes – 28 TDs

  • Interceptações: Kenny Easley – 19

  • Tackles: Eric Kendricks - 481

  • Sacks: Dave Ball – 30.5

  • Field goals feitos: John Lee e Kai Forbath - 85

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