• Pedro Zaniol

Conhecendo o College – Texas Longhorns

Nos Estados Unidos, o Texas é conhecido como o Estado do futebol americano. A principal Universidade de lá confirma essa fama. Uma equipe muito vitoriosa, cheia de história, conquistas e grandes jogadores. E o mais importante, uma das maiores e mais fanáticas torcidas de todo o esporte americano, que enche um estádio com 100 mil espectadores todo jogo. Graças a essa enorme torcida, a escola é sempre a que tem um dos maiores faturamentos, além de ser uma das únicas instituições com o seu próprio canal de TV.


Quer conhecer mais sobre a história dessa potência e como ela chegou nesse nível? Então confere mais esse episódio da série “Conhecendo o College”.



O INÍCIO DO PROGRAMA E OS PRIMEIROS ANOS (1893-1936)


O primeiro time de futebol americano de Texas foi formado em 1893. No seu primeiro jogo, contra o Dallas Foot Ball Club, teve 1.200 espectadores, um recorde para a época. E o time começou com tudo, vencendo a partida por 18-16, um resultado surpreendente.


Depois dessa primeira temporada, contratou seu primeiro treinador, R.D. Wentworth. A contratação foi um sucesso, com um time bem treinado, Texas fez 6 jogos, venceu os 6 e não tomou nem um ponto.


Wentworth só ficou uma temporada, mas seu legado manteve-se nas temporadas futuras, pois agora o time sabia o caminho das vitórias, e sempre montava equipes extremamente bem treinadas.


Com um time muito forte, jogou no Texas Intercollegiate Athletic Association entre 1913 e 1917, e foi campeão em 1913 e 14. Só não venceu mais, pois em 1915 se juntou também à Southwest Conference (SWC), precursora da Big 12. Venceu a SWC em 1914, 16, 18 e 20. Destaque para os títulos de 16 e 20, que em seus jogos finais bateram recordes de público, 15 mil pessoas em 16 e 20 mil pessoas em 20.


Nesses primeiros anos, Texas também começou grandes rivalidades que duram até os dias de hoje. Com jogos contra Texas A&M e Arkansas em 1894. Contra LSU em 1896, e em 1900 enfrentou Oklahoma, TCU, Baylor e Vanderbilt.


Os Longhorns venceram a SWC em 1928 e 1930 com o Treinador e ex-jogador Clyde Littlefield, porém a diferença na qualidade dos times ia diminuindo de temporada a temporada, com a evolução das equipes adversárias. Quando o time parecia entrar em uma decadência, e não conseguia mais vencer títulos, a Universidade foi atrás de um nome de peso e contratou o treinador Dana X. Bible.


A ERA DE DANA X. BIBLE (1937-1946)



Depois de grandes trabalhos em Texas A&M e Nebraska, Bible foi contratado para ser o novo técnico e diretor atlético. Contratado para mudar completamente a cultura da escola, Bible sofreu bastante no seu início, em duas temporadas, venceu apenas 3 em 18 jogos.


Em 1939, o time jogava contra Arkansas e perdia por 13-7 faltando apenas 30s para o jogo acabar. Nesse momento, a grande maioria dos torcedores estava indo embora do estádio. Mas após uma jogada espetacular do HB Jack Crain, que recebeu um passe e correu 67 jardas para o TD, os torcedores que já estavam fora do estádio voltaram correndo para ver o ponto extra que viraria o jogo para 14-13. Esse jogo mudou completamente o futuro do time e sua relação com a torcida. Ele ficou conhecido como o “Jogo do Renascimento”.


Em 1941, um dos maiores times da história de Texas foi formado, foi a primeira vez que a equipe foi a número um no ranking da Associated Press. Ao final da temporada, a escola tinha convicção que seria convidada para o Rose Bowl, com isso, recusou o convite para participar do Cotton, Orange e Sugar Bowls. Só que como Texas ainda tinha um jogo no calendário contra Oregon, não foi convidado para o Rose Bowl. Azar de Oregon, que teve que enfrentar os jogadores cheio de vontade para provar aos organizadores do Rose Bowl que eles estavam errados. A partida terminou com um incrível massacre de 71-7 para Texas.


Os anos seguintes foram de grande domínio, sempre com campanhas vitoriosas e três títulos da SWC em 1942, 1943 e 1945.


Bible se aposentou como treinador em 1946, mas continuou no cargo de Diretor Atlético até 1956. É até hoje o quarto treinador mais vitorioso da Universidade e quem mudou a instituição com o “Plano Bible”, um plano que visa a excelência dos estudantes não só dentro dos campos como fora deles, criando campeões no esporte e na vida. O seu plano é utilizado até hoje.


Para coroar essa grande carreira em Texas, seu último ato em 1956 foi contratar o maior treinador da história da instituição e um dos técnicos mais icônicos de toda a história do college football, Darrell Royal.


A CONTINUAÇÃO DO DOMÍNIO E A ERA DARRELL ROYAL (1947-1976)


latimes

Os sucessores de Bible, Blair Cherry entre 1947-1950 e Ed Price entre 1951-1956 começaram muito bem, mantendo o nível de excelência e vencendo a SWC em 1950, 1952 e 1953. Porém, o fim da passagem de Price por Texas não foi nada boa, o time não conseguiu uma campanha vitoriosa por 3 anos e em 1956 teve uma temporada desastrosa de 1-9. Foi demitido e para seu lugar veio Darrell Royal.


Royal mudou o time logo de cara, tendo uma temporada vitoriosa já na sua primeira, com 6 vitórias, 4 derrotas e 1 empate.


Em 1959, o time já era uma potência novamente, venceu a SWC em 59, 61, 62 e 63. Nesse último ano Texas também venceu o seu primeiro título nacional.


O time continuou vencendo nos próximos anos, mas sem nenhum brilho e título.


Tudo mudou em 1968, com a contratação do novo coordenador ofensivo Emory Bellard.


Bellard era um grande treinador no jogo corrido, e Royal o contratou para mudar completamente o ataque de Texas, focando em um jogo corrido forte. Bellard então criou a “Wishbone Formation”, ela tem esse nome pois joga com um fullback e dois running backs atrás do quarterback, e a formação acaba parecendo uma fúrcula, o osso da galinha conhecido como o osso da sorte, que duas pessoas puxam cada um de seus lados, e quem ficar com o pedaço maior pode fazer um pedido.



Essa formação usava muito as opções na corrida, e deixava a defesa adversária completamente perdida, pois tanto o quarterback como o fullback e os dois running back podiam correr com a bola ou bloquear.


A nova formação deu muito certo, e o time venceu 7 SWC em 8 anos, além dos títulos nacionais em 69 e 70.


Após vinte temporadas, todas elas com mais vitórias do que derrotas, Darrell Royal se aposentou de Texas como o treinador mais vitorioso da história. Venceu 3 títulos nacionais, 11 SWC, detêm até hoje o recorde com 30 vitórias consecutivas, e 42 vitórias consecutivas em casa. Ele ainda continuou na função de Diretor Atlético até 1980, quando se aposentou de vez do esporte. Foi admitido no Hall da Fama do College em 1983. E em 1996, a Universidade de Texas o fez uma grande homenagem, rebatizou o seu estádio para Darrell K Royal Texas Memorial Stadium, eternizando assim o seu maior treinador.


CONTINUAÇÃO DO SUCESSO COM FRED AKERS E ANOS DE DIFICULDADE (1977-1997)


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Fred Akers era um jovem técnico que foi auxiliar de Royal em Texas e estava treinando o time de Wyoming. Quando chegou, tinha no time um verdadeiro fenômeno, o running back Earl Campbell, querendo tirar o máximo proveito de sua estrela, mudou a formação Wishbone que fez história e foi para a “formação I”, com apenas um corredor. O esquema ajudou demais Campbell, que fez a melhor temporada de sua carreira, levou Texas a vitória da SWC e venceu o primeiro Heisman da instituição. Foi um ano tão brilhante que foi escolhido com a escolha número 1 do draft pelo Houston Oilers.


Nos outros anos, Texas sempre montava grandes times, mas ficava no quase, só venceu a SWC em 1983, liderou o ranking da AP diversas vezes, mas nunca conseguia terminar a temporada bem.


A última gota d’água veio na temporada de 1986, quando o time foi 5-6 e teve a sua primeira temporada com mais derrotas do que vitórias desde 1956, resultando na demissão de Akers. Ele saiu como o terceiro técnico mais vitorioso da história de Texas.


O final da década de 80 e início dos anos 90 foram bem complicados para a universidade. Na tentativa de manter-se sempre entre as melhores instituições, Texas burlou regras da NCAA e no recrutamento de jogadores, graças a isso sofreu com sanções.


As sanções não foram exclusividade de Texas naquela temporada, todos os times da SWC também tiveram infrações. Enfraquecendo e muito toda a conferência. O caso que ficou mais emblemático foi de SMU, que teve a pior pena da história da NCAA, conhecida como a “Pena de Morte”.


A situação ficou tão feia que os times começaram a sair da SWC, em busca de novas conferências, isso resultou no fim da SWC em 1995 e a criação da Big 12 em 1996.


Foi só então que as coisas começaram a melhorar para a universidade. Nessa época turbulenta, os treinadores foram David McWilliams, que venceu uma SWC, e John Mackovic, que venceu as duas últimas SWC e a primeira Big 12.


A ERA DE MACK BROWN ATÉ OS DIAS ATUAIS (1998-PRESENTE)


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Com as punições, Texas tinha se enfraquecido na sua rede de recrutamento, tendo muita dificuldade de trazer os maiores talentos do high school. A contratação de Mack Brown veio exatamente para solucionar esse problema, um grande técnico, que vinha de grande trabalho em North Carolina e era um grande recrutador.


Brown mudou a cultura do time na sua primeira temporada, levando o time de uma campanha 4-7 para uma 9-3. O running back no seu último ano de universidade Ricky Williams teve a sua melhor temporada e venceu o Heisman.


Nessa época o treinador ficou com a fama de ser um grande recrutador, mas na hora H o seu time não vencia, tinha ótimas temporadas, mas não venceu nenhuma Big 12 nem título.


Isso mudou com a chegada de um grande quarterback em 2003, Vince Young. Em sua última temporada, como Junior em 2005, o time teve uma campanha perfeita de 13-0 e foi campeão nacional, Young foi para o draft e foi a terceira escolha geral do Tennessee Titans.


Depois de Young, Colt McCoy assumiu a titularidade. Teve 4 ótimos anos como titular, bateu diversos recordes e venceu a Big 12 em 2009, seu último jogo foi a final da BCS contra Alabama, mas ficou com o vice-campeonato.


Após essa derrota e da saída de 6 jogadores do time para o draft de 2010. Texas nunca mais conseguiu ser a mesma. Brown se aposentou em 2013 depois de 4 temporadas abaixo do esperado. Saiu como o segundo maior vencedor e o único treinador além da lenda Darrell Royal a vencer um título nacional por Texas.


Os próximos treinadores foram Charlie Strong, que ficou 3 anos com mais derrotas do que vitórias. Seu sucessor, Tom Herman, até foi melhor, ficou 4 temporadas com mais vitórias do que derrotas, mas manteve a seca de títulos da Big 12, que não vem desde 2009. Foi demitido e agora o ex-coordenador ofensivo de Alabama Steve Sarkisian vai começar um trabalho visando colocar Texas de volta como uma das maiores potências do College.


RIVALIDADES


OKLAHOMA SOONERS


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Uma das maiores, se não a maior rivalidade dos esportes americanos. “The Red River Showdown” o clássico tem esse nome por conta do Red River, rio que divide os Estados do Texas e Oklahoma. Existe uma grande rivalidade entre os dois Estados que já tiveram até uma guerra, a Red River Bridge War em 1931. A rivalidade entre eles acaba indo para dentro dos campos. Os times se enfrentam anualmente desde 1900. O jogo é sempre jogado em estádio neutro, com ele dividido entre as duas torcidas. O local desde 1930 é o Cotton Bowl Stadium, em Dallas. O jogo sempre acontece durante a feira estadual do Texas, que é dentro do complexo onde fica o estádio e dura 24 dias, começando no final de setembro. A feira traz milhões de pessoas para Dallas nesses 24 dias. O jogo não tem apenas um troféu em disputa, mas três! O primeiro é o troféu dos governadores, que fica na posse do Governador do Estado que venceu o último jogo. Desde 2003 os estudantes também disputam o Red River Rivarly. E o principal deles, é o icônico chapéu de cowboy dourado. Desde 1929, quando os times decidiram jogar na feira estadual do Texas em Dallas, o vencedor do jogo recebia em campo um troféu com um chapéu de cowboy dourado nele, a tradição dura até hoje.


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TEXAS A&M AGGIES


A grande rivalidade do Estado do Texas. Se Oklahoma é o grande rival dos Longhorns em todos os sentidos, por ser de outro Estado, a rivalidade entre os estudantes e torcedores é maior com A&M. O troféu da rivalidade não é apenas para o futebol americano, toda vez que as universidades se enfrentam em algum esporte, o vencedor leva um ponto. Ao final da temporada, quem tiver feito mais pontos fica com o troféu Lone Star. O primeiro jogo entre as equipes foi em 1894, com uma vitória dos Longhorns, e desde 1898 o jogo acontecia anualmente. Em 2012, Texas A&M resolveu mudar de conferência, saiu da Big 12 e foi para a SEC, dando um banho de água fria na rivalidade, que desde então não teve mais nenhum jogo. Recentemente as duas escolas tem buscado maneiras de voltar com a rivalidade, mas a dificuldade por conta dos calendários é grande, mas um bom sinal é que ambas as partes tem interesse que isso aconteça no futuro.


TEXAS TECH RED RAIDERS


Uma rivalidade mais recente, os times se enfrentam a muito tempo, mas historicamente Texas levava grande vantagem sobre Texas Tech. Com a decadência de Texas nos últimos anos e a saída de Texas A&M da Big 12, a rivalidade contra os Red Raiders cresceu dentro do Estado. O primeiro jogo entre as equipes foi em 1928 e elas jogam anualmente desde 1960. Texas leva uma vantagem de 53 vitórias e 17 derrotas. O troféu da partida é o Chancellor’s Spurs, e começou a ser usado em 1996.



Outros rivais de Texas: Arkansas, Nebraska, TCU e Baylor.


TRADIÇÕES


O MASCOTE BEVO


texastribune

Desde o feriado de ação de graças de 1916, quando alunos de Texas decidiram comprar um touro de chifres longos para ser o mascote da universidade. Os alunos adoraram e o animal virou o símbolo oficial da instituição. O editor da revista do campus Ben Dyer deu o nome de Bevo para o touro e uma tradição foi criada. Desde 1916 a universidade sempre tem um touro como seu mascote, atualmente estamos na 15ª geração, o Bevo XV. Ele está em todos os jogos em casa de Texas e até em jogos fora.


O CANHÃO SMOKEY


thedailytexan

É uma réplica de um canhão usado na guerra civil americana. Está no estádio Darrell K Royal Texas Memorial, no canto esquerdo da endzone sul desde 1953. Sempre que Texas marca um ponto, quando o jogo começa, termina e nos finais de cada quarto ele é disparado. O canhão já teve que ser trocado e hoje está em sua terceira versão.


A BANDA DA UNIVERSIDADE DE TEXAS LONGHORNS



Uma das bandas mais icônicas e conhecidas do college. Foi fundada em 1900 e desde então faz grandes espetáculos em jogos dos Longhorns, é a responsável por cantar músicas como “The Eyes of Texas” e “Texas Fight”. A banda é famosa por utilizar sinos de vacas em seus shows e por ter a Big Bertha, nome dado a um tambor gigante, um dos maiores do mundo, que é usado nos shows.


RECORDES DE TEXAS


USA Today

  • Jardas passadas: Colt McCoy – 13.253 jardas

  • Touchdowns passados: Colt McCoy – 112 TDs

  • Jardas corridas: Ricky Williams – 6.279 jardas

  • Touchdowns corridos: Ricky Williams – 72 TDs

  • Jardas recebidas: Roy Williams – 3.866 jardas

  • Touchdowns recebidos: Roy Williams – 36 TDs

  • Interceptações: Noble Doss e Nathan Vasher – 17

  • Tackles: Britt Hager - 499

  • Sacks: Kiki DeAyala – 40.5

  • Field goals feitos: Phil Dawson - 59

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