• Luis Eduardo

Conhecendo o College: Oregon Ducks

Seja bem-vindo a mais um episódio da série conhecendo o College, tendo como foco um programa recém consolidado na FBS e que disputou a primeira edição do College Football Playoff National Championship. Hoje falaremos da Universidade de Oregon.



A temporada de 2021 do College Football já está entre nós, finalmente a espera acabou e pelos próximos meses acompanharemos tudo que há de melhor no futebol americano universitário. Como já mencionei algumas vezes, esse projeto serve para expor um pouco da trajetória dos mais tradicionais programas da NCAA, sempre navegando na história da competição, seja para agraciar o torcedor ou para ajudá-lo a escolher um time. Pois bem, Oregon Ducks não possui tamanha tradição como muitas outras universidades, porém, como dito antes, consolidaram-se recentemente.


Mascote de Oregon, presente nos jogos da equipe, via The Denver Post

Apesar de nunca ter ganho um campeonato nacional, é interessante ver a evolução do programa em si. Foram anos de instabilidade, palavra que resume bem sua história. Segue nos próximos parágrafos uma passagem por cada um desses períodos.


Primeiros anos do programa (1894-1937)


Oregon é um grande programa da FBS, porém seus primeiros anos foram conturbados, chegando a ter cerca de 16 treinadores em 19 temporadas. A primeira partida disputada aconteceu em 1894, culminando em uma vitória. Somente cinco anos depois, aconteceu a primeira partida fora do estado.


Um fato interessante desse período foi a elástica vitória de 115-0 sobre Puget Sound, considerada uma das maiores da instituição.




Em meio a tanta instabilidade, em 1916, Oregon obteve seus primeiros momentos de glória sob o comando de Hugo Bezdek, após uma temporada de 7 vitórias, foram coroados com o título do primeiro Rose Bowl, derrotando Pensilvânia por 14-0.


Comandados por Charles A. Huntington (1918), que liderou a equipe por 5 anos, conseguiram chegar em mais um Rose Bowl, sendo derrotados por Harvard. Nesse início do século XX, diversas universidades já tinham consolidado seus programas por todo o país, e no intuito de fazer o mesmo, Oregon atraiu alguns treinadores durante um período, no entanto, nenhum dos selecionados cumpriram sequer seus anos de contrato.


Na procura por um técnico, assim como em muitas situações, talvez a solução já esteja lá, basta procurar. Pois bem, essa “máxima” se concretizou em 1932, visto que o treinador de calouros Prince G. "Prink" Callison recebeu uma chance como head coach. Callison não obteve um grande triunfo durante sua passagem de 5 anos – confesso que possivelmente eu tenha sugerido o contrário no início do parágrafo. Mas mesmo sem êxito, serviu para dar início a um processo de consolidação do programa, sendo seu maior feito uma temporada 9-1 (1933), considerada a melhor temporada dos Ducks até o início do século XXI, na qual foram derrotados apenas por USC. O quarterback Mike Mikulak era o destaque nesse tempo, foi eleito All-American.


Uma busca por estabilidade... (1938-1971)


Oliver-Warren assumiu em 1938, comandando a equipe por pouco tempo, visto que serviu na Segunda Grande Guerra, bem como o programa fechou durante esse período. Seu recorde foi negativo, 23 vitórias e 28 derrotas, sendo o único HC a perder duas vezes para a maior rival Oregon State, além de ter uma das piores derrotas já registradas pelos Ducks, 71-7 para Texas Longhorns. Em 1946, Oliver renunciou ao cargo.


Equipe de Oregon liderada por Jim Aiken, via Oregon Digital

Assim como nos anos anteriores, mais um treinador era escolhido na esperança de reerguer Oregon. Desta vez, Jim Aiken assumiu em 1947, trazendo uma esperança ao programa, pois o time era recheado de talentos e futuras estrelas da NFL. Conseguiram uma aparição no Cotton Bowl contra SMU, onde foram derrotados.


Após a leva de talentos que Aiken teve à disposição, os recrutamentos futuros não foram bons, chegaram a ser classificados como um dos piores elencos do College na época, bem como tiveram a menor quantidade de vitórias já registrada até ali. Em 1950, Jim pediu demissão do cargo.


Len Casanova foi o próximo escolhido, hoje talvez seja o mais memorável head coach que já comandou os Ducks, com um recorde 82-73, registrou o maior número de vitórias para um treinador de Oregon até aquele momento, levou o time para 3 Bowls, treinou membros hoje integrantes do Hall da Fama na NFL e teve dois atletas que viraram treinadores longevos também na NFL.


Um fato curioso, o primeiro jogo de Oregon televisionado aconteceu em 1953, uma vitória sobre Nebraska.


Casanova na sideline próximo aos jogadores, via Oregon Sports HoF

Em 1957, os DUcks chegaram ao Rose Bowl e foram derrotados por Ohio State. Acontece que foi uma derrota por 10-7, sendo que Ohio era favorita por mais de 3 touchdowns, algumas mídias especulavam até mais de 40 pontos de vantagem para os Buckeyes. Porém, o cenário visto foi o inverso, a imprensa falava que o melhor time não foi aquele vitorioso. Isso serviu para afirmar o início de uma mudança no programa, sinais de que a tão sonhada estabilidade seria alcançada. Casanova saiu do cargo de treinador em 1966. Atualmente o departamento atlético de Oregon tem seu nome, uma forma de homenageá-lo.


Jerry Frei substituiu Casanova. Ao longo de quatro anos, nunca teve mais vitórias do que derrotas, como também nunca chegou em um Bowl. Saiu da equipe em 1971. O destaque dessa época foi a inauguração do Autzen Stadium, atual estádio do programa.


Finalmente as coisas engrenaram... (1972-1995)


Dick Enright era coordenador de linha ofensiva e assumiu em 1972 mesmo com pouca experiência, obteve 6 vitórias em duas temporadas, sendo o ponto mais alto de sua passagem a vitória sobre Oregon State, quebrando um tabu de 9 temporadas. Don Read foi o sucessor, não obteve nenhum êxito, teve recordes negativos, incluindo o de maior derrota já sofrida pela instituição, 66 a 0. Foram dois treinadores em um período de 4 anos.


Persistência é a palavra que talvez resuma a passagem de Rich Brooks nos Ducks, que ficou 17 anos no comando (1977-1994). As primeiras temporadas foram conturbadas, poucas vitórias, escândalos extracampo e uma quase demissão foram alguns dos problemas presentes nesse período. Mas como dito antes, a persistência se fez presente, as coisas se ajeitaram e em 1989 Oregon chegou no Independence Bowl, quebrando uma seca de 23 anos sem aparições em jogos de taça.


FishDuck

Em 1994, Oregon teve uma temporada 9-3, o suficiente para garantir o primeiro título da antiga Pac-10, bem como chegaram ao Rose Bowl contra Penn State, sendo derrotados por uma diferença de 18 pontos. Esse foi o último ano do treinador, indo posteriormente para a NFL e deixando uma quantidade de vitórias maior que o lendário Casanova (91).


A consolidação como um grande programa (1995-2008)


Assumindo em 1995, Mike Bellotti passou 14 temporadas em Oregon e trouxe consigo grandes objetivos. As expectativas haviam mudado, o foco passou a ser grandes temporadas, não apenas “boas campanhas”.


Pode-se dizer que alcançaram o ideal, visto que em todos esses anos tiveram apenas uma temporada negativa, além de 12 aparições em Bowls. Em 2008, Bellotti deixou o cargo como o treinador mais vitorioso da instituição (116), na qual Chip Kelly, até então seu coordenador ofensivo, assumiu como head coach.


Mike Bellotti junto aos jogadores, via 247Sports

Em seu primeiro ano, Chip conquistou o título da Pac-10 e garantiu a presença da equipe no Rose Bowl de 2009, onde perderam para Ohio State. É notável como os últimos anos de Oregon foram totalmente diferentes, mais aparições em jogos de taça, boas colocações em Rankings a cada temporada, configurando uma incrível evolução do programa. Mas enfim, voltando à era Chip Kelly, no ano seguinte a campanha foi de 12-0, sendo o único programa na história da Pac-10 a conseguir 9-0 de campanha na conferência. Foram a equipe melhor ranqueada em 2010, garantindo presença na final do College pela primeira vez, saindo derrotados por Auburn de Cam Newton.


Mike Bellotti junto aos jogadores, via 247Sports

Nos dois últimos anos antes de Kelly ir para a NFL, ele obteve a conquista de mais um título de conferência, agora Pac-12, bem como um Rose e Fiesta Bowl, respectivamente.


De Mark Helfrich até hoje (2013-atualmente)


O primeiro ano de Mark foi sólido, garantiu uma boa campanha e a vitória sobre Texas no Alamo Bowl. Vale lembrar que o quarterback nesse período foi Marcus Mariota, o maior da história do programa. Já em 2014, após ganharem mais um título da Pac-12, Oregon garantiu a segunda posição no ranking da FBS, chegando à final do primeiro College Football Playoff National Championship contra Ohio State, saindo derrotado. O destaque dessa temporada foi justamente Mariota, condecorado com o troféu Heisman, tornando-se o primeiro jogador de Oregon a ganhar tal honraria.


Heisman.com

Com a saída de Mariota para a NFL, houveram incertezas quanto a posição de QB, configurando também um declínio da equipe. Vale mencionar a derrota no Alamo Bowl de 2016 para TCU, que foi um dos maiores jogos da história do College, pois os Ducks ganhavam por 31 pontos, e chegaram a perder o jogo na prorrogação. Depois disso, Mark obteve uma série de derrotas que justificaram sua demissão.


Já o atual head coach Mario Cristobal assumiu em 2018, tendo em suas mãos um dos melhores quarterbacks que já passou pelo programa, Justin Herbert. No primeiro ano tiveram campanha 9-4, chegando a conquistar o Redbox Bowl. Na temporada seguinte, ganharam a divisão Norte da Pac-12, além de disputar o Pac-12 Championship Game e o Rose Bowl, saindo vitoriosos em ambas as ocasiões. Em 2020, mesmo com a temporada limitada por conta da pandemia da COVID-19, conquistaram mais um título da Pac-12, porém foram derrotados no Fiesta Bowl.


Mario Cristobal e Justin Herbert, via The Athletic

Rivalidades


Oregon State


Essa é considerada a 7° rivalidade mais antiga de FBS, antes chamada de “Guerra Civil”, os confrontos acontecem por mais de 120 anos, pois fazem parte da mesma conferência, Pac-12. Os Ducks estão na frente com 66 vitórias, enquanto os Beavers possuem apenas 48.


Washington Huskies


Retorno de Wheaton “The Pick”, via The Register Guard

Competindo na mesma conferência, os jogos acontecem desde 1900, sendo uma larga vantagem de Washington sobre Oregon nos confrontos com 67-47. O destaque dessa rivalidade fica por conta da chamada “The Pick”, momento comemorado até hoje pelo fã dos Ducks. Em 1994, o quarterback dos Huskies, Damon Huard, foi interceptado pelo até então calouro Kenny Wheaton, que retornou para um touchdown de 97 jardas nos segundos finais do jogo e garantiu a vitória. Até hoje o replay dessa Pick Six é rodado no telão do Autzen Stadium no dia dos jogos.


Tradições


Uniforme


SB Nation

Sem sombra de dúvidas o programa é bem conhecido pelo seu estilo de uniforme, seja a cor ou design, esse sempre foi um atrativo não só para quem gosta dessas questões, mas os próprios calouros sempre demonstraram um apreço pelo estilo usado. A Nike confecciona exclusivamente os uniformes desde 1995, mudando a cada temporada a combinação de cores, as fontes e até a logo usada no capacete. Isso meio que divide opiniões, claro que parte da torcida acha desnecessário, porém a grande maioria – eu me incluo também – curte bastante.


The Duck



Presente nos jogos de Oregon, o personagem utiliza vestimentas verdes e carrega um chapéu com o nome do time. Antigamente, era comum a universidade levar patos reais em seus jogos, porém isso caiu em desuso. O curioso é que na época da projeção do mascote, por volta dos anos 40, o modelo base foi o personagem da Disney Pato Donald, permissão concedida informalmente pelo próprio Walt Disney.


Alguns recordes de Oregon Ducks:


● Jardas passadas – Marcus Mariota (10.796)

● Touchdowns passados – Marcus Mariota (105)

● Passes completos – Justin Herbert (827)

● Jardas terrestres para um QB – Marcus Mariota (2.237)

● Touchdowns terrestres para um QB – Marcus Mariota (29)

● Touchdowns terrestres – Royce Freeman (60)

● Jardas terrestres – Royce Freeman (5.621)

● Jardas aéreas – Samie Parker (2.761)

● Field goal marcados – Aidan Schneider (51)

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