• Daniel Almeida

Conhecendo o College: Oklahoma Sooners

Hoje continuaremos com a série que vem trazendo aos fãs brasileiros (ou de qualquer outro país cuja língua seja o português, visto o enorme alcance que o portal tem apresentado desde sua estreia) do College Football informações e curiosidades sobre os seus programas favoritos. Já tratamos aqui de Clemson, Alabama, Ohio State e LSU. Não fique triste, porém, se seu time ainda não foi tema de um dos nossos artigos; o objetivo desta coluna é retratar todos os principais times do College Football. Entretanto, será basicamente impossível falar sobre absolutamente todos os programas, já que são mais de 100 só na primeira divisão.


De qualquer jeito, o conhecimento adquirido a partir desses textos é essencial não só para os torcedores das equipes que já foram ou ainda serão abordadas, mas também para qualquer um que queira conhecer mais sobre a história da NCAA como um todo. O Futebol Americano Universitário, sem dúvida, guarda consigo muitas histórias e tradições que todo aquele que gosta de College merece saber. Enfim, encerrado meu devaneio de autopromoção (até porque sou o redator principal dessa série junto com o fantástico Pedro Zaniol), vamos de vez ao assunto desta publicação.


AP Photo/Sue Ogrocki

Em um estado onde esportes profissionais não têm tido muito sucesso ultimamente, visto que o único time de Oklahoma nas quatro ligas americanas é o OKC Thunder, as universidades alegram os habitantes locais. Os Sooners, especialmente no Futebol Americano, são hoje um dos principais programas na corrida pelo título da NCAA. Spencer Rattler, para mim o melhor Quarterback do College em termos de talento, tem tudo para liderá-los rumo a uma conquista de amplitude nacional.


Em termos históricos, o uniforme vinho com letras e números em branco da universidade (que, a propósito, é muito maior do que aparenta ser) carrega 7 títulos principais, além de 50 campeonatos ganhos na BIG-12, sua conferência. Dadas essas informações, que demonstram grande sucesso dos Sooners em 126 anos de existência no futebol americano, comecemos de vez a jornada por uma linha do tempo recheada de ídolos, jogadas marcantes e anos espetaculares. Não podemos esquecer, contudo, dos vilões, das derrotas vergonhosas e das temporadas negativas que, no final, também contribuem para a evolução de um programa.


A HISTÓRIA DE OKLAHOMA


Da fundação do programa à demissão de Bennie Owen (1895-1926)



Arch Dixon Collection/OHS

A equipe surgiu em 1895, quando um professor vindo do Texas chamado John Harts sugeriu que a Universidade de Oklahoma contasse com um time de futebol americano. O problema inicial do programa, porém, foi encontrar pessoas que quisessem participar do projeto. Poucos dos atletas no elenco eram realmente estudantes, e o próprio Harts tinha que trabalhar como técnico e jogador ao mesmo tempo.


Na sua primeira partida, contra Oklahoma City, os Sooners perderam de 34 a 0 e não conseguiram nem mesmo um único first down. O massacre encerrou a (muito) curta primeira temporada do programa. Oklahoma, por causa da já mencionada escassez de jogadores no seu time, teve inclusive que pedir atletas emprestados ao seu rival no fim do jogo, que deixou vários contundidos. John deixou os Sooners no ano seguinte, para ser garimpeiro de ouro no Ártico.


Os resultados não vieram até que, em 1905, o programa contratou seu primeiro head coach “de verdade”, Bennie Owen. Ele permaneceu no cargo por 21 anos, ganhando 3 títulos de conferência. A sua campanha que mais se destacou foi a de 1915, quando conseguiu um desempenho 10-0 que surpreendeu o resto da Southwest Conference, onde Oklahoma jogava até então. Owen teve que passar o seu cargo para Adrian Linsley 1927, após uma campanha 5-2-1 na temporada anterior.



Da contratação de Adrian Linsley ao primeiro Bowl disputado (1927-1946)



Os treinadores Adrian Linsley, Lewie Hardage e Biff Jones não tiveram muito sucesso enquanto estiveram em Oklahoma. Linsley, por exemplo, não teve nenhuma temporada com mais de 5 vitórias. Esse período de seca entristeceu os fãs da universidade, os levando a questionar quando o time voltaria a brilhar em escalas maiores. Já Hardage era Running Back de Vanderbilt, mas seu talento como jogador não se traduziu para a posição de técnico. Na sideline dos Sooners, ele não evoluiu a ponto de ter uma temporada positiva.


Porém, Tom Stidham mudaria isso. Ele virou Head Coach da Universidade em 1937, e, no ano seguinte, levaria Oklahoma ao seu primeiro Bowl Game, com uma campanha 10-1. No recém-criado Orange Bowl, entretanto, a derrota para Tennessee por 17 a 0 foi inevitável.



De 1939 até o fim da Era Bud Wilkinson


247Sports

Em 1947, depois de algumas temporadas mais ou menos por parte do time de Oklahoma, Bud Wilkinson foi contratado. Ele seria o responsável, junto com jogadores que marcaram época, por levar os Sooners para outro nível. Foram 17 anos no programa, 8 Bowl Games disputados (6 ganhos), 82% de aproveitamento e três títulos, sendo o primeiro deles em 1950.


Nesse ano, a universidade perdeu apenas o último jogo da temporada (Kentucky 13 x 7 Oklahoma, no Sugar Bowl), mas isso, felizmente para torcedores ávidos por sucesso, não lhes custou uma valiosa conquista nacional. Já com registros estatísticos confiáveis, podemos citar algumas das estrelas do período: Claude Arnold, o Quarterback que teve 13 TDs e apenas 1 interceptação no ano (o que era sensacional para esses tempos) e Billy Vessels, que correu para 2084 jardas em sua carreira.


Mais dois títulos seriam conquistados pela equipe de Bud (1955 e 1956), que deixou a Universidade em 1963. O seu legado foi eterno como um dos maiores HCs da história do programa.



Da contratação de Gomer Jones ao fim da era Barry Switzer (1964-1988)


Algumas temporadas bem interessantes deram frutos para Oklahoma após a saída de Bud Wilkinson. Em 1964, um ticket ao Gator Bowl foi assegurado sob o comando do técnico Gomer Jones. Em 1971, já com Chuck Fairbanks como treinador, os Sooners ficaram a um passo de chegar a outro título, tendo parado na segunda colocação nos rankings da Associated Press. Isso viria a se repetir no ano seguinte, e em 1973 Fairbanks foi substituído por Barry Switzer.


Este seria outro a entrar para a história. O sucesso foi imediato. Depois de uma primeira temporada invicta no cargo (10-0-1), Switzer e o icônico Running Back Joe Washington liderariam os Sooners a mais um título nacional, tendo 11 vitórias e nenhuma derrota. O bicampeonato foi um feito alcançado no ano subsequente, levando Oklahoma, de fato, a se consolidar como uma das maiores franquias da NCAA.


Switzer e os Sooners ganhariam a FBS mais uma vez em 1985, antes que ele deixasse a Universidade no ano de 1988.


Da contratação de Gary Gibbs até hoje (1989-Presente)


Kevin Jairaj/USA TODAY Sports


Oklahoma passou por mais uma pequena seca até 2000, quando faturou um título com o QB Josh Heupel e o Head Coach Bob Stoops. Desde então, sucesso é a palavra que define uma histórica trajetória dos Sooners, indo para Bowl Games em todas as temporadas da NCAA desde 1999. Stoops contribuiu muito para isso, sendo um dos responsáveis por excelentes anos desde que assumiu.


Claro, o fato de que desde 2000 nenhuma outra conquista nacional foi alcançada pelo programa pesa, mas isso deve mudar em breve, com o promissor Quarterback Spencer Rattler e outros jogadores de peso que vão fazer de tudo para ganhar o que puderem em 2021.


RIVALIDADES DE OKLAHOMA



Ronald Martinez/Getty Images

TEXAS LONGHORNS


Também chamada de Red River Shootout, essa rivalidade é hoje jogada anualmente, e teve seu começo em 1900. É dado um famoso troféu para o vencedor do confronto, que tem o formato de um chapéu de caubói. Embora Texas tenha dominado a série por alguns períodos na história, isso está começando a mudar, uma vez que Oklahoma atualmente tem um elenco bem mais qualificado do que o dos Longhorns. Mesmo assim, Texas ainda lidera o histórico da série por 62 a 49, sem contar os 5 empates que aconteceram na época em que eles eram possíveis.


NEBRASKA HUSKERS


Se os Longhorns lideram por uma margem confortável o histórico de confrontos na rivalidade citada acima, os Huskers por muito tempo não tiveram nenhuma reação contra o time dos Sooners. Entre 1943 e 1958, só Oklahoma venceu nessa disputa, incluindo massacres como um 48 a 0 (1949) e um 55 a 7 (1954). Porém, mais recentemente, em 2000, um pouco disso tudo foi retribuído pelos Huskers, em uma sensacional vitória por 69 a 7.


OKLAHOMA STATE


Nesse caso, o fator regional pesa muito, visto que ambas as equipes são do mesmo estado (Oklahoma). O confronto recorrente entre os dois grandes programas no cenário dos Estados Unidos foi nomeado de Bedlam Series, em referência aos tradicionais projetos de luta livre das duas Universidades. Apesar de toda a história e pressão que acompanha o evento, os Sooners são dominantes no histórico da série (90-18-7).



TRADIÇÕES DE OKLAHOMA


Reprodução/Twitter - Oklahoma Football

O CANTO



O canto é uma pequena música recorrentemente entoada pela torcida dos Sooners, criada em 1936 pela líder do coral da Universidade, Jessie Gilkey. Durante a realização desse canto, os torcedores costumam indicar com os dedos que Oklahoma é o programa número 1, mostrando esse número com as mãos.



A CAMINHADA DOS CAMPEÕES



Uma tradição curiosa, interessante e por muitas vezes emocionante (principalmente em jogos decisivos). Quando os jogadores se preparam para sair do ônibus que os leva até o estádio dos Sooners, os torcedores na região fazem duas filas, formando assim uma espécie de túnel pelo qual os jogadores passam até chegar na arena.



RECORDES DE OKLAHOMA


Evin Morrison/The Daily

  • Jardas passadas: Landry Jones (16,646 Jardas)

  • Touchdowns passados: Landry Jones (123 TDs)

  • Jardas corridas: Samaje Perine (4,112 Jardas)

  • Touchdowns corridos: Steve Owens (57 TDs)

  • Jardas recebidas: Ryan Broyles (4,586)

  • Touchdowns recebidos: Ryan Broyles (45 TDs)

  • Interceptações: Darrel Royal (18 INTs)

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