• Pedro Zaniol

Conhecendo o College – Michigan Wolverines

Nesse capítulo da série “Conhecendo o College” vamos falar de uma instituição que exala história, prova disso são as 964 vitórias, o recorde no futebol americano universitário, que ela já conquistou. Michigan Wolverines construiu um programa de excelência logo na sua criação, no século XIX, e está entre os maiores até os dias atuais. Se você quer saber toda a história de como eles conseguiram manter esse nível por tanto tempo, é só continuar pelos próximos parágrafos.



O início do programa e os primeiros anos (1879-1900)



O primeiro jogo da história da escola aconteceu no dia 30 de maio de 1879, contra a Racine College, e teve vitória de Michigan. Já demonstrando uma sede para sempre ser melhor, a universidade fez uma excursão em 1881 para jogar contra Yale, Harvard e Princeton, as precursoras do esporte nos Estados Unidos e grandes potências do século XIX. Michigan acabou perdendo os 3 jogos, mas trouxe muita experiência na bagagem.


Um fato bem legal e interessante aconteceu em 1887. Em uma viagem para Chicago, o time acabou parando em South Bend, em Indiana, para conhecer o campus da Universidade de Notre Dame. Nessa visita, eles ensinaram os estudantes a jogar o futebol americano, e assim se tornaram os responsáveis pela criação do time de futebol americano de Fighting Irish.


O time ia melhorando a cada ano que passava, e em 1894 Michigan venceu Cornell. O resultado foi histórico na época, pois foi a primeira vez que um time de fora das potências do leste dos Estados Unidos venceu um jogo contra essa equipe.


Em 1896, junto com as Universidades de Chicago, Illinois, Minnesota, Wisconsin, Purdue e Northwestern, Michigan criou a Western Conference, precursora da conferência Big 10.

Nos dois primeiros anos, apesar de grandes campanhas, o time ficou no quase. Foi só na terceira temporada da Western Conference que a equipe ficou com o título. Isso depois de uma campanha perfeita de 10-0 com direito a vitória contra a Universidade de Chicago por 12-11 no último jogo da temporada, sendo que uma derrota daria o título para os rivais.


A era de Fielding Yost (1901-1926)


O treinador Fielding Yost era um cara com grandes ideias, porém seus primeiros times eram Universidades menores com jogadores de qualidade inferior. Mesmo assim, ele sempre conseguia tirar o melhor de seus atletas.


Em 1901, quando foi contratado por Michigan, um grande time, a empolgação era visível. Tanto que chegou a declarar para um repórter local que: “Michigan não vai perder uma partida sequer”. Uma afirmação ousada, mas Yost e seu time estavam prontos para cumpri-la.


E o time começou com tudo, amassando todos os seus adversários de conferência em 1901. No mesmo ano, foi até Buffalo jogar contra um time que na teoria era favorito para o jogo. Buffalo tinha vencido Columbia naquele ano, um dos grandes times do leste.


Só que o que se viu não foi um jogo nem um pouco equilibrado. Com 38 minutos de jogo, Michigan já havia marcado 22 touchdowns. O massacre foi tão grande que Buffalo desistiu do jogo ainda faltando 15 minutos para ele acabar. Ao final da temporada, o time foi convidado para participar do Rose Bowl contra Stanford. Esse jogo foi o primeiro Bowl da história do futebol americano universitário.


Michigan mais uma vez deu um show, venceu por 49-0 e mais uma vez fez o time adversário desistir da partida antes dela terminar, dessa vez foram 8 minutos antes. Foi assim que a universidade venceu o seu primeiro título nacional.


Em 1902, aconteceu mais um começo avassalador. Quando enfrentou Wisconsin, ambos os times estavam invictos. Isso fez com que mais de 20 mil pessoas fossem assistir o jogo, um recorde de público da conferência na época. Michigan venceu por 6-0 e pavimentou o caminho para mais um título nacional.


No ano seguinte, o início de uma rivalidade. Quando foi jogar contra Minnesota, Yost pediu para um aluno ir até um mercado e comprar um galão de água. O jogo acabou empatado, a primeira vez desde que chegou ao time de Michigan em que o treinador não saía com a vitória. De cabeça quente, acabou esquecendo o galão de água no vestiário. O Zelador de Minnesota, Oscar, achou e deu para o treinador da equipe, L. J. Cooke, que pintou o galão branco com a seguinte frase em marrom “Galão de Michigan, capturado por Oscar. 31 de outubro de 1903, Michigan 6-6 Minnesota”.



No dia seguinte, quando se lembrou do galão, Yost ligou para Cooke pedindo-o de volta. Mas Cooke simplesmente respondeu: “se você quer ele de volta, vai ter que conquistá-lo”. E assim foi criado o primeiro troféu na história de uma rivalidade do college.


Esse foi o único tropeço de Michigan em 1903, que venceu todos os outros jogos da temporada e foi mais uma vez campeão nacional.


Na temporada seguinte, o mesmo roteiro dos anos anteriores: temporada invicta, título nacional e diversos massacres. Destaque para uma das maiores goleadas da história do college, quando Michigan venceu West Virginia por incríveis 130-0.


Nos 4 primeiros anos de Yost, Michigan venceu 4 títulos nacionais, não perdeu um jogo sequer, teve um recorde de 43-0-1 e venceu seus oponentes marcando 2.821 pontos e sofrendo apenas 42. Esse time ficou conhecido como o “ponto por minuto”.


Michigan decidiu sair da Western Conference (agora Big 9) em 1907 e tornou-se independente. Foi assim até 1916. Nos anos como independente, não conseguiu manter o bom nível, e acabou sem vencer nenhum título nacional.


O time voltou para a Big 9 em 1917, fazendo assim a conferência virar a Big 10. E já venceu a competição em 1918 e, junto dela, o título nacional. Venceu mais uma vez o título nacional em 1923.


Yost deixou o cargo de treinador em 1926. Mas continuou na universidade como diretor atlético, e foi um dos responsáveis pela construção do Michigan Stadium em 1927.


Foram 6 títulos nacionais, 10 títulos de conferência e um recorde de 165-29-10 em 25 temporadas à frente dos Wolverines.


Continuidade dos anos vencedores (1927-1989)


Harry Kipke chegou em 1929 para substituir Tad Wieman, treinador que não tinha ido bem. Harry melhorou bastante o time e conseguiu o título nacional em 1932 e 1933. O destaque desses elencos era o quarterback Harry Newman. Ele venceu o troféu Douglas Fairbanks (precursor do Heisman Trophy). Depois de alguns anos ruins, Kipke saiu em 1937.


Seu sucessor foi Fritz Crisler. Crisler foi revolucionário de várias maneiras para Michigan, a primeira delas, foi que em sua chegada, em uma tentativa de ajudar a destacar os seus recebedores e facilitar a vida do seu quarterback, ele mudou o capacete da Universidade. Na época era comum usar só uma cor, no caso de Michigan o amarelo. Fritz então adicionou o azul nos lados do capacete, fazendo um desenho que se parece com duas asas. O capacete virou marca registrada da instituição e é usado até hoje.


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A outra revolução de Crisler aconteceu em 1945. Michigan foi jogar contra um grande time de Army, que tinha dois vencedores do Heisman. Quebrando a cabeça para criar uma tática para vencer esse jogo, o técnico percebeu uma coisa. Naquela época, os times jogavam tanto no ataque como na defesa com os mesmos 11 jogadores. Como a regra não proibia os times de fazer substituições, ele decidiu dividir o seu time em duas formações, uma especialista em defesa, outra especialista em ataque. A tática inovadora não foi o suficiente, pois o time perdeu, mas a defesa com jogadores descansados conseguiu segurar muito bem o super ataque de Army a 28 pontos, bem abaixo da média deles na temporada.


Essa estratégia mudou completamente o jeito que o futebol americano era jogado, e graças a ela Michigan venceu o título nacional em 1947, no último ano de Crisler como o técnico do time. A partir de 1948 ele foi promovido a diretor técnico da universidade.


Bennie Oosterbaan foi contratado para suceder o treinador. Bennie era uma lenda em Michigan, jogou futebol americano, basquete e baseball pela universidade. Depois da carreira como atleta, virou treinador, trabalhou em Michigan por 30 anos como assistente e treinador principal dos times de basquete e futebol americano.


Seu começo foi espetacular, vencendo o título nacional em 1948, continuou com relativo sucesso, mas foi decaindo com o passar dos anos, até que deixou o cargo em 1958.


O próximo treinador, Bump Elliott, foi o que teve os piores resultados dessa era. Venceu apenas uma vez a Big 10 e teve várias temporadas com mais derrotas que vitórias. Mesmo não tendo grandes resultados, a cultura de acreditar em seus treinadores de Michigan fez com que Bump ficasse no cargo por 10 temporadas, até que a manutenção no cargo não foi mais possível.


O próximo treinador recuperou a grandeza de Michigan. Bo Schembechler virou uma lenda do college treinando os Wolverines. Foram 21 temporadas à frente do time. Nesses 21 anos, nunca teve uma campanha com mais derrotas do que vitórias, teve 20 temporadas vitoriosas, venceu 13 vezes a Big 10, e acabou com um recorde de 194-48-5. Apesar de todo esse sucesso, Michigan não venceu nenhum título nacional. Bo se aposentou como treinador em 1989 e em 1993 foi para o Hall da Fama do college.


A era de Lloyd Carr até os dias atuais (1990-ATUALMENTE)


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Gary Moeller ficou pouco tempo no cargo (para padrões de Michigan), 5 temporadas. Mas não foi por conta dos resultados em campo, venceu a Big 10 nos seus 3 primeiros anos e fez do wide receiver Desmond Howard o segundo vencedor do Heisman da história de Michigan, só que problemas com a polícia fizeram com que a instituição o demitisse.


Lloyd Carr, assistente desde os anos 80, foi nomeado treinador interino depois dessa demissão repentina. Foi tão bem como interino na primeira temporada que foi efetivado.


Em 1997, uma temporada histórica, Carr, que antes de virar head coach era coordenador defensivo, montou uma das melhores defesas da história do college, que cedeu 9,5 pontos por jogo apenas. O time era tão dominante que ficou invicto o ano todo e venceu o título nacional, o primeiro de Michigan desde 1948. A defesa foi tão espetacular, que seu grande líder, o cornerback Charles Woodson, venceu o Heisman Trophy, se tornando assim o único jogador exclusivamente de defesa na história a vencer o prêmio.


Carr se aposentou do cargo em 2007 depois de 13 temporadas à frente dos Wolverines, venceu um título nacional, 5 campeonatos da Big 10 e teve um recorde de 122-40. Foi selecionado para o Hall da fama do college em 2011.


Durante os anos de Carr, a rivalidade com Ohio State teve os seus anos de glória. Se por grande parte da história Michigan levou vantagem sobre o seu rival, no final dos anos 90 e início dos anos 2000 Ohio State começava a se tornar a potência que é hoje em dia, e Michigan ainda vivia seus melhores anos, fazendo com que os dois times entrassem todos os anos como favoritos ao título. O ápice da rivalidade foi em 2006, quando os dois times chegaram invictos com 11 vitórias e com Ohio State como a primeira do ranking e Michigan como a segunda. O jogo ficou conhecido como o jogo do século e foi incrível, com vitória de Ohio State por 42-39.


Nos anos seguintes, o time sofreu bastante para acompanhar a evolução ofensiva do jogo no college, e acabou ficando para trás dos seus rivais. Os próximos treinadores, Rich Rodriguez e Brady Hoke, ficaram 3 e 4 temporadas no comando, respectivamente.


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Em 2015, visando mudar essa história, Michigan não economizou e contratou o treinador Jim Harbaugh com um dos maiores salários do college. Harbaugh chegava depois de um grande trabalho com o San Francisco 49ers na NFL, onde levou o time para o Super Bowl em 2013. Jim foi quarterback da Universidade de Michigan nos anos 80.


Ele vem mostrando um grande trabalho, recuperando o prestígio de Michigan, porém o time ainda está bem atrás de seu maior rival, Ohio State, e ainda está longe de ser um real candidato ao título nacional.


RIVALIDADES


OHIO STATE BUCKEYES


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Maior rival de Michigan, Buckeyes e Wolverines é uma das maiores rivalidades dos esportes americanos. O primeiro jogo entre as equipes aconteceu em 1897, e eles se enfrentam anualmente desde 1918. Em anos pares o jogo é sempre na casa de Ohio State, e em anos ímpares o jogo é na casa de Michigan. Tem jogos históricos como o “Snow Bowl” em 1950 e o Jogo do Século em 2006. Durante os anos 70, no final dos anos 90 e no início dos anos 2000, os times sempre entravam nas temporadas como favoritos ao título, gerando assim grandes e importantes confrontos.


MICHIGAN STATE SPARTANS


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A grande rivalidade do Estado. O primeiro jogo entre os times aconteceu em 1898, mas a rivalidade só virou anual em 1953, quando Michigan State entrou para a Big 10. Nesse mesmo ano, depois da vitória dos Spartans no confronto entre as duas equipes, o Governador de Michigan, Paul Bunyan, deu um troféu para a Universidade. Desde então, o vencedor do confronto leva o troféu para casa e fica com ele até que seja derrotado.


MINNESOTA GOLDEN GOPHERS


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Uma das rivalidades mais antigas do college, conhecida como a rivalidade do “Little Brown Jug” por conta do galão de água que virou o troféu do jogo (é o troféu de rivalidade mais antigo do college). O primeiro confronto entre eles aconteceu em 1892, e eles jogaram anualmente de 1919 até 2014. Em 2014, com o realinhamento da Big 10, os times pararam de se enfrentar anualmente.


Outros rivais de Michigan: Notre Dame, Northwestern.


TRADIÇÕES


MICHIGAN STADIUM


O icônico estádio é dono de diversas tradições. A primeira delas é a saída do time do vestiário, com os jogadores tocando a faixa que diz “Go Blue, M Club Supports You”.


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Apelidado de “The Big House", o estádio é gigantesco. Na sua construção, em 1927, Yost já imaginava que os públicos em partidas de futebol americano só iriam crescer, e queria um estádio para mais de 80 mil pessoas, número muito acima da média da época. Os 80 mil não foram possíveis por questões financeiras, mas o estádio foi aberto com 72 mil lugares. Durante os anos, foi tendo reformas e expandindo, desde sua construção é o maior estádio dos Estados Unidos. Em 1996 foi passado pelo Neyland Stadium, de Tennessee, mas em 1998 reassumiu a liderança. Hoje tem capacidade para 107.601 mil pessoas, podendo ser expandido para até mais de 115 mil. O recorde de público em um jogo de futebol americano é de lá, com 115.109 mil pessoas assistindo Michigan x Notre Dame em 2013. O maior público de uma partida de futebol (o mais conhecido no Brasil mesmo), é de lá também, 109.318 mil pessoas assistiram a um amistoso entre Real Madrid e Manchester United.


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Desde 1958, a capacidade do estádio sempre termina com 01. Isso porque, em todos os eventos no estádio, um assento é reservado para que ninguém se sente nele, pois aquele assento é o lugar do ex-treinador e ex-diretor atlético e lenda de Michigan Fritz Crisler.


RECORDES DE MICHIGAN


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  • Jardas passadas: Chad Henne – 9.715 jardas

  • Touchdowns passados: Chad Henne – 87 TDs

  • Jardas corridas: Mike Hart – 5.040 jardas

  • Touchdowns corridos: Anthony Thomas – 55 TDs

  • Jardas recebidas: Braylon Edwards – 3.541 jardas

  • Touchdowns recebidos: Braylon Edwards – 39 TDs

  • Interceptações: Tom Curtis – 25

  • Tackles: Ron Simpkins - 516

  • Sacks: Mark Messner - 36

  • Field goals feitos: Garrett Rivas - 64

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