• Pedro Zaniol

Conhecendo o College – LSU Tigers

O terceiro capítulo da série “Conhecendo o College” será sobre uma Universidade que assombrou o futebol americano em 2019. Com uma campanha irretocável e vitórias convincentes do início ao fim da campanha.


Estou falando, claro, da Luisiana State University, a LSU Tigers. Outra escola com uma história riquíssima e diversos times memoráveis. Quer saber mais sobre toda essa história, as principais tradições e maiores rivalidades? Você vai descobrir tudo isso a seguir.


O INÍCIO E CONSTRUINDO O PROGRAMA (1893-1931)



Em 1893, o professor de química Dr. Charles Coates, ex-jogador de futebol americano pela Universidade John Hopkins, resolveu formar um time em LSU. O primeiro jogo da história do programa foi uma derrota de 34x0 para Tulane.


Uma curiosidade desse jogo, na época, as cores oficiais da escola eram o azul e o branco. Mas para o primeiro jogo, o time iria usar um uniforme cinza. Foi então que Coates e o quarterback do time, Ruffin Pleasant, decidiram comprar fitas do Mardi Grass, o famoso carnaval de Louisiana. As cores do carnaval são compostas pelo verde, roxo e amarelo. Porém, ao chegarem na loja para comprar as fitas, a cor verde ainda não tinha chegado. Os dois resolveram usar somente a roxa e a amarela, e assim hoje as tão famosas cores da LSU viraram oficiais.


Em 1907, LSU se tornou a primeira universidade americana a jogar uma partida de futebol americano fora dos Estados Unidos. Eles venceram a Universidade de Havana por 56x0 em Cuba.

Nos anos seguintes, o programa crescia cada vez mais e ia ganhando notoriedade tanto no Sul como no resto do país.


A ASCENDÊNCIA NO SUL (1932-1957)


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Em 1935, a LSU venceu pela primeira vez a SEC com o treinador Bernie Moore, por ter conquistado a sua conferência, fez a sua estreia no Sugar Bowl, no qual perdeu para TCU pelo placar inusitado de 3x2. Em 1935 foi também a primeira vez que um jogador foi selecionado para o All-American, que são os melhores jogadores universitários. O receiver Gaynell Tinsley.


No ano seguinte, mais uma vez o título da SEC, e mais uma vez também uma derrota no Sugar Bowl, para a Universidade de Santa Clara, dessa vez com um placar bem mais comum, 21x14.


Foi também o ano da maior vitória e do jogo em que LSU mais marcou pontos. Um verdadeiro massacre de 93x0 sobre a Universidade de Louisiana Lafayette.


Em 1948 Moore se aposentou, e quem assumiu o seu lugar foi o ex-jogador Gaynell Tinsley. Ele ficou 7 anos a frente do time, chegou a um Sugar Bowl em 1949, outra derrota, dessa vez para Oklahoma. Mas não teve o mesmo sucesso do seu antecessor. Acabou saindo em 1954.


A NOTORIEDADE NACIONAL (1958-1979)


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Depois da saída de Tinsley, LSU resolveu trazer um treinador com ideias inovadoras. Esse treinador era Paul Dietzel.


Em uma dessas ideias, Paul acabou revolucionando o futebol americano na época. Em 1958, ele desenvolveu um sistema completamente diferente de substituições. O “three-platoon system”. Nesse sistema, ao invés de você substituir um ou outro jogador cansado entre as jogadas, você substitui o time inteiro. Para isso, Dietzel tinha três times. O time branco, que era o titular tanto no ataque quanto na defesa. O time dourado, que era o reserva no ataque, e o time dos Chinese Bandits, reservas na defesa.


A estratégia deu muito certo, LSU venceu seu primeiro título nacional em 1958, ao derrotar Clemson no Sugar Bowl por 7x0. Em 1959, o half-back da equipe Billy Cannon venceu o Heisman trophy, de melhor jogador universitário.


Paul Dietzel deixou a equipe em 1961 para ir ao exército. Veio então Charles McClendon. Um dos maiores treinadores da história de LSU, Charles ficou 18 temporadas no comando, sempre fazia grandes campanhas, tendo 16 temporadas vencedoras e apenas 1 temporada com mais derrotas do que vitórias. Por mais vitorioso que McClendon foi, o time não conquistou muitos títulos na época, tendo vencido apenas 1 SEC em 1970 e nenhum título nacional.


ANOS DE INSTABILIDADE (1980-1999)


Se entre 1935 e 1979, 44 anos, LSU teve apenas 4 treinadores, depois que McClendon se aposentou as coisas não ficaram nada boas na Louisiana. Foram 6 treinadores em 20 temporadas, 10 dessas com mais derrotas do que vitórias e apenas dois títulos da SEC em 1986 e 1988, muito pouco para um time que agora era uma das potencias do esporte.


Os treinadores dessa época foram Bo Rein, Jerry Stoval, Bill Arnspargar, Mike Archer (esses dois os que venceram a SEC), Curley Hallman e Gerry DiNardo.


A VOLTA AO TOPO (2000-PRESENTE)


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No início do século XXI, uma contratação mudou a história de LSU. Depois de algumas boas temporadas como Head Coach de Michigan State, Nick Saban foi anunciado como o mais novo treinador dos Tigers. Seu impacto foi imediato, pegou um time que tinha vencido apenas 3 jogos e perdido 8 em 1999 e transformou em uma equipe competitiva que teve 8 vitórias e 4 derrotas em 2000.


Em 2001 venceu a SEC e em 2003 o título nacional. O grande choque veio em 2004, depois de mais uma temporada vencedora, Nick Saban decide ir para os profissionais treinar o Miami Dolphins.


LSU, agora uma superpotência depois da passagem de Saban por lá, precisava de um novo técnico a altura do programa. Foi então atrás de Les Miles. Treinador não muito experiente, mas vindo de um trabalho espetacular com Oklahoma State. Em que ele pegou um programa de pouco sucesso e reconhecimento, e transformou em uma equipe vencedora.


Os resultados vieram logo de cara. Título nacional em 2007 e o título da SEC em 2011, sempre com grandes times e ótimos jogadores recrutados. Miles ficou 12 anos no comando técnico e sempre teve temporadas vencedoras. Em 2015, após um começo muito bom, LSU uma das favoritas ao título e 7-0, perdeu 3 dos últimos 5 jogos e saiu completamente da briga. Veio 2016, e um início muito ruim de temporada com 2 vitórias e 2 derrotas fez com que Les Miles fosse demitido no meio dela. Para o seu lugar o coordenador defensivo Ed Orgeron foi nomeado.


Ed estava a frente do super time de 2019. O elenco que contava com estrelas que hoje estão na NFL como o QB Joe Burrow, os WRs Justin Jefferson e Ja’Marr Chase, o RB Clyde Edwards-Helaire e os defensores K’Lavon Chaisson, Grant Delpit e Patrick Queen.


Esse time ficou invicto na temporada, venceu os seus 15 jogos. Burrow venceu o Heisman, Chase o prêmio de melhor receiver, Delpit o de melhor defensive back e Orgeron o de melhor técnico do college.


O ataque desse time foi avassalador, Helaire teve mais de 1400 jardas corridas, Jefferson mais de 1500 jardas recebidas e Chase mais de 1700. Burrow quebrou os recordes de mais touchdowns passados em uma temporada com 60, e o melhor passer rating, com 202.0. Graças a essas marcas, muitas pessoas na época disseram que o time de 2019 foi o melhor time universitário da história.


RIVAIS DE LSU


ALABAMA


Não é uma rivalidade histórica, mas as duas equipes jogam uma contra a outra todos os anos desde 1960. A rivalidade cresceu muito nos últimos anos por dois motivos, o primeiro deles é que sempre as duas equipes montam grandes times e são candidatas ao título no início da temporada. O outro motivo é Nick Saban, o treinador passou pelos dois programas nos anos 2000 e revolucionou ambos, que colhem seus frutos até hoje, principalmente Alabama que ainda conta com o treinador.


ARKANSAS


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A rivalidade existe a algum tempo, o primeiro jogo entre as equipes aconteceu em 1901. Depois que Arkansas entrou para a SEC em 1992, a rivalidade esquentou. Em 1996 as equipes criaram o Golden Boot Trophy, um troféu com o mapa dos dois estados que parece uma bota e fica com o vencedor do confronto por todo o ano até o próximo jogo. Um dos jogos mais famosos entre as equipes é o Ice Bowl de 1947. Disputado no Texas no inverno e com muita neve. O placar acabou em 0x0 e os times dividiram o troféu.


AUBURN


Também não é uma rivalidade histórica, antes de 1992, os times não se enfrentavam anualmente. Conhecido como o Tiger Bowl, pois o apelido das duas universidades é Tigers. A rivalidade esquentou bastante no começo dos anos 2000, com grandes confrontos entre as equipes no começo do século e o time da casa sempre vencendo entre 2000 e 2007. O principal jogo dessa rivalidade é o Earthquake Game. Em 1988, com quase 80 mil pessoas no Tiger Stadium na Louisiana, Auburn vencia por 6x0 até o final do 4º quarto. Com uma virada no finzinho, as 80 mil pessoas celebraram tanto que um sismógrafo próximo a universidade detectou um pequeno terremoto.


  • Outras rivalidades: Florida, Mississipi State, Ole Miss e Texas A&M


TRADIÇÕES DE LSU


MIKE THE TIGER


flickr

O mascote de LSU é Mike, o tigre. Mas engana-se quem acha que Mike é apenas uma fantasia de tigre. Mike é um tigre de verdade! A tradição começou em 1936, quando os estudantes fizeram uma vaquinha e compraram o animal de um zoológico. O nome Mike é em homenagem a Mike Chambers, médico dos atletas de LSU naquele ano. Desde então, a Universidade já teve 7 Mikes, o último deles chegou no campus em 2017. Mike vive no campus desde 1936, mas em 2005, foi construído um novo habitat para o mascote, que custou 3 milhões de dólares e tem 1400m². Até 2016, com o Mike VI, os jogos de LSU tinham uma gaiola com o tigre, para intimidar os adversários, ele não estava em todos os jogos pois o animal não era obrigado a entrar na jaula, só o fazia se quisesse. Porém, a partir de 2017 o Mike VII não sai mais de seu habitat.


Outra tradição legal envolvendo o tigre, é que após a morte de um Mike, a universidade vai a procura de um tigre para ser doado para a instituição. Quando ele é encontrado, uma fumaça branca sai da chaminé da escola de medicina de LSU, fazendo uma alusão ao que acontece na Capela Sistina quando um novo Papa é escolhido.


TIGER BAND


A banda marcial de LSU é uma das mais icônicas do college, tocando suas músicas mais famosas como “LSU Alma Mater”, “Fight for LSU”, “Touchdown for LSU”, “Hey, Fightin Tigers” e “Tiger Rag” no pré-jogo, durante o jogo e nos finais das partidas. Ela foi criada em 1893 por dois estudantes, Wyllie Barrow e Ruffin Pleasant.


TRADIÇÕES DO TIME DE FUTEBOL AMERICANO DE LSU


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O time de futebol de LSU tem diversas tradições muito particulares. Uma delas são as características do seu estádio, o Tiger Stadium. Lá, além das características marcações nas linhas de 10 em 10 jardas, também temos marcações nas linhas de 5 em 5 jardas. Os postes do field goal também são diferentes, ao invés de ter somente um suporte e fazer a forma de um “Y”, eles têm dois suportes e fazem a forma de um “H”.


A camisa de número 18 também tem um significado especial. Em 2003, o QB Matt Mauck, dono da camisa foi campeão. Como era seu último ano, ele a cedeu para o calouro RB Jacob Hester, que no seu último ano também foi campeão em 2007. Com isso, a partir de 2008 o jogador que usa a camisa 18 é escolhido por seus companheiros de time, e ele se torna uma espécie de líder do time.


TAILGATING


O famoso churrasco antes dos jogos é levado a outro nível em LSU. Louisiana é um estado conhecido pela sua culinária, festas e por ter um clima quente e úmido. Por conta disso, a tradição de fazer churrascos no campus antes de jogos de basquete, baseball e principalmente futebol americano é muito forte. Tão forte que milhares de pessoas se reúnem no campus, mais que as 102 mil pessoas que podem ir ao Tiger Stadium. Os churrascos são tão bons que os torcedores chegam com seus motorhomes numa quinta-feira, para jogos que só vão acontecer no sábado. Uma verdadeira festança.


RECORDES DE LSU


heisman

  • Jardas passadas: Tommy Hodson – 9.115 jardas

  • Touchdowns passados: Joe Burrow – 76 TDs

  • Jardas corridas: Kevin Faulk – 4.557 jardas

  • Touchdowns corridos: Kevin Faulk – 46 TDs

  • Jardas recebidas: Josh Reed – 3.001 jardas

  • Touchdowns recebidos: Dwayne Bowe – 26 TDs

  • Interceptações: Chris Williams – 20

  • Tackles: Al Richardson - 452

  • Sacks: Rydell Melacon - 25

  • Field goals feitos: David Browndyke - 61

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