• Daniel Almeida

Conhecendo o College - Clemson Tigers

Hoje começamos uma nova série da seção College Football aqui no site Golim Sports. “Conhecendo o College” será sua nova fonte de informações históricas sobre os principais times que compõem a FBS, divisão principal da NCAA. Traremos para você que acompanha o portal todas as tradições, rivalidades, dados históricos, recordes e curiosidades sobre as equipes abordadas. Espero trazer, no primeiro texto desse segmento, o máximo de conteúdo possível para fazer com que os novos fãs desse esporte maravilhoso possam, cada vez mais, conhecer e apreciar a história e o legado associados ao seu programa favorito.



Para os que atualmente acompanham a universidade de Clemson, pode parecer que o sucesso nacional da equipe é coisa de longa data. Desde os primórdios de sua existência, talvez você pense, o sucesso e a tradição acompanharam o programa, que se encontra nessa situação de dominância depois de vários anos com super-times. Bem, na verdade podemos dizer que Clemson conseguiu alcançar o seu alto patamar de agora a partir de 2011, ano da primeira temporada boa dos Tigers sob o comando de Dabo Swinney. Excluindo esse período de somente uma década, houve só alguns pequenos lampejos de poderio no cenário do futebol americano universitário, como no título de 1982. Ficou curioso? Que tal descobrir um pouco mais dessa história?


Da criação dos Clemson Tigers ao primeiro Bowl disputado (1896-1939)


Créditos para Clemson Athletics

O time de futebol americano da universidade de Clemson foi criado em 1896, há exatos 125 anos. Nessa época, o programa ainda jogava na Southern Intercollegiate Athletic Association, ou simplesmente SIAA. As únicas três partidas da temporada inicial foram: uma vitória contra o Furman Purple Hurricane (14-6); uma derrota para os South Carolina Gamecocks (6-12); e outra vitória, contra os Wofford Terriers (16-0). É interessante notar que, principalmente por conta da falta de recursos financeiros, todos esses jogos foram realizados na Carolina do Sul.


O primeiro lampejo de sucesso a ser citado na história dos Tigers veio cedo, é verdade. Em 1902, John Heisman já havia ganhado um título de SIAA com a universidade e, naquele que seria o seu penúltimo ano por lá, adquiriu mais uma conquista da competição com a equipe. Entretanto, tempos sombrios viriam a partir de 1904. Shack Shealy, Eddie Cochems e Bob Williams: todos esses técnicos foram dispensados após um único ano de trabalho. Bom, ainda é mais tempo do que ganha um técnico no futebol brasileiro, não é mesmo? Bob Williams voltou ao comando depois de uma temporada 1-6 conduzida por John Stone e foi o principal treinador de Clemson ao lado de Frank Dobson até 1916.


Quanto aos jogadores, é importante ressaltar que não é possível fazer muitas ponderações, visto que ainda não havia recursos como vídeos e fotos de qualidade na época. Além disso, os registros estatísticos não eram muito organizados.


Os torcedores dos Tigers só voltariam a sorrir em 1927, com o time já na Southern Conference (SC), quando Josh Cody assumiu o posto de Head Coach e liderou o programa a três temporadas consecutivas de oito vitórias, passando em seguida o seu posto para Jess Neely. Este não obteve bons resultados em seus primeiros anos, mas em 1939 levou a universidade para seu primeiro Bowl Game. No Cotton Bowl daquele ano, o time ganhou de Boston College e teve seu Back Banks McFadden coroado como MVP da partida.


Do primeiro Bowl ao título nacional da NCAA (1940-1982)


Créditos para GEORGE GARDNER/Independent Mail

Logo após a vitória no Cotton Bowl, assumiria Frank Howard, um dos mais icônicos treinadores da história de Clemson. Em seus 30 anos comandando a equipe, Howard teve 295 jogos disputados e um aproveitamento de 58%. Ele viria a ganhar 8 títulos de conferência e levaria os Tigers para seis outros Bowl Games. Seu ano de maior sucesso foi 1948, quando terminou a temporada invicto com uma campanha 11-0, no entanto sua equipe foi listada como número 11 no ranking da Associated Press. Naquele ano, o programa ganhou o Gator Bowl contra Missouri por 24 a 23, e o Running Back Bobby Gage foi eleito o melhor do jogo. Frank Howard, ao sair dos Tigers em 1969, após duas temporadas negativas, deixou um legado de grandeza e sucesso para um programa que estava em franca evolução.


Por parte dos jogadores, de 1957 a 1959, o Running Back Doug Cline foi a principal estrela de Clemson. Nos três anos em que esteve no elenco, o corredor teve 1213 jardas totais, levando a universidade a dois Bowl Games. Nessas temporadas, o time ganhou 23 partidas e perdeu apenas 8.


Depois da saída de Frank, uma nova seca de boas atuações deixou o time da Carolina do Sul longe de se firmar como uma potência do College Football. Até 1976, os torcedores da universidade viram somente campanhas com mais derrotas do que vitórias. Os bons tempos voltariam apenas em 1977, quando Charley Pell assumiu a posição de Head Coach de Clemson e conseguiu um desempenho 8-3-1. Danny Ford substituiu Charley no último jogo da temporada seguinte. Ford seria um dos técnicos mais vitoriosos da história do programa e o responsável por definitivamente alavancar o sucesso dos Tigers.


O mais forte dos lampejos de sucesso que citei, que deu força para que Clemson viesse a ser o que é hoje, veio em 1982. O time, que nem tinha sido citado nos rankings de pré-temporada da Associated Press, engatou uma sequência de vitórias e assumiu a segunda colocação nacional. E, quando Penn State surpreendeu o então primeiro lugar Pittsburgh, os Tigers puderam saborear a vitória pela primeira vez em muito tempo. O jogo decisivo da temporada foi o Orange Bowl contra o número quatro da AP, Nebraska. Clemson dominou o jogo e ganhou de 22 a 15, confirmando o primeiro título americano da história do programa.


Perry Tuttle, Homer Jordan e Cliff Austin são alguns dos célebres nomes naquele ataque. Jordan, o quarterback, teve mais de 1500 jardas (o que na época era um bom número) e 9 touchdowns. Já Perry era Wide Receiver e alcançou a marca de 52 recepções para 883 jardas, com uma incrível média de 17 JPR. Por fim, Austin foi o Running Back que correu para 824 jardas e liderou o jogo terrestre dos campeões. Esses nomes e tantos outros serão lembrados para sempre por começarem de vez a trajetória de conquistas para Clemson.


Do título de 1982 até o presente (1983-hoje)


Créditos para Gerald Herbert/Associated Press

Desde então, Clemson achou seu caminho e tem tido muito sucesso. De 1985 a 1991, os Tigers participaram de 7 Bowl Games seguidos, vencendo 5 deles. Desde 2005 o programa disputou Bowls em todos os anos, muito por conta de Dabo Swinney e Trevor Lawrence. Eles construíram, ao lado de talentos como Travis Etienne, uma dinastia no cenário da NCAA, e agora com DJ Uiagalelei o futuro promete continuar sendo brilhante.



Rivais de Clemson


SOUTH CAROLINA


Mesmo que os Gamecocks não sejam competitivos o suficiente para bater de frente com os Tigers hoje em dia, a história e a tradição pesam muito para que essa seja considerada uma das maiores rivalidades de Clemson. O “Palmetto Bowl”, como é conhecido o jogo entre as duas equipes, existe desde a criação do programa destacado nesta matéria (1896). Entre vários acontecimentos marcantes nessa quente disputa, estão provocações, desfechos emocionantes, jogadas espetaculares e até mesmo uma lamentável briga entre os jogadores no ano de 2004.


GEORGIA


Principalmente na década de 80, essa foi uma das mais importantes rivalidades de todo o College Football. Em 1978, os Tigers haviam arrancado dos Bulldogs uma temporada invicta, ato que foi devolvido em 1981, quando Georgia causou a primeira derrota de Clemson no ano. Embora o time cujo logo é um largo G tenha uma ampla vantagem no histórico dos confrontos entre essas duas equipes, a expectativa é de que tenhamos partidas mais apertadas a partir de 2021, já que os elencos de ambos os programas têm qualidade para competir inclusive pelo título.


ALABAMA


Não houve tantos jogos entre esses dois times até hoje, é verdade. Mas, somente com as 19 partidas que já tivemos envolvendo essas equipes, pudemos perceber que é impossível não citar tal rivalidade em uma lista como essa. Os dois times emergiram demais nas últimas temporadas e, hoje, o embate entre eles, para os fãs da NCAA, é um prato cheio. Esperamos ter muito mais jogos como o 45 a 40 a favor de Alabama em 2016, não só por ter como estrelas os jogadores, mas também pelos técnicos, que, assim como os atletas, são um fator de destaque. Dabo Swinney e Nick Saban representam recrutamentos excepcionais, transferências inteligentes e talento para chamar as jogadas também!


Outras rivalidades: Georgia Tech, Boston College, Auburn, Florida State etc.


Tradições de Clemson


Créditos para Streeter Lecka/Getty Images

HOWARD’S ROCK


A Howard's Rock (na imagem abaixo) foi uma pedra dada como um presente a Frank Howard na década de 1960. Mas a tradição realmente começou em 1977. Howard supostamente havia dito a seus jogadores que, se eles se esforçassem e dessem 110% em campo, poderiam tocar a rocha. Daí, surgiu a tradição. Hoje, sempre que os jogadores de Clemson saem correndo para o campo, eles esfregam a mão na Howard 's Rock, esperando que isso lhes traga sorte.


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Mais conhecida como “Running down the hill”, essa tradição é realmente muito marcante. Como você já deve saber, a saída dos vestiários para o estádio de Clemson, o Memorial Stadium, é inclinada, como se fosse um morro. Assim, quando os jogadores descem esse “morro” (hill, em inglês), eles ficam bem próximos da arquibancada e isso, junto com os gritos da multidão que compõe a torcida dos Tigers, gera uma atmosfera impressionante tanto para os fãs que acompanham o evento, quanto para os atletas/estudantes, que ao final da corrida tocam a Howard’s Rock (citada acima).


Recordes de Clemson



Créditos para Joel Auerbach/Getty Images

  • Jardas passadas: Tajh Boyd - 11,904 jardas

  • Touchdowns passados: Tajh Boyd - 107 TDs

  • Jardas Corridas: Travis Etienne - 4,952 jardas

  • Touchdowns corridos: Travis Etienne - 50 TDs

  • Jardas recebidas: Sammy Watkins - 3,391 jardas

  • Touchdowns recebidos: Sammy Watkins, Tee Higgins e DeAndre Hopkins - 27 TDs

  • Interceptações: Terry Kinard: 17

  • Tackles: Bubba Brown: 515

  • Sacks: Vic Beasley: 33

  • Field Goals feitos: Nelson Welch - 72

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