• Bernardo Schmitberger

Conheça Shane Waldron, novo coordenador ofensivo de Seattle

Após o melancólico término da temporada 2020 para os Seahawks – que aconteceu de maneira para lá de frustrante, com derrota para o rival Los Angeles Rams na rodada de Wild Card – a equipe mexeu os pauzinhos nos bastidores e, em uma decisão considerada até inesperada, demitiu o coordenador ofensivo Brian Schottenheimer. Talvez mais inesperado ainda tenha sido o nome de seu substituto, o até então coordenador de jogo passado dos próprios Rams, Shane Waldron, que chega a Seattle acompanhado do novo coordenador de jogo corrido, Andy Dickerson, também direto de Los Angeles.


Mas quem é Shane Waldron e qual a expectativa que paira sobre ele para dar liga a um ataque que, de tantos altos e baixos, pareceu uma montanha-russa em 2020?


(AP/Photo)

Desde 2002, Waldron teve diversos trabalhos curtos em franquias da NFL, como o New England Patriots e o Washington Football Team, e em algumas universidades – sendo a mais notável a Universidade de Massachusetts. Nessas organizações, Waldron desempenhou papéis sobretudo no controle de qualidade das ações ofensivas, além de ter sido técnico de tight ends em algumas ocasiões – posição em que ele atuou quando era jogador universitário, entre 1999 e 2002. Em 2017, Waldron foi admitido no Los Angeles Rams para ser técnico de tight ends, mas essa função durou apenas até o ano seguinte, quando ele foi promovido a coordenador de jogo passado – papel que ele desempenhou até ser contratado pelos Seahawks.


A princípio, a contratação de um até então coordenador de jogo passado para o cargo contrasta com a declaração do HC de Seattle, Pete Carroll, de que a tendência era de que a equipe corresse mais com a bola em 2021. A escolha por Waldron, porém, parece ter passado também pelo QB Russell Wilson, que teria aprovado sua contratação.


Em Los Angeles, o esquema de jogo de Waldron, McVay e companhia usou e abusou do play action (aquela jogada em que o quarterback finge que vai entregar a bola para o running back, mas na verdade se trata de uma jogada de passe), que é extremamente útil para dar mais tempo de raciocínio ao signal caller. Tendo agora um quarterback talentoso como Wilson, é de se esperar que a tendência seja de se usar mais essa tática. Outro ponto a se destacar é a movimentação antes do snap, usada para confundir a defesa, e que também era bastante empregada em Los Angeles.


Um terceiro ponto que justifica a contratação de Waldron é que, enquanto treinava os Rams, seu esquema focava bastante em passes de curta e média distância. Diante disso, dois cenários imediatamente vêm à mente do torcedor de Seattle; o primeiro é o de ganho de jardas após a recepção, aproveitando a musculatura avantajada e a força quase equina do WR DK Metcalf; o segundo é o de um maior repertório para o ataque, que no ano passado caiu em previsibilidade após abusar de corridas e passes longos em profundidade nas primeiras semanas.


Por último, mas não menos importante – pelo contrário –, chegamos ao maior problema do ataque dos Seahawks e que tem atormentado a torcida por vários anos: a linha ofensiva. Em Los Angeles, a proteção ao quarterback era excelente e fez com que o então QB Jared Goff figurasse nos finais das listas de sacks sofridos. Como sabemos, o cenário em Seattle é um pouco diferente, mas o plano de jogo que Waldron adotava na sua antiga equipe, com passes curtos – e rápidos – e uma alta taxa de play action, tende a ajudar a linha ofensiva na proteção a Wilson.

(AP Photo/Elaine Thompson)

Em relação ao jogo corrido, a linha ofensiva, que em Seattle é muito usada para abrir espaços pelo meio do campo para os running backs (os chamados gaps), possivelmente terá que se acostumar a um sistema que utiliza bastante as investidas pelas laterais do campo. Ou talvez seja Waldron (e Dickerson) que se adapte a um estilo de jogo corrido mais focado na força e na abertura de espaços.


Com todas essas novidades, Waldron chega a Seattle cercado de boas expectativas, devido principalmente a seu repertório amplo e que ajuda o quarterback no ganho de tempo e, consequentemente, na tomada de decisão. Se o novo coordenador ofensivo dará certo na equipe comandada pelo vovô Carroll, teremos que aguardar até a temporada para ver.

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