• Pedro Zaniol

Conheça Kevin O’Connell, novo treinador do Vikings

No dia 16 de fevereivo, o Minnesota Vikings anunciou o seu novo treinador, Kevin O’Connell, ex-coordenador ofensivo do Los Angeles Rams. O’Connell tem apenas 37 anos, e será o segundo treinador mais jovem da NFL em 2022, o mais jovem é Sean McVay, seu ex-chefe.


Antes de começar a treinar em 2015, Kevin jogou futebol americano, ele era quarterback, jogou na Universidade de San Diego State de 2004 a 2007. Em 2008, foi draftado pelo New England Patriots na terceira rodada.


Não teve uma grande carreira na NFL, tentou apenas 6 passes em toda ela no seu primeiro ano, em 2008, e por alguns anos rodou vários times tentando entrar no elenco e sendo do pratice squad dessas franquias, passou por Lions, Jets, Dolphins, Jets denovo e Chargers, sem jogar por nenhuma delas. Se aposentou em 2012 com apenas 27 anos.


Jim Rogash/Getty Images

Ao pendurar as chuteiras, O’Connell queria continuar envolvido com a liga, e começou a trabalhar na mídia esportiva, cobrindo os jogos de San Diego State por uma rádio local. Durante esse período, ele começou a estudar para ser treinador, até que recebeu uma oportunidade em 2015.


Em 2015, foi contratado para ser o treinador de quarterbacks do Cleveland Browns, em 2016, foi trabalhar no San Francisco 49ers ajudando o treinador Chip Kelly com o ataque. Em 2017, chegou no Washington Redskins para fazer a mesma função de Cleveland, e foi lá que sua carreira começou a crescer.


Em 2018, além de ser o treinador de quarterbacks, foi promovido a coordenador do jogo aéreo, em 2019, continuou a subir de posição e virou o coordenador ofensivo de Washington. Fez um bom trabalho por lá e chamou a atenção de Sean McVay, que o contratou para ser o coordenador ofensivo do Los Angeles Rams em 2020, ficou nesse cargo por 2 anos, conquistou o último Super Bowl e foi contratado pelo Minnesota Vikings para ser o treinador principal da franquia.


playmakerbrasil.com.br

Como o ataque do Vikings vai jogar com Kevin O’Connell no comando?


Bom, pelas entrevistas que Kevin tem dado até aqui para a mídia, duas coisas são o seu principal foco na chegada, fazer um time equilibrado, e simplificar o ataque para os seus jogadores, visando complicar a vida dos defensores.


Por ter trabalhado 2 anos sob Sean McVay, Kevin tem como influencia o seu ex-chefe, e deve trazer algumas coisas do ataque do Rams para Minnesota.


Uma das principais filosofias de McVay, é usar o jogo corrido para desencadear o ataque, e fazer várias jogadas diferentes com a mesma formação (simplificar para os seus jogadores enquanto complica para os adversários).


O’Connell vai trazer essas características para o Vikings, porém não vai tentar imitar o Rams. Como o elenco e o esquema tático da franquia são diferentes, por conta do pensamento diferente do antigo treinador, Kevin vai buscar um equilíbrio nesse primeiro momento.


A começar pelo jogo corrido, em 2019 e 2020, o Vikings era um dos times que mais corria na NFL, isso mudou em 2021, mas foi mais por necessidade do que por vontade. A mentalidade de Mike Zimmer, ex-treinador do Vikings, sempre foi que o time deveria correr mais com a bola, e junto com uma grande defesa, controlar o relógio e o jogo. Ele era adepto da estratégia “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, ou seja, insistia no jogo corrido, na esperança de conseguir uma jogada explosiva.


Isso aconteceu em 2019 e 2020, foram os dois melhores anos da carreira do running back Dalvin Cook, mas em 2021, o jogador teve problemas com lesão e perdeu 4 jogos, a defesa piorou (foi a 24ª em pontos e 30ª em jardas cedidas) e o time ficava muito atrás do placar.


Estando atrás, o Vikings precisava lançar mais a bola, e com uma ótima dupla de recebedores em Justin Jefferson e Adam Thielem, a estratégia muitas vezes deu certo na recuperação e o time teve vários jogos decididos em menos de uma posse.


startribune.com

Agora a mentalidade é outra, o Vikings vai usar o jogo corrido para estabelecer o jogo aéreo, e o ritmo do quarterback vai ser algo muito importante, com mais passes em 1ª descida e mais lançamentos nos começos do jogo. A porcentagem de passes e corridas deve continuar algo parecido com o ano passado, mais equilibrado, mas as situações em que cada uma delas será utilizada serão diferentes.


Já no jogo aéreo, Kevin O’Connell elogiou muito Kirk Cousins, os dois se conhecem dos tempos de Redskins, onde trabalharam juntos em 2017. Foi o novo treinador que advocou pela renovação de contrato do quarterback, e em entrevistas ele já falou muito bem de Cousins, dizendo que ele é um jogador muito competente e que tem qualidade para fazer uma função parecida com a que Stafford fez em Los Angeles.


Aqui deve ser a maior diferença, desde que chegou em Minnesota em 2018, o jogo de Cousins foi muito predicado no play-action. Não necessariamente ele era o que mais utilizava desse artifício, isso porque como o time corria muito na primeira e segunda descida (onde mais é utilizado o play-action), ele passava mais em terceiras descidas claras de passe, onde o play-action não enganaria a defesa e só dificultaria o lançamento.


O jogo dele era predicado no play-action nas big plays, muitas de suas tentativas de passes longos vinham desse tipo de jogada. Com O’Connell, ele deve tentar mais passes longos sem play-action.


Brett Duke/Associated Press

Outra mudança é no elenco em campo e na movimentação pré-snap. Com Zimmer, como o time corria muito, jogava muito com dois tight ends ou dois running backs em campo, agora o time deve usar mais 3 wide receivers em campo. Na movimentação pré-snap, algo conhecido por ajudar os quarterbacks (McVay usava muito com Goff no Rams), Minessota já usava bastante desse artifício, e Cousins ia muito bem com ele, como o principal objetivo de O’Connell é ajudar o seu ataque, ele deve usar bastante essas movimentações.


Depois de 8 temporadas com um treinador de mentalidade defensiva que gostava de correr muito com a bola, Kevin O’Connell chega no Minnesota Vikings para mudar isso, trazer um ataque mais inovador e potencializar o bom elenco dos Vikings, visando sair desses anos medianos que a franquia tem tido nas últimas temporadas.


Torcedor do Vikings, você gostou da contratação do novo treinador? Quais são suas expectativas para o ataque e o time como um todo para a próxima temporada? Conte para a gente na seção de comentários.

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