• Bernardo Bohm

Conheça Jordan Love, o – possível – próximo QB dos Packers

Acalmem-se, torcedores de Green Bay. Por “próximo QB” não significa que Love será o titular já em 2021. O dono da posição é Aaron Rodgers, e enquanto o camisa 12 permanecer em Wisconsin estará em todos os snaps. Entretanto, não sabemos por quanto tempo mais o MVP do Super Bowl XLV estará no Lambeau Field. A partir disso e do alto preço investido em Jordan Love, selecionado na 1ª rodada do Draft 2020, é certo dizer que ele é o herdeiro de Rodgers. Porém, antes é preciso descobrir quem é esse tal quarterback amoroso - está até mesmo no nome - de quem tanto falam.


A estrada até Green Bay


Photo by Dylan Buell/Getty Images

Filho de Orbin e Anna Love, Jordan Alexander Love nasceu em 2 de novembro de 1998, no município californiano de Bakersfield. Ex-quarterback de futebol americano amador, seu pai sempre foi sua maior inspiração no esporte. Entretanto, um desastre alteraria completamente as vidas de Jordan e de sua família. Orbin cometeu suicídio quando Jordan tinha apenas 14 anos, que decidiu seguir carreira no futebol americano, realizando o sonho frustrado de seu pai.


No ensino médio, Jordan Love cursou a Liberty High School, ainda em Bakersfield. Após se formar, foi para Utah State, onde permaneceu de 2016 a 2019. Não atuou em seu primeiro ano pela universidade, pois estava na modalidade de redshirt, tempo “extra” que certos estudantes recebem para se adequarem aos níveis esperados no time, com ênfase aos treinamentos.


Em 2017, porém, conquistou a posição de quarterback titular da equipe. Com números totais regulares, finalizou a temporada marcando 8 touchdowns aéreos, mas com 6 interceptações. Os Aggies, como os jogadores do time são reconhecidos, terminaram 2017 com um saldo negativo de seis vitórias e sete derrotas. No entanto, o camisa 10 estabeleceu o novo recorde de Utah State de jardas aéreas por um QB em seu primeiro ano, com 1.631.


Apesar disso, a temporada que garantiria Love na 1ª rodada do Draft da NFL ainda estaria por vir. Em 2018, Jordan atuou em todas as 13 partidas da temporada, alcançando a incrível marca de 32 touchdowns e apenas 6 interceptações nesses jogos. Utah State terminaria seu calendário empatada com Boise State na primeira colocação da conferência Mountain West, da FBS, garantindo aos Aggies a presença no New Mexico Bowl, onde enfrentariam – e goleariam – a University of North Texas. Love não só quebrou recordes da universidade em 2018 - como por terminar a temporada com rating perfeito, de 158,3 pontos -, mas também ganhou honrarias da conferência por seus desempenhos. O camisa 10 nascido em Bakersfield ingressava, sem dúvidas, na lista dos melhores QBs universitários do país.


Na temporada de 2019, seus desempenhos e números ficaram abaixo do esperado, mas sob a justificativa de que grande parte de seu elenco de apoio havia saído da equipe, além da mudança do coordenador ofensivo do time. Love finalizou a temporada com 20 touchdowns e 17 interceptações – número preocupante –, com aproveitamento total de sete vitórias e seis derrotas. Com muita força no braço e mobilidade – Jordan totalizou 403 jardas corridas e 9 touchdowns com as pernas em seu tempo de College –, decidiu ir para o Draft 2020 da NFL.


Love, a causa da separação


(AP Photo/Morry Gash)

Após baterem na trave em 2019 e serem derrotados na Final de Conferência da NFC para os 49ers, os Packers – contrariando a opinião de Aaron Rodgers – selecionaram Jordan Love, ainda na 1ª rodada do Draft. O jogador recém-draftado não teve culpa, mas a escolha de Green Bay criou as disputas que se arrastam até hoje entre o camisa 12 e os executivos da franquia, e que podem vir a decretar a saída de Rodgers do time. Isto é, poucos dias antes do evento o QB havia ressaltado a importância de selecionarem um wide receiver no primeiro dia do Draft, o que a franquia não faz desde 2002. Entretanto, o selecionado não foi um wide receiver. Mais que isso, os Packers subiram posições para poder contar com Jordan Love – dando a entender que Aaron não se faria presente por muito mais tempo.


Enfim, Love foi selecionado pelo Green Bay Packers na 26ª escolha geral do Draft 2020 da NFL. Porém, o quarterback campeão do Super Bowl XLV mostrou que ainda era o dono da posição, levando a equipe novamente à Final de Conferência da NFC, desta vez contra os Buccaneers, e vencendo o prêmio de jogador mais valioso da temporada, o MVP. Tudo isso fez os torcedores e funcionários da franquia se questionarem mais ainda sobre a necessidade da escolha por Jordan, pois o camisa 12 deixou claro que ainda estava em altíssimo nível.


Além disso, as dúvidas sobre as reais habilidades de Love crescem a partir do fato de que ele não foi relacionado para nenhuma das partidas da temporada – também não jogou partidas de pré-temporada, pois não foram realizadas em 2020. Por incrível que pareça, até mesmo Tim Boyle foi colocado à sua frente para atuar. Quando perguntados sobre isso em entrevistas, os executivos de Green Bay afirmaram que o novo QB ainda não estava pronto, mas que o viam em grande evolução durante os treinamentos. Então, se ele não estava pronto, não seria melhor esperar mais um ano antes de selecionarem um quarterback no Draft? Eis a pergunta de um milhão de dólares.


Sua hora está chegando


Com as crescentes possibilidades da saída de Aaron Rodgers, Love pode fazer sua estreia no time já como titular. Porém, são muitas as incertezas quanto a sua adaptação à Liga. Há poucos dias, durante as OTAs da franquia, o running back Aaron Jones afirmou que Jordan está muito confiante e bem mais confortável em campo do que antes. Porém, será que esse “confortável” já o credencia para o serviço? Como prospecto de 1ª rodada, obviamente será colocado à prova em algum momento e com expectativas de grandes desempenhos, embora sejam poucos os quarterbacks que as superem logo em suas temporadas de calouro pela NFL. Contando com quarterbacks de nível Hall da Fama há várias décadas, os Packers esperam muito de seus jogadores na posição. Jordan Love pode ser, sim, o futuro da franquia. Entretanto, precisará lidar também com a pressão de uma torcida impaciente, caso comece mal na Liga. Potencial ele tem. Seguimos acompanhando.

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