• Cassio Cassal

Como vai funcionar a remuneração no College

De uma maneira geral, apesar de serem campeonatos de altíssimo nível técnico, estruturas caríssimas nas universidades e treinadores muito bem pagos no college, os atletas seguem um rigorosíssimo padrão de amadorismo. Na verdade, a eles a bolsa de estudo serve unicamente como remuneração para suas atividades esportivas (apesar de que uma bolsa de estudo integral em uma prestigiada universidade norte-americana está longe de ser uma “mercadoria” barata).



Porém, pela primeira vez na história da NCAA está ocorrendo a abertura para uma forma de ganhos financeiros para os atletas/estudantes através de direitos de imagem, em inglês conhecidos pela sigla NIL (Names, images or likeness). Com isso, a partir de agora é permitido aos atletas receber dinheiro (sem nenhum tipo de trava ou teto) através da monetização de suas redes sociais, cursos ou até mesmo através de seus autógrafos, aparições, veiculações de suas imagens, entre outras maneiras de associação de imagem. Alguns atletas já neste início, ganharam dezenas de milhares de dólares em acordos vinculados aos seus direitos de NIL.


Bo Nix, QB de Auburn. Anúncio de uma marca de bebidas/Instagram do atleta

Resumidamente podemos fazer algumas considerações rápidas: os atletas dos esportes universitários passam a ter o direito de ganhar dinheiro através do esporte. As universidades não pagarão os atletas em função disso. Os jogadores poderão ser pagos por inúmeras atividades (desde cobrar por autógrafos e comerciais convencionais até aparições em eventos públicos como festas, lançamentos de produtos e etc). Contudo, ainda é proibido a qualquer atleta ser pago para jogar por uma universidade, mesmo que isto seja de uma forma indireta, mediante um patrocinador específico que venha a pagar um “salário” para o jogador. Ainda, todo o regramento de recrutamento segue mantido, embora possamos entender que um jogador fantástico do high school possa eventualmente escolher dentre um grande número de ofertas de bolsas no College para ele atuar, uma universidade com o um público digamos mais “consumidor” de potenciais produtos que ele represente ou venha representar.


Spencer Rattler, QB de Oklahoma Sooners. Anúncio de sua própria marca de material esportivo/Foto do website da marca

Se por um lado boa parte do público em geral entende que os universitários devam ter direito a ganhar dinheiro considerando-se suas próprias imagens, uma outra boa parcela entende que este tipo de abertura pode arruinar o football universitário. E existem fortes argumentos para algumas pessoas enxergarem negativamente esta mudança. Na opinião de Terence Moore, da revista Forbes, uma onda gigantesca de atletas universitários poderão optar pelas diferentes universidades com base em seus públicos-alvo, potencial lucratividade maior com seus produtos, do que simplesmente vencer na carreira, ter condições de boas apresentações e campanhas. Ainda, há uma discrepância entre Universidades em liberar o uso de suas marcas associadas aos atletas, ou seja, poder liberar aos seus jogadores a utilização de seus logos, símbolos, mascotes ou não. Isto também poderá se tornar motivo para a escolha de carreira para um futuro jogador do College.


Sendo assim, sem dúvidas esta mudança vai modificar vários padrões do chamado amadorismo universitário norte-americano, com um jogo de interesses comerciais começando a participar dos campeonatos da NCAA. Agora, apesar de ser até certo ponto louvável atletas de tão grande performance começarem a lucrar desde o princípio com suas carreiras, é importante considerar até onde estes fatores irão favorecer ou atrapalhar o surgimento de grandes estrelas, principalmente no College Football.

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