• Anna Carolina

Como Pittsburgh Steelers e Buffalo Bills vêm para campo no domingo

Ah, leitor, que alegria dizer: a NFL está de volta! No primeiro horário do domingo, às 14h, o Pittsburgh Steelers vai até a fronteira com o Canadá enfrentar o Buffalo Bills. Dois elencos com nomes badalados e que precisam comprovar seus status quo (tanto para o bem, quanto para o mal), a grande batalha aqui será a defesa de Pittsburgh contra o ataque explosivo de Buffalo.



Josh Allen tem uma missão: bater o Kansas City Chiefs


A temporada passada de Josh Allen foi surreal. Se existisse um prêmio de Most Improved Player (MIP) na NFL, com certeza ele ganharia. Em 2020, o quarterback saiu de 58,8% de passes completos para 69,2% - um salto quase surreal de acontecer. O processamento mental evoluiu, com Allen utilizando melhor seus recebedores e lendo melhor as defesas. A chegada de Stefon Diggs facilitou e muito sua vida, e por mais que tenham parado no Kansas City de Patrick Mahomes na final da AFC, o resultado final para Buffalo foi bastante positivo.


Criador: Joe Robbins. Créditos: Getty Images.

Agora, a missão é uma: bater Mahomes e seus amigos. Peças para isso tem: a linha ofensiva cedeu apenas 27 sacks ano passado e o center Mitch Morse terá ainda mais ajuda este ano, com as chegadas de Daryl Williams e Jon Feliciano na free agency. Dessa forma, Josh Allen está mais do que protegido no pocket, podendo assim trabalhar as jogadas em relativa paz.


O corpo de recebedores continua voando com Stefon Diggs e Cole Beasley (a questão aqui é ver se sua propaganda anti-vacina irá custar caro a ele), agora com o adicional de Emmanuel Sanders. O ex-Saints chega para ser o WR2 de confiança, ótimo em rotas e com pouquíssimos drops. Porém, esse ataque não fica totalmente completo por conta dos tight ends e do jogo terrestre. Dawson Knox não é uma maravilha de tight end e a dupla de running backs, Devin Singletary e Zack Moss, é boa, mas não ao ponto de dominar o jogo terrestre – quem cuida disso ainda é o próprio Josh Allen. Para infernizar este ataque, a defesa dos Steelers vai ter que abusar dos turnovers e dar poucos espaços para o braço de canhão de Allen.


Defesa de Buffalo é boa – por mais que digam o contrário


Quando o seu ataque tem munição de sobra, é comum sua defesa não receber tantos elogios. Isso acontece com o lado defensivo dos Bills: apesar de não terem sido páreos parando Mahomes, a defesa de Buffalo conseguiu dar alguma dor de cabeça ano passado. O problema foi o tamanho curto dela: em 2020, o time pressionou pouco os quarterbacks, com média de 22,4%. Isso é muito pouco para uma equipe que quer chegar ao Super Bowl. Buffalo viu que não adianta mandar blitz para cima de Mahomes, porque ele queima todas, e foi buscar reforço nas trincheiras no draft. Gregory Rousseau impressionou no training camp, o que é uma ótima notícia para os torcedores. Ele é mais atlético do que Jerry Hughes e Mario Addison - os EDGEs veteranos - e certamente vai causar um estrago na partida contra os Steelers, caso for titular.


Criador: Rick Scuteri. Créditos: AP.

O resto da linha defensiva também precisa se provar, de certa forma: Ed Oliver entregou pouco ano passado e A.J. Epenesa teve uma temporada de calouro meia-boca. Os dois tem talento para serem jogadores de impacto no pass rush, assim como Gregory Rousseau: novamente, é algo essencial para encarar Patrick Mahomes de igual para igual.


Tirando isso, a defesa dos Bills tem nomes excelentes: Tre’Davious White é um ótimo cornerback e o pesadelo dos wide receivers adversários, enquanto Tremaine Edmunds é o paredão contra o jogo terrestre. Apesar de Levi Wallace não ser lá um nome muito confiável, a secundária é muito boa. Se o pass rush evoluir também e mostrar logo neste primeiro jogo, Buffalo será fortíssimo candidato ao Super Bowl.


8 ou 80: o ataque de Pittsburgh é uma incógnita


Criador: Philip G. Pavely. Créditos: USA TODAY Sports.

Muito se fala da Last Dance de Aaron Rodgers em Green Bay, mas pouco se lembram que 2021 pode ser a última dança em outra cidade fria dos Estados Unidos. Esta pode ser a última temporada de Ben Roethlisberger em Pittsburgh, mas, diferente da de Rodgers, esta Last Dance é regida pelas dúvidas no ataque.


A primeira – e mais sentida – cai sobre a linha ofensiva. Uma das melhores da liga até dois anos atrás, ela virou pó em 2021: saíram Alejandro Villanueva, David DeCastro, Maurkice Poucey e Matt Feiler, chegou Trai Turner, veterano Pro Bowl. É fato que o grupo estava envelhecido e caiu de produção ano passado, porém ela ainda era eficiente na proteção de Big Ben. Em 2020, a linha ofensiva dos Steelers cedeu apenas 14 sacks e foi a melhor na estatística Adjusted Sacks Rate (a estatística que divide os sacks por jogadas de passe, bloqueios e snaps, por exemplo). Logo, trocar vários Pro-Bowlers e All-Pros por jovem calouros inexperientes pode não ser um bom negócio e pior: trazer mais riscos a Big Ben.


A segunda dúvida está em como esse ataque irá se desenhar. Matt Canada é o novo coordenador ofensivo, trazendo a esperança de mais criatividade no ataque. Em outras palavras: mais play-actions e jogadas fora da caixinha. Najee Harris tem tudo para ser a salvação terrestre em Pittsburgh, que há um bom tempo não tem um running back bom. O corpo de wide receivers é bastante profundo, com Chase Claypool, James Washington e JuJu Smith-Schuster [por mais incapacidade de ser protagonista ele possua]. Este ataque tem tudo para começar a temporada bem: a questão é saber se terá gasolina no tanque nas horas decisivas, coisa que faltou no ano passado.


A terceira e mais cruel incógnita cai sob o comandante desta tropa. Ben Roethlisberger tem 39 anos e já dá sinais de declínio. Ele não é mais aquele QB dos dois Super Bowls e nem mesmo de alguns anos atrás – ele já reconstruiu três ligamentos do cotovelo, vale lembrar. A questão aqui não está nem em como ele se adaptará ao estilo de jogo de Matt Canada: a pré-temporada deu bons sinais sobre isso. O problema é saber se: 1) ele ficará saudável e 2) se não, quem causará menos apocalipse entre Mason Rudolph e Dwayne Haskins. Mesmo que Big Ben consiga jogar em bom nível este ano, a primeira parte da Last Dance pode começar agora.


Defesa é o ponto forte dos Steelers, apesar das perdas


O grande motor do Pittsburgh Steelers continua sendo a defesa, mesmo perdendo peças importantes. A notícia boa é que T.J. Watt renovou e se tornou o jogador de defesa mais bem pago da lista. A má notícia são as perdas: Steven Nelson e Mike Hilton, defensive backs, e claro: Bud Dupree fez as malas e disse adeus. Ele não era o pass rusher principal do time, mas era importante para sacar quarterbacks enquanto as linhas ofensivas deixavam sua atenção em Watt. Sem ele, a responsabilidade cai em cima de Alex Highsmith, segundanista que teve dois sacks ano passado.


Apesar dessa perda, Pittsburgh ainda tem uma defesa de impor medo. T.J. Watt, Cameron Hayward e Stephon Tuitt somaram juntos 30 sacks em 2020: isso é muita coisa. Watt pode concorrer de novo à Defensor do Ano, agora com o contrato renovado. Além disso, Melvin Ingram chegou na free agency – ele já não tem o mesmo gás de antes, mas pode ser o complemento ideal para ajudar Alex Highsmith. O linebacker Devin Bush volta após romper o joelho no início da temporada passada. Se esta defesa irá repetir os feitos de 2020, em especial os da sequência de 11 vitórias consecutivas, ninguém sabe. No entanto, tem boas peças para fazer isso acontecer.


Quem irá vencer


É até estranho colocar os Steelers como zebra nesta aposta, muito por conta do início forte da temporada passada. A defesa tem capacidade de forçar turnovers do ataque de Buffalo, porém o ataque é um grande ponto de interrogação. Big Ben está menos protegido do que ano passado, o que pode facilitar – e muito – a vida da defesa dos Bills. Por conta do elenco e do fator casa, aposto em uma vitória dos Bills. Promessa de jogão no domingo.

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