• Aloisio Junior

Como os Saints tentam confundir os quarterbacks adversários

Com a aposentadoria de Drew Brees, uma eventual queda de rendimento do ataque já era esperada, afinal não é todo dia que se encontra um substituto à altura do futuro Hall of Famer. Com Jameis Winston no comando, ao mesmo tempo que tivemos jogos com mais de 30 pontos no placar, como contra Washington e Green Bay, também tivemos uma partida com apenas 7 pontos contra Carolina. A inconsistência de produção do ataque exigiu que a defesa crescesse e se tornasse o grupo mais forte da equipe.



Com um elenco recheado de bons jogadores em todos os setores, o coordenador defensivo Dennis Allen comanda o segundo time que menos permitiu pontos e o terceiro que menos cedeu jardas aos adversários. Para ter esses números expressivos, a defesa dos Saints se especializa em evitar faltas, parar o ataque terrestre adversário e, sempre que possível, sair de campo após terceiras descidas.


Nesse artigo, vou dissertar sobre as diversas formas que Allen tenta disfarçar as suas intenções nas terceiras descidas, utilizando alinhamento e personnel que busca confundir as leituras dos quarterbacks adversários e tirar a defesa de campo.


Money Down


A terceira descida é uma das situações mais importantes do futebol americano e, não à toa, é chamada de money down, a descida que paga as contas. Pouco importa o sucesso obtido nas primeiras e segundas descidas se a equipe estiver cedendo conversões na terceira. Sair de campo é imperativo nessas situações.


Na temporada atual, New Orleans é a sétima melhor equipe nesse quesito, cedendo conversões em apenas 33,7% das jogadas, segundo a Pro-Football Reference. A defesa também é a melhor equipe dentro da redzone: somente 35,7% das visitas adversárias terminam em touchdown. Esses fatores combinados significam que os Saints forçam punts e field goals em uma frequência maior do que a grande maioria das equipes.


Disfarçando blitzes


Em todas as terceiras descidas para 4 jardas ou mais, a defesa dos Saints coloca pelo menos 5 jogadores na linha de scrimmage. Na jogada abaixo, uma terceira para 7, New Orleans colocou seis jogadores, contudo, somente quatro desses defensores farão parte do pass rush, enquanto que a blitz vem com o safety (22) vindo do slot. Esse é um exemplo claro da multiplicidade de problemas que o alinhamento dos Saints pode apresentar para quarterbacks desavisados.





Para conseguir se safar com essa blitz que vem do lado do ataque com três recebedores, os Saints precisam de velocidade. A primeira opção quando o quarterback identifica a blitz é a rota que sai para a lateral com o WR #14 D.K. Metcalf. O LB #5 Kwon Alexander tem que sair do outro lado do campo para cobrir o recebedor em campo aberto, o que é uma tarefa que poucos defensores são capazes.





Se Geno Smith tivesse mais tempo, talvez pudesse fazer o passe, mas parte da tática é criar pressão imediata. Na maior parte das vezes, o time realiza stunts, defensores trocando de posição ao se cruzarem. Aqui, o LB #56 Demario Davis entra em contato com o RG de Seattle para abrir espaço para o DT #91 Josiah Bronson sair de frente com o quarterback.


Para executar essa jogada incomum, Dennis Allen usa um grupo de jogadores incomum também. Os Saints entraram em campo com três membros de linha defensiva, dois linebackers atléticos, dois cornerbacks e quatro safeties. A versatilidade desse conjunto de atletas permite que ele tenha uma incrível variedade de coberturas a partir das mesmas aparências.


Riscos


A tática, porém, não é isenta de risco, longe disso. Nessa terceira descida para 5, Seattle alinha com três recebedores de um lado do campo em bunch formation. Para responder, a defesa coloca somente três defensores em uma clara indicação de marcação individual.





Após o início da jogada, Geno Smith confirma a cobertura ao ver o safety #22 Chauncey Gardner-Johnson virar as costas e seguir o recebedor. Sem defensores no meio do campo, é só uma questão de encontrar o confronto favorável e lançar em ritmo.


Quarterbacks veteranos podem tirar muito proveito desse tipo de abordagem defensiva. O próximo jogo dos Saints é contra os rivais de divisão Buccaneers. Será interessante ver como Tom Brady vai lidar contra a defesa de New Orleans nessas situações.


Recompensa


Os riscos também podem ser recompensados da melhor maneira possível: turnovers. New Orleans não forçou nenhum erro de Seattle em terceiras descidas, mas chegou muito perto.





Nessa terceira para 10, a defesa novamente coloca vários jogadores na linha de scrimmage enquanto marca no mano a mano. Os Saints vão enviar 5 jogadores atrás do quarterback com dois safeties protegendo em profundidade.


Aqui, Geno Smith toma uma boa decisão, mas erra na execução. O QB acredita que o WR #18 Freddie Swain, o segundo recebedor de cima para baixo, pode vencer no seu confronto, já que vai fazer uma rota para a lateral do campo e o defensor está por dentro. A saída do wide receiver é boa e permite o lançamento, mas a pressão quase imediata impede que Smith coloque a força suficiente no passe que por muito pouco não é interceptado. Jogadas como essa podem mudar a história de uma partida.


Entre as melhores defesas da liga?


Ainda é cedo na temporada para cravar que a defesa dos Saints se manterá entre as melhores da liga. O time conseguiu para os Packers na semana 1, mas, assim como o ataque, também teve ruins contribuições em alguns jogos, especialmente nas derrotas para Panthers e Giants, duas equipes abaixo da média. O desempenho contra os Buccaneers no próximo fim de semana deve ser uma melhor métrica do real valor desse grupo.


De qualquer maneira, independentemente dos resultados, não acredito que a equipe vá fugir de suas raízes. Parar o jogo terrestre, confiar na marcação individual de seus defensores e correr riscos faz parte da identidade da defesa comandada por Dennis Allen em busca de forçar punts e roubar algumas posses de bola. Até o momento, tem dado muito certo; vejamos se conseguem manter o desempenho em alto nível contra candidatos ao título.


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