• Aloisio Junior

Como Kellen Moore tira o melhor do ataque de Dallas

A cada semana que Dallas entra em campo, parece que vemos um ataque em maior harmonia. Dak Prescott e os recebedores estão se entendendo cada vez mais, o jogo terrestre está funcionando e as defesas não tem resposta. Hoje, vamos tentar desvendar alguns dos segredos dos Cowboys.



O ataque aéreo do time teve uma explosão de eficiência. CeeDee Lamb, famoso por sua habilidade vindo do slot, está se destacando como wide receiver isolado de um lado do campo. O tight end Dalton Schultz vem tendo boas performances jogo após jogo. Silenciosamente, Amari Cooper já tem quatro touchdowns em cinco partidas. Até mesmo Cedrick Wilson se tornou parte fundamental do esquema ofensivo.


No jogo terrestre, a dupla entre Ezekiel Elliott e Tony Pollard consegue manter uma consistente produção nas corridas. É impressionante ver a participação dos recebedores nos bloqueios também. A equipe comprou a ideia de ser mais físico do que os adversários; dá pra ver isso no tape.


A mente por trás do time


Grande parte do crédito do sucesso da equipe está nas mãos do coordenador ofensivo Kellen Moore. Ele é uma das novas mentes ofensivas - tem apenas 32 anos - que entraram na liga há pouco tempo e já estão modificando a forma como os ataques operam.


Kellen Moore está nos Cowboys desde 2015, quando ainda era jogador. O ex-quarterback se aposentou em 2017 e, no ano seguinte, já era o técnico de QB’s. Desde 2019, ainda sob comando de Jason Garrett, Moore virou o coordenador ofensivo da equipe.


Atualmente, Moore é o responsável por quase todos os aspectos do ataque. A decisão do Head Coach Mike McCarthy de mantê-lo e dar mais liberdade após a sua chegada vem dando ótimos frutos.


Confundindo os adversários


Existem duas formas tradicionais de montar ataques prolíficos em qualquer nível de futebol americano: ser capaz de fazer inúmeras jogadas a partir da mesma formação ou executar a mesma jogada com formações diferentes. Kellen Moore encontrou uma maneira de misturar as duas filosofias com sucesso.





O nome dessa jogada é Pin and Pull. Contra os Giants, Kellen Moore a chamou em nove ocasiões diferentes. Essa é uma corrida por fora que conta com dois bloqueadores que saem da linha ofensiva, fazendo o chamado pull, para abrir caminho para o running back. O papel do RB #21 Ezekiel Elliott, nesse caso, é seguir os bloqueios e encontrar espaço para avançar.


O papel da linha ofensiva, porém, varia conforme o posicionamento defensivo. Observe o RG #70 Zach Martin: ele não tem nenhum defensor à esquerda dele, sentido contrário da corrida, o que significa que ele deve liderar o caminho. O mesmo vale para o LG #52 Williams Connor. Já os outros defensores irão bloquear o jogador à esquerda; esse é o chamado Pin. Com todos os papéis estabelecidos, temos o Pin and Pull.


Nessa jogada, os Cowboys estão com personnel 12, ou seja, 1 RB e 2 TE’s, para ajudar nos bloqueios. O papel dos dois é essencial para o sucesso da jogada que teve um ganho de seis jardas.





Quando uma jogada está dando certo, Kellen Moore não hesita em repetí-la. Agora, com personnel 11 (1 RB, 1 TE e 3 WR’s), ele usa novamente Pin and Pull. Com um grupo defensivo mais leve em campo para combater os recebedores, é RB #20 Tony Pollard que se aproveita da fragilidade da defesa. Veja como o CB #22 Adoree’ Jackson não é páreo para o bloqueio do LG #52 William Connor. Poucos times conseguem competir com a fisicalidade dos Cowboys.


Criatividade


Em cima do sucesso dessa jogada, Kellen Moore cria pequenas mudanças para garantir que a defesa esteja sempre um passo atrás.








Aqui, Dallas tem um run-pass option associado à corrida. No ângulo de trás, é possível ver que dois jogadores lideram o caminho para o running back, mas Dak Prescott ainda tem a opção de lançar para a slant de CeeDee Lamb dependendo do comportamento da defesa.


Nesse caso, o quarterback está vendo a reação do LB #55 Reggie Ragland: se ele ficar na posição que está, Dak entrega a bola, mas, como veio em direção à corrida, deve fazer o passe. A leitura do quarterback provavelmente não considerava uma blitz do defensor, mas pode ter certeza que, se isso acontecer novamente, Prescott deve entregar a bola. Mérito para o defensor desviando o lançamento que quase foi interceptado.








Contudo, a criatividade de Moore não para por aí. Nessa jogada, o Pin and Pull está ligado a um passe lateral, chamado de screen, que, na verdade, é uma distração para um lançamento em profundidade no meio do campo. Infelizmente, o WR #1 Cedrick Wilson fez um passe curto para CeeDee Lamb que provavelmente faria um touchdown em uma melhor conexão. Independentemente, a chamada foi simplesmente genial!


No ângulo de trás, dá para ver como os defensores ficam alertas quando veem os bloqueadores fazendo o pull e como são pegos desprevenidos com o passe do wide receiver. O sucesso do Pin and Pull durante o jogo inteiro prepararam o terreno para essa chamada.


Golpe fatal


Na liderança do placar por 27 a 13 faltando um pouco menos de 8 minutos para o fim do jogo, Dallas tinha a chance de acabar com as esperanças de New York. Depois de tanto sucesso, Kellen Moore decidiu terminar com a mesma jogada.





Geralmente, as jogadas que terminam uma partida tem uma história que mostra o motivo de seu sucesso. Contudo, poucas vezes temos tantas variações e disfarces em um jogo somente.


O trabalho de Kellen Moore já vem levantando rumores de interesses para vaga de Head Coach em outras equipes. Há quem diga que ele é o favorito para a vaga em Las Vegas. Se existe algum fundamento para as sugestões, não é possível saber, mas o que ele vem fazendo em Dallas pode levar a equipe muito longe.


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