• João Vitor Zotini

Colts fazem draft esquisito, mas seguem a frente na AFC sul

Carson Wentz tem motivos de sobra para estar, no mínimo, com uma pulga atrás da orelha. Os Colts entraram no Draft de 2021 com algumas carências bastante nítidas aos olhos dos analistas e torcedores de futebol americano. Havia necessidade nas trincheiras, seja na linha defensiva, que carecia de pass rushers, ou na linha ofensiva que precisava, desesperadamente, de um left tackle para proteger o lado cego de Wentz. O importante era que a franquia selecionasse armas que pudessem dar suporte a seu novo QB, na recuperação de sua confiança.


O DE Kwity Paye. Criador: Paul Sancya. Créditos: Associated Press. All rights reserved.

Em suas duas primeiras escolhas, Indianapolis reforçou o mesmo setor: a linha defensiva. Com a chegada dos DE Kwity Paye (Michigan) e Dayo Odeyingbo (Vanderbilt), os Colts endereçaram uma de suas principais necessidades. O time foi um dos que menos pressionou o QB adversário na temporada passada. Além disso, Justin Houston é free agent e ainda não renovou com a equipe.


Quanto as escolhas, Paye foi um acerto seguro. Extremamente atlético, é capaz de jogar nos dois lados da linha defensiva. As grandes questões, porém, são a sua produção – Paye teve média de 2,5 sacks em 2020, um número baixíssimo para um DE – e suas limitações como pass rusher. Nada que um bom preparo e lapidação não resolva. O mesmo vale para Odeyingbo, apesar da sua média de sacks ser maior do que a de Paye: 3,5 em 2020. Porém, a maior preocupação é também com Odeyingbo: o jogador rompeu o tendão de Aquiles em janeiro deste ano, logo não deve estar disponível para a próxima temporada. Os Colts não deram uma previsão para seu retorno aos gramados.


O DE Dayo Odeyingbo. Criador: Hunter Long. Créditos: Vanderbilt Hustler. All rights reserved.

Com sua terceira escolha (127), os Colts selecionaram o tight end Kylen Granson (SMU), prospecto que precisará ser bastante lapidado pela comissão técnica dos Colts. Para muitos, inclusive, foi uma escolha precoce. Na escolha 167, a franquia escolheu o safety da Universidade da Flórida, Shawn Davis, e com isso espera dar mais corpo a sua secundária, diminuindo o número de jardas concedidas em profundidade.



Nas escolhas restantes, o time de Indianapolis não agradou muito a sua torcida. Na 218 selecionou Sam Ehlinger, QB do Texas. Algo que não faz nenhum sentido, já que Jacob Eason é um ótimo back-up para Carson Wentz. Mais tarde, escolheriam ainda Mike Stracham (WR) e Will Fries (Guard). São duas escolhas problemáticas, também por terem opções melhores dentro do próprio elenco.


Wide receiver era sim uma necessidade da franquia, mas por que endereçá-la somente na última rodada do draft? A linha ofensiva também era uma das carências dos Colts, mas era evidente que a posição mais carente era a de left tackle. É por isso que, ainda que tenham sido supridas algumas necessidades, os Colts não conseguiram fazer um bom draft. O mais prejudicado talvez tenha sido Carson Wentz, que não recebeu nenhuma arma muito relevante e, ainda por cima, não tem a menor ideia de quem protegerá seu lado cego. A chegada de Eric Fisher, ex-Kansas City, na free agency pode lhe dar uma esperança. Porém, Fisher ainda se recupera de uma lesão no tendão de Aquiles, e não deve estar pronto para jogar na semana 1. Até lá, Julién Davenport e Sam Tevi, também recém-chegados na free agency, devem disputar a titularidade – mas nenhum deles possuem o mesmo nível de talento de Eric Fisher.


Criador: Tom Pennington. Créditos: Getty Images. All rights reserved.

Como se viu em sua passagem pelos Eagles, Carson Wentz teve problemas quando protegido por uma linha ofensiva frágil. Apesar da linha dos Colts ser superior à de Philadelphia, deveria ter sido reforçada no draft. Com algumas escolhas estranhas, é possível dizer que o trabalho feito pelo GM Chris Ballard foi ok, nada além do que isso.


NOTA: 5,5

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