• Vinicius Soares

Cole Beasley se pronuncia sobre a vacina da COVID-19

Polêmica na NFL! O wide receiver do Buffalo Bills, Cole Beasley, utilizou seu perfil no twitter para expressar sua opinião quanto aos novos protocolos da Liga para jogadores totalmente vacinados contra COVID-19 e a forma como NFLPA está lidando com este assunto, além de afirmar de maneira definitiva que não irá se vacinar.


BuffaLowDown

As declarações de Cole foram fortes, tanto para se defender dos ataques que sofreu após sua decisão de não se vacinar ter se tornado pública, como em suas críticas as mudanças no protocolo de prevenção da NFL. Confira um trecho abaixo:


“Sou Cole Beasley e não tomei a vacina! Continuarei indo a lugares públicos como sempre fiz e se você tem medo de mim, pode ficar longe ou tomar a vacina. Simples. Posso morrer de COVID-19, mas prefiro morrer vivendo! Eu não jogo pelo dinheiro, até porque minha família já tem o suficiente para viver, se quiserem me multar, que seja. Meu jeito de viver e meus valores são mais importantes do que um dólar. Amo meu colegas de equipe e jogo futebol americano porque gosto e nele todos os problemas ficam de fora. Só quero ganhar um Super Bowl e aproveitar todas as amizades que construí ao longo da minha jornada”.

Na sequência ele comparou a vacinação a uma fratura na perna como forma de justificativa para não recebê-la, veja:


“Não vou tomar remédio para uma perna que não quebrei. Prefiro me arriscar com a COVID-19 e ganhar imunidade desta forma, me alimentar melhor, beber água, praticar exercícios físicos e fazer o que eu achar necessário para me manter saudável. Vou jogar de graça esse ano para viver a vida como sempre vivi, desde o primeiro dia. Se eu for forçado a me aposentar, que assim seja. Muitos outros jogadores da NFL têm a mesma opinião que a minha, mas não estão na posição de falar tão abertamente sobre isso. Eu lhes entendo e espero estar os representando da melhor forma possível”.


A reação de Beasley via twitter veio horas após a NFL anunciar uma nova política com relação aos protocolos para os jogadores totalmente vacinados contra COVID-19. Segundo o que ele afirmou em um tweet posterior ao traduzido acima, a NFLPA fez um contato com ele após suas reclamações contra as novas diretrizes da Liga:


“Agora conversamos e estamos trabalhando nisso. Pelo que me disseram essas são as diretrizes para a pré-temporada, não é nada definitivo”.

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As tais mudanças que incomodaram Beasley são facilidades oferecidas aos jogadores vacinados como a desobrigação de testes diários, a não necessidade de quarentena em caso de exposição ao vírus, a liberação das restrições de viagem, a permissão para deixar as instalações do clube sem autorização da Liga, a concessão do uso das saunas/banhos turcos e salas de musculação sem limite de pessoas, a liberação do uso de máscaras nas instalações da franquia e durante as viagens e a possibilidade de interagir com amigos e familiares vacinados durante as viagens da equipe. Enquanto isso, os jogadores não vacinados ainda tem de seguir a rotina diária de testes, usar máscara, não podem deixar o hotel para interagir com qualquer pessoa fora do grupo que está viajando e tampouco podem utilizar as saunas e só podem frequentar as salas de musculação respeitando as regras de distanciamento social. Além desses fatos, segundo relatos de um relatório do The Athletic, um dos pontos chaves de discordância é o fato dos jogadores vacinados não precisarem realizar quarentena após uma exposição de alto risco a COVID-19 ao passo que os atletas não vacinados precisaram passar por esse processo.


Esse contraste foi alvo das críticas de Beasley, que não se esquivou de direcionar palavras duras diretamente a NFL e NFLPA:


“Isso é loucura. Nós votamos nisso? Eu fico no hotel, ainda temos reuniões, estaremos todos juntos. Mas aí os jogadores vacinados podem sair do hotel e trazer o coronavírus de volta para onde eu estou. Então me diga o que importa se eu ficar no hotel? A vacina tem 100% de imunização? Nós sabemos que não. A associação de jogadores é uma piada, chame de algo diferente, porque ela não é para os jogadores. Todo mundo diz 98% das pessoas vacinadas não contraem o vírus novamente, mas assim, as chances de entrar na NFL e jogar por 10 anos são mais baixas que isso e eu estou aqui”.

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Lembrando que apesar deste posicionamento de Beasley ter sido chocante para muitos, não foi a primeira vez que ele se manifestou com opiniões peculiares sobre o assunto, já que em maio ele disse que não utilizava máscara ao ar livre, confira:


“Eu faço isso sem ser vacinado [andar sem máscara ao ar livre]. Isso é ilegal agora? Eu faço o teste todos os dias para a COVID-19 e tenho resultados negativos, mas ainda assim preciso manter distância das pessoas vacinadas, sendo que teoricamente, elas não podem passar o vírus para mais não ninguém. Como isso faz sentido para você?”.

A vacinação na NFL tem sido um tema controverso ao redor da Liga, embora nenhum jogador tenha se manifestado tão abertamente contra o procedimento como Cole Beasley, já vimos outros nomes como os quarterbacks Josh Allen e Lamar Jackson afirmar que ainda estavam pensando acerca do que era a melhor decisão para seus interesses.


A ciência está do lado da vacina, e segundo pesquisadores dos Estados Unidos, como Timothy Caulfield diretor de pesquisa e professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta, as regras da NFL fazem 100% de sentido, seguem a ciência e são boas para o esporte. Com cerca de 53.7% dos cidadãos americanos tendo recebido pelo menos uma dose da vacina e 45.2% totalmente vacinados – segundo dados da Our World in Data –, além de estarmos cada vez mais perto do início da temporada regular da NFL, a decisão de receber ou não a vacina deve ser um assunto quente na sociedade como um todo e entre os jogadores da Liga nas próximas semanas.


Segundo os dados oficiais, a vacinação já teve momentos mais positivos no território norte americano, como em meados de abril, época na qual 3.3 milhões de doses eram aplicadas por dia. Hoje o cenário flerta com estagnação e segundo diversos estudos e pesquisas o problema se inverteu se no início sobravam interessados e faltavam doses, agora sobram vacinas e faltam braços para recebê-las. Por mais que a opinião de Beasley pareça absurda e egoísta ela é compartilhada por muitas pessoas, nisso ele não está mentindo, vemos isso tanto aqui no Brasil, onde os relatos de resistência vacina estampam os noticiários diariamente, como nos Estados Unidos onde a realidade da vacinação é diferente, porem a desinformação também apresenta perigo.


BuffaLowDown

Jogadores da NFL são exemplos e motivos de inspiração para muitas pessoas e vê-los defender uma opção como essa é complicado no momento em que vivemos, mas dentro de um estado democrático de direito eles apenas estão exercendo algo que lhes é concedido por lei. O importante na atual conjuntura de pandemia que vivemos em nível global é a informação, antes de qualquer formulação de opinião é necessário ter embasamento científico e estatístico para fazê-lo. Estude, tome nota daquilo que você lê ou escuta nas redes sociais e televisão, ciência é construída com pesquisa e estudos são feitos a partir de métodos científicos que requerem experimentação e confirmação, então nada do que é posto em prática não foi devidamente averiguado e testado previamente. A opinião de todos merece ser respeitada, isso é um princípio da vida em sociedade saudável, mas peço que todos se lembrem, vacinas salvam vidas e não o contrário. Espero que a NFL e seus atletas possam ser um exemplo para as milhões de pessoas que são fãs e acompanham o esporte ao redor do mundo.

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