• Vinicius Soares

Chegou a hora de Bill Belichick voltar ao topo da NFL

Após uma temporada pra lá de atípica, onde seu time ficou fora dos playoffs pela 1ª vez depois de 11 temporadas consecutivas vencendo a AFC East, Bill Belichick precisa brilhar na offseason de 2021, e até o momento é exatamente o que o lendário comandante do New England Patriots fez.


Créditos: Mark J. Rebilas-USA TODAY Sports

Bill Belichick sempre foi conhecido por pensar fora da caixa. Ele possui uma inteligência capaz de traçar linhas de raciocínio que não passam pelas mentes de outros técnicos da NFL, ou até mesmo parecem loucura aos olhos de quem enxerga de fora, como por exemplo seu plano de jogo no Super Bowl XXV. Naquele jogo, ele era coordenador defensivo do New York Giants e montou um plano onde colocou mais defensive backs em campo, “enfraquecendo” a contenção terrestre da equipe, ou seja, ele praticamente convidou Thurman Thomas a correr com a bola, sendo que ele era o MVP daquela temporada! O que ninguém percebeu, nem mesmo Marv Levy, HC dos Bills é que isso quebrou a K-Gun Offense de Jim Kelly, com seu jogo de passes rápidos e ataque ritmado. Sem um ritmo de jogo estabelecido, NY segurou o potente ataque dos Bills a 19 pontos e venceu o Super Bowl. Esse plano de jogo de Belichick está no Hall da Fama do Futebol Americano. Se avançamos para sua fase de HC dos Pats, no 1º título de Super Bowl em Nova Inglaterra, ele deu a Brady, uma escolha de 6º rodada, com menos de 20 jogos como titular na carreira, a chance de conduzir um drive para virar a partida, restando 1:30 no relógio, sem tempos para pedir. Arrisco dizer que a maioria dos técnicos teria ajoelhado e ido para a prorrogação. Enfim, os exemplos da ousadia e genialidade de Bill Belichick são vastos, porém, nos últimos anos, esse mesmo espírito foi um dos motivos que ocasionou a escassez de talento em Foxboro.


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Historicamente, na gestão de Belichick como GM e HC dos Pats, a franquia gasta muito pouco na Free Agency, e jamais pagava valores exorbitantes a jogadores, seja para trazê-los ao time ou para manter os bons nomes que ali estavam. Dessa forma, a torcida passou por despedidas de nomes como Chandler Jones e Malcolm Butler – nos últimos tempos – e em anos mais distantes de Ty Law e Richard Seymour. A Free Agency funcionava apenas como uma oportunidade de reforços pontuais, como foi Darrelle Revis na campanha do título de 2014 ou Martellus Bennett na corrida pelo Super Bowl LI, em 2016. Ambos vieram por um valor abaixo do mercado. Outra faceta da gestão de Belichick sempre foi fazer apostas baratas desenvolvendo atletas de pouco impacto em outras equipes, como Kyle Van Noy e Danny Amendola. O sistema vencedor implantado no Gillette Stadium parecia capaz de florescer e desenvolver qualquer nome que chegasse à equipe.


No Draft não era diferente, as escolhas de 2º ou 3º dia chegavam ao time e tinham grande impacto como Trey Flowers, Shaq Mason e Joe Thuney, que chegou a ser All Pro. Se voltarmos a década passada, nomes como Asante Samuel e Deion Branch foram escolhas tardias. O método parecia infalível e sua parceria com Tom Brady imbatível, com o Império de Foxboro, em alusão a Star Wars, empilhando canecos de uma forma jamais vista na história da NFL.


Créditos: Adam Glanzman/Getty Images

Entretanto, de 2017 para cá, parece que a “sorte” de Bill Belichick começou a mudar. Apostas tardias de draft como Derrick Rivers, Braxton Berrios e cia não se desenvolveram na equipe, e escolhas mais altas como Duke Dawson, Joejuan Williams, Sony Michel e principalmente, N’Keal Harry, não se pagaram. Eu sei que Michel foi vital nos playoffs de 2019, mas é muito pouco para uma escolha de 1ª rodada. Estes 3 anos de drafts questionáveis entre 2017 e 19, combinado com a austeridade financeira foram enfraquecendo o elenco patriota. A facada final veio na última offseason, quando Tom Brady decidiu deixar New England após 20 anos, e para piorar, o draft de 2020 de Belichick manteve sua postura de apostar e fazer trade downs. O resultado disso foi visto em campo na temporada de 2020, um elenco frágil, que sem seu Franchise QB penou para vencer 7 jogos, e não fosse a genialidade de Bill como Head Coach, arrancando boas vitórias contra Ravens e Dolphins, por exemplo, os Pats teriam tido uma campanha pior ainda.


Parece que este ano de derrotas era o que faltava para Bill Belichick sacar que era hora de mudar sua mentalidade, foi quase como no filme John Wick, quando matam seu cachorro e o assassino sangue frio adormecido em seu interior é despertado. A temporada negativa dos Pats trouxe Belichick de volta ao jogo! O GM e HC dos Patriots atacou ferozmente na Free Agency de 2021 reforçando com bastante qualidade setores deficientes do time, e detalhe, ele não teve receio em abrir a carteira nas contratações. O quase inexistente grupo de Tight Ends da equipe agora concorre para ser um dos melhores da NFL com Hunter Henry e Jonnu Smith. Concordo se você disser que as contratações foram overpays, porém o talento da dupla é inegável, e se por um lado ele pagou bastante aqui, conseguiu um belo negócio na contratação de Matt Judon, que veio por um salário abaixo do mercado para sua posição e deve ser um belo upgrade no grupo de pass rushers da equipe. O frágil grupo de WR’s também recebeu profundidade com as chegadas de Nelson Agholor e Kendrick Bourne, assim como outras posições como CB e DL.


Créditos: https://patriotswire.usatoday.com/wp-content/uploads/sites/71/2018/06/gettyimages-633942976.jpg?w=1000&h=600&crop=1

Se na Free Agency já tínhamos visto um bom trabalho, Tio Bill mostrou que havia guardado o melhor para o Draft! Arrisco dizer que nenhuma equipe conseguiu melhor valor em suas escolhas do que New England. Diferente de sua postura apostadora dos últimos anos, Belichick foi mais conservador no recrutamento de 2021 e isso se provou uma decisão muito acertada, pois o time ficou observando o fluxo de escolhas enquanto estava estacionado na 15ª escolha. E foi ali mesmo, no meio da 1ª rodada, sem gastar qualquer capital extra de escolhas que o time selecionou seu novo candidato a Franchise QB, Mac Jones, vindo de Alabama, no que foi uma bela escolha, pois o jogador estava projetado para sair no top 10, mas a paciência do GM foi recompensada. Na 2ª rodada os Pats conseguiram o melhor iDL da classe, que precisa corrigir alguns problemas é verdade, mas tem um teto altíssimo e casa exatamente com uma necessidade do time, um jogador de interior de linha defensiva capaz de conter o jogo terrestre e atuar no pass rush. Na 3ª rodada, o time conseguiu o EDGE Ronnie Perkins, que é ótimo contra o jogo terrestre e foi uma máquina de Tackles para perda de jardas na última temporada do College Football, e tem espaço para melhorar no apressamento de passe.


Créditos: Gregory Shamus/Getty Images

Da 4ª à 7ª rodada Belichick mostrou que não perdeu seu jeito de apostador e fez boas apostas que podem trazer frutos a equipe como o RB Rhamondre Stevenson e o WR Ter Nixon. A questão aqui é, Belichick precisou de apenas 1 ano abaixo da média para perceber que uma mudança era necessária, e com certeza os Pats serão melhores esse ano, mesmo que Newton comece como titular na semana 1, pois a mentalidade mudou e com isso o elenco está mais qualificado para 2021. Ser um vencedor na NFL não é só sobre vencer jogos, mas sim sobre saber os caminhos que levam a vitória e nisso ninguém é melhor que Belichick. Ele venceu Super Bowl’s apostando nas defesa, venceu outros apostando em um forte jogo terrestre, outros com um ataque aéreo fortíssimo comandando por Brady entre outros exemplos e neste ano, Bill mostrou que está de volta ao jogo, porque ele sabe se adaptar ao que o jogo está lhe pedindo. Se os Patriots irão ter uma temporada vencedora neste ano eu ainda não sei, mas o primeiro passo na direção da vitória Belichick já deu, pois ele mostrou desejo de vencer.

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