• Anna Carolina

Carson Wentz e Colts: perto do fim?

A offseason mal começou, mas promete ser movimentada. Algo que promete ser uma das grandes narrativas deste período é a situação de Carson Wentz no Indianapolis Colts. Se em julho do ano passado ele era a esperança para a posição de quarterback, pelo menos por um período pequeno, hoje ele é a certeza de que não é o futuro dos Colts. O ano-novo da NFL começa no dia 16 de março e, até lá, o futuro de Wentz na franquia continua em xeque.



Um cavalo de Troia em Indianapolis


Em julho de 2021, a troca blockbuster entre Colts e Eagles parecia ter sido justa para ambos. O primeiro time recebia um quarterback após a aposentadoria de Philip Rivers, enquanto o segundo ganharia uma escolha de terceira rodada em 2021 e outra condicional no draft seguinte. Esta última, primeiramente de segunda rodada, poderia se transformar em uma de first round caso Wentz jogasse 75% dos snaps na temporada ou 70% dos snaps, caso os Colts fossem aos playoffs. O cenário que todos os torcedores esperavam era que os Eagles conseguissem a pick condicional e os Colts fossem aos playoffs, além de terem um quarterback minimamente confiável.



Corta para fevereiro de 2022. Philadelphia tem três escolhas de primeira rodada no próximo draft e mesmo com as deficiências, chegou à pós-temporada. Já Indianapolis, com um elenco melhor no papel que o dos Eagles, não conseguiu nem chegar aos playoffs, muito menos ter seu QB para confiar.


AP Photo/Phelan M. Ebenhack

Antes de apontar o que deu errado, é preciso lembrar que havia esperança na época da troca. Mesmo vindo de um 2020 tenebroso, Wentz recebeu uma segunda chance para trabalhar com Frank Reich. A linha ofensiva e os recebedores eram bem melhores do que ele tinha na Filadélfia, logo era justo acreditar que poderia sair algo bom. Olhando em um aspecto geral, o 2021 de Carson Wentz não foi dos piores: 62,4% de passes completos, 17 touchdowns, 7 interceptações (diferente das 15 do ano anterior), rating de 54.7... Números ok, se não fosse o fatídico jogo da semana 18 contra os Jaguars.


O jogo que valia a classificação para os playoffs se transformou num pesadelo para o torcedor dos Colts. Carson Wentz jogou sua pior partida na temporada: seu rating no dia foi de 4.3, quase 20 pontos a menos que qualquer outra estatística dele no ano. Além disso, outro dado que não o ajuda é que seus dois piores jogos, estatisticamente falando, foram contra os mesmos Jaguars, na semana 10. Neste jogo, Indianapolis ficou com a vitória, porém no último jogo da temporada – e o que valia mais -, o time esfarelou, muito por conta de seu quarterback.


Segundo Zak Keefer, insider do The Athletic, o dono dos Colts, Jim Irsay, ficou furioso durante e depois do jogo, além de fazer uma reunião a portas fechadas com Reich e Chris Ballard, general manager da equipe. De acordo com Keefer, o assunto principal foi Carson Wentz. Nos dias que seguiram esta reunião, todos os envolvidos prometeram que o time avaliaria todas as opções disponíveis. Isso se interliga a uma recente declaração de Ballard. Quando questionado por jornalistas sobre o futuro de Wentz, o GM respondeu: “Todo ano, você precisa avaliar a posição – tanto os free agents quanto o draft. Nós fazemos isso todo ano com nossos olheiros e com nossos treinadores”.


Reprodução: USA TODAY Sports

Qual será o futuro de Wentz?


Que Carson Wentz não é o quarterback para longo prazo, isso já se sabe. Os Colts planejaram mantê-lo por alguns poucos anos no objetivo de preparar a transição para um nome mais forte, seja via free agency ou draft. A questão, tanto levantada por Keefer como também por outros jornalistas da NFL, é que os Colts foram forçados a encurtar essa transição por conta do 2021 de Wentz. A situação ficou dramática em Indianapolis – e para esta próxima temporada, as opções para conserta-la não são muito animadoras para o torcedor.


Para 2022, o time tem aproximadamente 35 milhões de dólares de cap space. Dinheiro não falta: a questão é que Chris Ballard não costuma gastar muito. No entanto, ele terá que tirar o escorpião do bolso nesta inter-temporada, pois terá que renovar o contrato de Quenton Nelson. Além disso, o time precisa investir nas posições deficientes: wide receiver e tight end são exemplos. Seja via free agency ou draft, os Colts terão que se reforçar nessas posições. Isso sem falar, lógico, no contrato de Carson Wentz.


O QB deve receber neste ano $22 milhões de salário base aproximados. 15 milhões dele já estão garantidos e, juntando com o roster bonus, deve somar mais de 28 milhões de dólares. Vale lembrar, porém, que este é o valor que Indianapolis deve paga-lo se manter Wentz no elenco. A diferença é que o dinheiro garantido passa de 15 para 21 milhões de dólares. Caso a franquia o corte antes do dia 19 de março (três dias depois do início do ano na NFL), os Colts ficarão com dead cap de $15 mihões, salvando 13 milhões. Isso não seria um problema se os Colts trocarem o quarterback: times necessitados não faltam, a dúvida é se terá alguém interessado em Carson Wentz, em especial depois da fatídica semana 18.


Robert Scheer/IndyStar/USA TODAY Network

Outro ponto é que a classe de quarterbacks desse draft não é estrelada como a do ano passado, sem contar que os prováveis nomes na free agency – Jameis Winston, Teddy Bridgewater, Andy Dalton e assim vai – não são um upgrade na posição. E aqueles que estão “disponíveis” para troca custarão picks altas, algo que os Colts não possuem este ano. Times como Seahawks, por exemplo, não trocariam Russell Wilson por escolhas baixas de draft. Além disso, dos quarterbacks disponíveis para troca, o de menor salário é Derek Carr: com $20 milhões e um ano de contrato restante. Porém, os Raiders parecem cada vez mais distantes de colocá-lo para troca – o que complica a vida dos Colts.


Existem mais motivos para se livrar de Carson Wentz em 2022 do que motivos para o manter. Porém, as opções no mercado são caras demais e o time precisa reforçar outras posições. As opções no draft também parecem não agradar a Jim Irsay, Chris Ballard e companhia. O cenário mais provável é que Wentz siga para este ano (com todos os problemas) e em 2023 a conversa mude de rumo, já que não haverá dinheiro garantido. A próxima temporada sequer começou, mas o torcedor dos Colts já está com dor de cabeça.

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