• Anna Carolina

Brian Flores: “Tua é o nosso quarterback”

Apesar dos rumores envolvendo o time e uma possível troca por Deshaun Watson, o técnico do Miami Dolphins, Brian Flores, enfatizou na quarta-feira [01/09] que Tua Tagovailoa é o titular da franquia. De acordo com o jornalista Barry Jackson, do Miami Herald, Flores respondeu sem qualquer tipo de dúvida sobre quem é o QB1 na Flórida.



“Tua é o nosso quarterback”, afirmou Flores. “Ele teve um ótimo training camp, com vários progressos, melhorou muito. Nós estamos satisfeitos com a posição que ele está. Não sei quantas vezes terei que dizer isso mais, porém ele é nosso quarterback”.

Quando questionado sobre, o próprio Tua Tagovailoa agradeceu ao técnico por defende-lo e dar suporte a ele.


“Acredito que vale muito ouvir isso do seu técnico”, disse Tagovailoa aos repórteres. “O suporte que tenho dele e do time, isso significa muito para mim. Mas, sendo honesto, eu estou literalmente focado em tentar deixar os caras prontos para a semana que vem”.

Criador: Jasen Vinlove. Créditos: USA TODAY Sports.

Os rumores envolvendo Dolphins e Deshaun Watson estão pipocando desde o início do training camp. Em julho, os insiders da NFL Network, Ian Rapoport e Tom Pelissero, reportaram que o Houston Texans estaria ouvindo propostas por seu QB. Isso foi confirmado na última segunda-feira [30/08] pela Sports Illustrated, onde segundo a revista, Miami e Houston conversaram na última semana, porém a franquia do Texas não se interessou por nenhuma proposta que lhe ofereceram.


Porém, a história ganhou mais capítulos quando o repórter Mike Florio, do Pro Football Talk, noticiou que o dono do Miami Dolphins, Stephen Ross, estava “realmente interessado” em Deshaun Watson. O pacote que seria enviado aos Texans seria Tua, três escolhas de primeira rodada e um par de picks de segunda rodada, em troca de Watson. Segundo o insider, Stephen Ross já cobiçava ter Deshaun Watson há um longo tempo, e que agora, com o QB disponível, ele quer pega-lo.


Contudo, isso teria assustado tanto o general manager, Chris Grier, quanto a comissão técnica. Logo em seguida à notícia de Florio, o insider da ESPN americana, Jeff Darlington, refutou as especulações sobre Stephen Ross, afirmando que o dono dos Dolphins está permitindo que Grier e Flores tomem as decisões necessárias no roster.



Pensar em troca agora é um desrespeito: com Tua, com a equipe e ao torcedor


Em 2019, a frase mais recorrente no Hard Rock Stadium era o “Tank for Tua”. Era quase um mantra da torcida, lidando com o time tenebroso [não há outra palavra para descrever aquele Dolphins de 2019] para sonhar com o então quarterback de Alabama. Embora Tua tivesse sofrido com uma séria lesão no quadril na sua última temporada do college, Miami não desistiu do sonho e o draftou na quinta escolha de 2020.


Que a temporada de calouro ano passado não foi aquilo que todos esperavam, isso é verdade. Ele teve seus tropeços em 2020, porém o fator externo atrapalhou mais do que seus erros próprios. Fatores como Justin Herbert virando Calouro Ofensivo do Ano, Chan Gailey fazendo um péssimo trabalho como coordenador ofensivo e as constantes substituições por Ryan Fitzpatrick, no intuito de segurar resultados, influenciaram bastante para que Tua Tagovailoa chegasse em 2021 contestado – um exagero, sinceramente.


Criador: Allen Eyestone. Créditos: Imagn Content Services, LLC.

Existem inúmeros fatores que poderiam ser listados para defender essa troca. O primeiro seria as várias escolhas de draft que Miami possui para os próximos anos. Só em 2023, o time tem duas picks de primeira rodada, resultado da troca com San Francisco este ano. Com a escolha no draft de 2022, a franquia poderia subir para o top 5 e pegar um quarterback. Porém, este plano B somente acontecerá caso o projeto Tua der errado este ano. Não há como saber o futuro, é claro, mas o que se viu do QB ano passado e no training camp deste ano, é que ele está longe de ser um bust.


O segundo fator envolve Deshaun Watson em si. Diferente de Tua, ele já é um quarterback consolidado na liga: indicado ao último Pro Bowl, sempre listado como um dos melhores na posição etc. No entanto, toda a solidez que ele pode entregar em campo evapora quando se trata do extracampo. Deshaun Watson é alvo de 22 acusações formais de assédio e má conduta sexual e mais 10 queixas criminais dos mesmos crimes. No mês passado, uma matéria do The Athletic reportou que Watson se encontrou com investigadores do FBI. Por conta de seu caráter sigiloso, o órgão não confirmou se há ou não um inquérito sobre o QB do Houston Texans. Sem contar com a investigação que a própria NFL está conduzindo e o fato de Watson precisar estar à disposição da justiça americana. A previsão é que Deshaun Watson seja ouvido na corte civil em meados de março de 2022 – ou seja, até lá, o futuro dele é uma incógnita maior do que o sucesso ou não de Tua Tagovailoa na liga.


O terceiro e mais importante fator é o próprio Miami Dolphins. Sem ir aos playoffs desde 2016, a diretoria do time é bastante enfática em seu objetivo: voltar ao Super Bowl o mais rápido possível. A última vez que os Dolphins chegaram à final foi em 1984, no segundo ano de Dan Marino, quando perderam para os 49ers. É um objetivo alto, mas compreensível: afinal, a seca dura mais de 30 anos. Porém, abdicar de um projeto que pode te render frutos a médio-longo prazo por desespero e impaciência pode virar um tiro no pé. Mesmo com Deshaun Watson ou outro QB de elite, Miami não tem elenco hoje para brigar nem para final de conferência. É um time ainda em reconstrução, porém nas fases finais. E tudo passa pelo seu jovem quarterback, que vem mostrando sinais de melhora. Abrir mão de Tua a esta altura do campeonato seria um desrespeito não apenas a ele, como ao time e ao torcedor.

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