• Anna Carolina

Brian Flores não é mais técnico do Miami Dolphins

O fim da temporada regular trouxe junto consigo uma enxurrada de demissões. Matt Nagy fora do Chicago Bears, Mike Zimmer fora do Minnesota Vikings... Porém, uma demissão que chocou muita gente e está dividindo opiniões foi a de Brian Flores, então treinador do Miami Dolphins. O ex-head coach foi demitido na última segunda-feira, dia 10/01.



A demissão foi confirmada pelos principais jornalistas que cobrem a NFL. De acordo com Adam Schefter, insider da ESPN americana, é esperado que Flores seja o principal nome livre no mercado, junto com Vic Fangio, ex-treinador do Denver Broncos que foi demitido no último domingo [10/01].



A notícia causou muita polêmica assim que foi confirmada. Como head coach de Miami, Brian Flores teve campanha geral de 24-25. Para muitos, o choque se deu pelo fato de seu trabalho estar rodeado de bastante otimismo ainda. Flores teve um bom trabalho no seu primeiro ano, apesar do foco no “Tank for Tua”. Em 2020, os Dolphins quase chegaram aos playoffs, mas bateram na trave. 2021 foi um ano mais conturbado: após um péssimo início de temporada, com campanha 1-7, e Flores entrando no hot seat, a equipe conseguiu uma sequência de 8 vitórias consecutivas e terminar o ano com 9-8. Apesar de novamente não chegar na pós-temporada, o balanço geral parecia positivo e que Flores permaneceria no cargo. Não foi o que aconteceu no dia seguinte, no entanto.


Michael Reaves/Getty Images

Quais seriam os fatores que levaram a demissão?


Não é exagero dizer que a demissão pegou muita gente de surpresa. Afinal, os Dolphins tinham acabado de vencer os Patriots no dia anterior – a primeira vez em que eles venciam o rival de divisão duas vezes em uma temporada desde 2000. O clima da coletiva pós-jogo não era de festa, porém era animador. A impressão era a de que o trabalho do head coach iria para o seu 4° ano, apesar de estar mais contestado. Bem, não foi o que aconteceu e Brian Flores foi mandado embora na Black Monday. Mas se tudo aparentemente parecia “bem” para a permanência do técnico em 2022, quais seriam os fatores para a demissão?


Fator 1: Relacionamentos


Na coletiva de imprensa pós-anúncio, Stephen Ross, dono do Miami Dolphins, reforçou que o motivo principal para a saída de Flores foi “o modo como ele [Flores] conduzia os relacionamentos”. Em seus reports, Jeff Darlington, repórter da ESPN americana, a relação do ex-treinador com Chris Grier, general manager da franquia, e Tua Tagovailoa, QB do time, havia se deteriorado consideravelmente. Ainda segundo Darlington, esse fator e as constantes mudanças de staff [que serão abordadas no tópico abaixo] levaram Stephen Ross a demitir Brian Flores.



No comunicado oficial, o dono dos Dolphins deixa explícito que a decisão partiu principalmente dele. Stephen Ross ainda agradeceu Brian Flores por todos os serviços e desejou sucesso no futuro.


Reprodução: Miami Dolphins.

Fator 2: Montagem de elenco e comissão técnica


O segundo fator – e talvez o principal – que pode explicar a demissão de Brian Flores é a montagem de elenco e, principalmente, da comissão técnica. Como bem lembrou Albert Breer, repórter da Sports Illustrated e da NBC Sports Boston, foram três coordenadores ofensivos e três técnicos de linha ofensiva diferentes em três anos de trabalho. Essa inconsistência pagou seu preço ao longo deste ano e de 2020, em especial. No entanto, a montagem do staff não foi o único problema da passagem de Brian Flores em Miami.


Em amarelo: escolhas de linha ofensiva.

Das últimas escolhas de draft durante o período de Brian Flores nos Dolphins, 8 foram de linha ofensiva. E dos selecionados, apenas cinco continuaram no roster deste ano e nenhum provou ser um nome minimamente confiável. Austin Jackson se provou um verdadeiro bust, o calouro Liam Eichenberg mudou para left tackle e não teve um grande impacto nesta temporada. Os outros nomes não inspiram nenhuma confiança também. Tantas escolhas na maior deficiência da equipe em três anos consecutivos e nenhuma deu certo. É óbvio que draft é uma ciência inexata: escolhas erradas aparecem. Porém, os constantes erros estão custando muito para Miami – e Brian Flores tem sua parcela de responsabilidade na montagem do plantel.


Fator 3: Tua Tagovailoa ou Deshaun Watson


Quando os rumores de uma possível troca com os Texans surgiram em outubro, Brian Flores veio à público defender Tua Tagovailoa. “Tua é o nosso quarterback”, ele afirmara nas coletivas. Porém, segundo Ian Rapoport, insider da NFL Network, Flores era a razão principal pelo qual Deshaun Watson queria estar em Miami. Ainda de acordo com Rapoport, a saída de Flores teria mudado essa situação.



Além disso, outro fator surgiu na terça-feira [11/02]. De acordo com matéria do jornalista Dave Hyde, do South Florida Sun-Sentinel, a relação entre Brian Flores e Tua Tagovailoa chegou ao ponto de ambos trocarem ofensas. Segundo ainda a matéria, o QB dos Dolphins disse algo sobre “Flores não saber como lidar com pessoas”. Vale lembrar que, durante a trade deadline deste ano, Stephen Ross quis trazer Deshaun Watson e, de acordo com boa parte dos rumores, o então head coach concordava com essa troca. Do outro lado, o GM Chris Grier defendia a permanência de Tua. No final de contas, a troca nunca chegou a ser concretizada, porém a relação entre as partes envolvidas ficou abalada.


Qual será o futuro para Brian Flores?


Apesar dos últimos resultados negativos e da inconsistência na montagem de staff e elenco, Brian Flores é um dos nomes mais fortes no mercado de técnicos hoje. Segundo Tom Pelissero, insider da NFL Network, na terça-feira [11/01] o Chicago Bears começou a sonda-lo. Brian Flores é um técnico de mente defensiva, o que casaria perfeitamente com o histórico dos Bears. No entanto, o problema de Chicago está no ataque – e Flores não é o nome mais forte nesse requisito. Ainda assim, ele ainda é o nome mais forte entre os técnicos demitidos durante essa semana. Novas propostas devem aparecer ao longo da semana e do resto da offseason.

BANNERLATERAL_TRAKTOR.png
BANNERLATERAL_FANATICA.png