• Rodrigo Menezes

Bengals derrotam Broncos em duelo importante para os playoffs

Um jogo que entregou o que prometia. Essa é a melhor definição para um jogo que talvez não tenha sido brilhante tecnicamente, mas foi muito disputado e equilibrado, com grandes atuações das defesas e os ataques tendo que trabalhar dobrado para conseguir pontuar. Com uma partida decidida nos detalhes e disputada até o segundo final, quem levou a melhor foi o Cincinnati Bengals, que dá um passo importante na disputa por uma vaga nos playoffs e de tabela praticamente encerrou as chances do Denver Broncos.



O primeiro tempo da partida pode ser resumido como um grande domínio das defesas. Como disse na prévia, a chave para vitória de ambas as equipes era a atuação defensiva desses times, principalmente no caso dos Broncos. E não tem como negar que o nível de jogo apresentado foi praticamente perfeito por ambas as equipes. Com apenas 10 first downs em 13 drives, nenhum ataque ficou mais de 4 minutos seguidos em campo, e os punters trabalharam muito. O placar final do primeiro tempo reflete o que foi essa primeira metade do jogo: Bengals 6 x 3 Broncos.


Evan McPherson foi o destaque dos Bengals no primeiro tempo, acertando 2 FGs, um deles de 58 jardas, e colocando Cincinnati em vantagem para o segundo tempo de partida. (David Zalubowski – AP Photo)

A primeira equipe a pontuar foi Cincinnati, aproveitando uma boa jogada de 17 jardas para se colocar dentro do Field Goal range de Evan McPherson. Já era uma boa vantagem para os Bengals, que tinham muita dificuldade de encaixar seu jogo terrestre com Joe Mixon, e o jogo aéreo também não funcionava com a eficácia vista durante a temporada. Com sua defesa jogando bem, o placar de 3 x 0 já colocava certa pressão nos Broncos, que só conseguiram responder no segundo quarto.


Se o ataque dos Bengals não impressionava, o de Denver também sofria. O jogo terrestre era a principal arma desse time, e pouco conseguia produzir. No jogo aéreo, Bridgewater tinha dificuldades mesmo enfrentando uma das secundárias mais permissivas da liga. Porém, quando conseguiu encontrar Noah Fant, os Broncos conseguiram avançar o suficiente no campo para McMannus chutar um FG e empatar a partida.


Joe Burrow e Joe Mixon tiveram partida abaixo do que vinham demonstrando, mas foram eficientes em cuidar da posse de bola e não cometer grandes erros. Burrow foi decisivo para vitória, com belo passe para Tyler Boyd. (David Zalubowski – AP Photo)

O jogo continuou amarrado até os drives finais, quando Denver conseguiu encontrar um bom ritmo e entrou na zona de FG do Brandon McMannus. Porém o kicker desperdiçou a chance com um chute ruim, ainda que a distância de 51 jardas seja um atenuante. Na sequência, Burrow conseguiu em uma única jogada colocar os Bengals em posição para McPherson acertar um FG de 58 jardas, dando números finais a um primeiro tempo sem brilho ofensivo.


Se os ataques foram praticamente inexistentes no primeiro tempo, no segundo eles finalmente entraram no jogo. Não que tenham sido brilhantes, já que as defesas continuaram jogando em bom nível, mas ao menos começamos a ver jogadas interessantes e certo dinamismo de ambos os times. Os Bengals novamente foram os primeiros a marcar, com o drive mais longo da partida até então. Foram pouco mais de 5 minutos de campanha, e um avanço de 72 jardas até mais um FG de McPherson.


No lado dos Broncos, a resposta veio logo na sequência, mas com um pouco de preocupação. Tentando conseguir um first down correndo com a bola, Teddy Bridgewater tomou um tackle enquanto pulava para a marca e acabou caindo de cabeça no chão. Ele imediatamente ficou desacordado, e após o atendimento, foi retirado de campo consciente, porém na maca, e encaminhado para um hospital na região, onde passou a noite por precaução. Nenhuma lesão relevante foi detectada.


Teddy Bridgewater deixa o campo após sofrer uma queda de cabeça. Jogador tomou um tackle legal pela costas ao pular para conquistar um first down e deu azar ao cair de cabeça no chão, em um lance totalmente involuntário. (Ron Chenoy – USA TODAY Sports)

Com Bridgewater fora de combate, Drew Lock entrou em campo com a responsabilidade de conduzir esse ataque até o final da partida. E isso mudou a partida, para o bem e para o mal. No primeiro drive, Lock lançou um passe que não foi perfeito, mas virou um touchdown graças ao esforço de Tim Patrick de tomar a frente do defensor e pegar a bola na endzone. Denver assumia a liderança de forma surpreendente.


Os Bengals responderam de forma relâmpago logo na sequência, e em 2 jogadas entrou na endzone adversária com um touchdown de Tyler Boyd após bela jogada de Joe Burrow. Cincinnati devolvia a pressão para o lado dos Broncos, e foi aí que vimos por que Drew Lock não é titular. O QB tem um braço muito bom e sabe mandar bons passes para seus WRs. Foi assim que ele conduziu a equipe até a redzone adversária. Porém, apesar de ter essa capacidade, ele segue sendo displicente ao cuidar da bola, o que já levou ele a sofrer muitos turnovers em sua carreira. Ao tentar uma jogada correndo com a bola, Lock deixou a bola exposta e descuidada, e sofreu um tackle de Khalid Kareem, que praticamente tirou a bola do colo do QB dos Broncos para ficar com a posse dela a favor dos Bengals.


Drew Lock entrou bem na partida, lançou touchdown, mas tudo mudou nesse lance, onde Khalid Kareem literalmente rouba a bola dos braços do QB. Lock segue displicente com a posse da bola. (Isaiah J. Downing – USA TODAY Sports)

Após esse lance, a defesa dos Broncos voltou a atuar em grande nível, e conseguiu parar o ataque dos Bengals, dando chance a Drew Lock entrar em campo mais duas vezes para tentar vencer a partida. Mas após o turnover sofrido, o ataque de Denver perdeu intensidade. Lock que até então vinha sendo preciso nos passes, passou a errá-los de forma bizarra, demonstrando ter ficado abalado com o fumble sofrido, outro fato recorrente em sua carreira. A defesa dos Bengals tirou proveito disso, passou a pressionar ainda mais o QB e com isso garantiu a vitória por 15 a 10.


Para Cincinnati, essa vitória deixa a equipe muito viva na disputa pelo título da AFC Norte. Dependendo do resultado de Browns e Raiders, os Bengals podem terminar a rodada na liderança da divisão, e na próxima rodada terá um confronto decisivo contra os Ravens. A equipe mostra qualidade para conseguir chegar à pós-temporada e com alguma evolução pode sonhar com voos maiores. Joe Burrow tem um bom braço e mostrou maturidade ao não lançar interceptações contra uma forte defesa.


No lado dos Broncos, a partida deixou muito claro para quem ainda não tinha percebido que o time tem sérios problemas. No papel, há um bom número de jogadores talentosos e com grande potencial. Porém, na posição chave, a equipe tem um dilema: o conservador Teddy Bridgewater, que não tem um grande braço, mas cuida bem da bola, ou o ousado Drew Lock, que consegue grandes passes, mas sofre turnovers bizarros. Sem um QB minimamente confiável, não tem como esse time chegar à pós-temporada, e se algum milagre acontecer, dificilmente passará do Wild Card Weekend. Para 2022, os Broncos precisam encontrar um QB que possa conduzir essa equipe de forma muito mais competente que os atuais jogadores da posição. Caso contrário, terá desperdiçado a construção de um time forte e com capacidade para brigar por título.


Destaques


Broncos: Teddy Bridgewater (12/22, 98 jardas); Drew Lock (6/12, 88 jardas, 1 touchdown, 1 fumble sofrido); Javonte Williams (15 corridas, 72 jardas); Justin Simmons (2 sacks, 2 tackles para perda de jardas)


Bengals: Joe Burrow (15/22, 157 jardas, 1 touchdown); Tyler Boyd (5 recepções, 96 jardas, 1 touchdown); Khalid Kareem (1 fumble forçado e recuperado); Larry Ogunjobi (1.5 sacks, 1 tackle para perda de jardas)


Próximos jogos


Ravens x Bengals, domingo (26/12), às 15:00, em Cincinnati.

Broncos x Raiders, domingo (26/12), às 18:25, em Las Vegas.

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