• Rodrigo Menezes

Análise dos QBs da AFC Oeste – Semana 10

A semana 10 da NFL nos trouxe uma bela reviravolta na AFC Oeste. Somente o Kansas City Chiefs venceu, e foi de uma forma contundente. Dessa forma, a equipe assumiu a liderança da divisão, mas engana-se quem pensa que isso significa que acabou a competição. A diferença entre o primeiro e o último é de apenas 1 vitória, e basta uma nova partida de instabilidade dos Chiefs para que Chargers, Raiders e até mesmo os Broncos assumam a liderança. Para isso, seus QBs precisarão fazer um trabalho bem feito e serem decisivos para suas equipes. É por isso que chegou a hora de analisarmos como cada um deles jogou nessa semana e projetar o que virá pela frente.



Começamos falando do novo (e velho) líder. Patrick Mahomes teve uma atuação de Magic Mahomes no último SNF, ao conduzir os Chiefs a uma vitória maiúscula contra o Las Vegas Raiders. Tudo funcionou perfeitamente para o ataque: a linha ofensiva trabalhou bem, os WRs não tiveram erros e drops, e com isso o QB conseguiu 406 jardas e 5 touchdowns. Vale destacar aqui como Travis Kelce e Tyreek Hill voltaram a trabalhar muito bem juntos. Os dois alvos favoritos e de confiança de Mahomes receberam 15 dos 35 passes completos do QB, e ainda combinaram para mais de 200 jardas. Com essa dupla bem na partida, e com um RB que pode até não correr muito com a bola, mas é seguro quando o passe vai em sua direção (Darrel Williams recebeu os 9 passes em sua direção para um total de 101 jardas), Mahomes tem tudo para conseguir ser aquele QB que vimos nos últimos anos e que é o melhor da NFL. Na semana passada eu falei de como aquela vibração na jogada final contra os Packers representava mais do que apenas uma vitória e como isso poderia marcar o ponto de virada dos Chiefs na temporada. Ao que tudo indica, foi isso mesmo que aconteceu. Agora veremos se eles conseguem se manter assim, porque sabemos que Mahomes jogando nesse nível é quase imbatível.


Atuação soberba de Mahomes contra os Raiders colocaram os Chiefs na liderança da divisão pela primeira vez na temporada. (Christian Petersen – Getty Images)

Seguimos a nossa análise com Justin Herbert. O QB não teve uma das suas melhores atuações, é verdade, mas a situação dos Chargers está longe de ser sua culpa. O time não tem jogo corrido consistente, e seus principais recebedores tem oscilado muito durante a temporada. Para piorar, a sua OL tem parte dos snaps. Com essa situação, fica difícil de alguém render, e ainda assim ele vem fazendo boas partidas e ganhando jogos. Mas é pouco ainda. Herbert é um segundanista, ainda está evoluindo, e não vai conseguir ganhar todas as partidas sozinho. Nessa partida contra os Vikings, ele nem chegou na marca de 200 jardas lançadas, e evidentemente isso foi importante na derrota da equipe. Mas não dá para jogar a culpa nele. O ataque ficou em campo menos de 24 minutos, e isso mostra muito o que está acontecendo. Herbert tem talento, tem potencial, está demonstrando ser um grande jogador, mas para que os Chargers vençam jogos e a divisão, ele não poder ser o único salvador da equipe. Ele precisa de ajuda, e tudo o que o torcedor de LA espera é que Austin Ekeler, Keenan Allen e Mike Williams consigam dar esse suporte ao QB e o mais rápido possível, ainda mais com o time enfrentando uma das melhores defesas da liga já nessa próxima rodada.


Herbert não teve uma grande partida, mas lutou bastante. Atuações ruins de sua OL e de seus companheiros de ataque impactaram nos números do QB e contribuíram para a derrota dos Chargers. (Ronald Martinez – Getty Images)

O cenário já é um pouco diferente para Derek Carr. O QB dos Raiders sofreu um duro golpe com a dispensa de Henry Ruggs III, já que o WR era responsável por dar profundidade a esse ataque. Na partida contra os Chiefs, ficou claro que Las Vegas nesse momento não consegue ferir muito seus adversários em jogadas longas. Bryan Edwards até conseguiu 2 fazer 2 recepções de mais de 20 jardas, mas em situações em que o time já estava no campo de ataque. A equipe não tem condições nesse momento de ter essa jogada quando está no campo de defesa, ajudando a virar a maré do jogo a favor dos Raiders. E Carr vem sentindo isso. Seu jogo tem sido mais conservador do que o normal, e os erros acontecem com mais frequência. Ele segue no ritmo de ter a sua pior temporada da carreira em números de interceptações, com mais uma lançada nesse domingo, e a eficiência desse ataque tem caído. Para piorar, Josh Jacobs está fazendo uma temporada abaixo do esperado, e Darren Waller, muito bem marcado pelas defesas adversárias, tem sido pouco efetivo também. Se Carr e a comissão técnica não encontrarem soluções para esse número grande e crescente de problemas, Raiders pode acabar novamente ficando fora dos playoffs, algo muito decepcionante pela forma como Las Vegas começou a temporada. O jogo contra Cincinnati no próximo domingo será essencial para isso.


Derek Carr e o ataque dos Raiders estão sofrendo com a dispensa de Henry Ruggs, com o corpo atual de recebedores incapaz de conseguir estender o campo e diminuir a pressão em cima do QB e do jogo terrestre. (Isaac Brekken – AP Photo)

Por último, vamos analisar a partida de Teddy Bridgewater. Sim, ele pode fugir de fazer um tackle, mas não escapará da minha crítica. É muito claro que Denver não tem QBs confiáveis e decisivos. Isso todos sabiam no começo da temporada, e até teve quem se iludiu com as 3 primeiras vitórias contra times fracos. Mas a verdade logo se fez valer, e os Broncos voltaram a sua dura realidade. Sim, na vitória da equipe na semana passada contra os Cowboys o QB fez uma boa partida, mas elas são exceções. Bridgewater não é o cara para levar os Broncos a voos mais altos, e só teria alguma chance se a defesa fosse aquela da temporada 2015, quando Denver venceu o Super Bowl. Mas ainda assim, o torcedor esperava um pouco mais de comprometimento de seu QB. Bridgewater não teve uma partida desastrosa contra os Eagles como fez em rodadas anteriores, mas tampouco foi glorioso com a bola na mão. Seu estilo conservador até permite que o ataque não sofra muitos turnovers, mas por outro lado torna o time previsível sem jogadas explosivas e que causem danos na defesa adversária. Apesar disso, os Broncos estavam fazendo uma partida decente contra os Eagles, e no final do terceiro quarto a diferença era de apenas 1 posse de bola. Então veio o lance que praticamente definiu a partida: fumble de Melvin Gordon, Darius Slay pega a bola e vai retornando para TD. Bridgewater tem a chance de pelo menos tentar derrubar o jogador e evitar a pontuação adversária. Porém, o QB simplesmente fica parado assistindo o defensor passar bem a sua frente e fazer o TD, abrindo 2 posses de bola e praticamente tirando o limitado ataque dos Broncos do jogo. Há quem defenda que o QB fez certo em não se arriscar, ainda mais de um time que tem poucas pretensões. Mas para vencer na NFL, é preciso mostrar uma vontade enorme de ganhar, algo que Bridgewater deixou claro não ter. Para piorar, Lock pode até ter essa vontade, mas rifa demais a bola e é mais inconsistente do que o titular. O torcedor dos Broncos não vai perdoar essa, Bridgewater, e a bye week servirá para ele refletir sobre o que ele quer daqui pra frente.


Torcida dos Broncos está revoltada com a atitude de Bridgewater de nem tentar fazer o tackle em Darius Slay e acabar permitindo. Falta de números convincentes apenas agrava a situação do QB em Denver. (Jerilee Bennett – The Gazette)

Com a divisão cada vez mais apertada, ficou claro para todos que os QBs podem facilmente definir essa parada. Enquanto os Chiefs têm tudo para ir longe com seu QB voltando a jogar de forma soberba, Chargers e Raiders veem Herbert e Carr tentando de alguma maneira voltar a colocar seus times no caminho de vitórias, ainda que o potencial e a habilidade de ambos sejam diferentes. Já os Broncos têm um QB que foge de jogo e outro que não sabe proteger a bola, e isso faz poucas pessoas acreditarem que essa equipe vá para playoffs, mesmo ainda estando na briga matematicamente. A AFC Oeste parece que vai voltando a ficar na cor vermelha como em anos anteriores.

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