• Pedro Zaniol

Alex Smith conta os motivos para os Commanders estarem mal

A franquia do Washington Commanders já foi uma das mais vitoriosas da NFL, de 1982 até 1992 o time foi para os playoffs em 8 de 11 anos possíveis, chegou em 4 Super Bowls e venceu 3 deles. Após ótimos anos na década de 80 e início da década de 90, a franquia começou a ter problemas dentro e fora do campo, isso fez com que as aparições nos playoffs ficassem cada vez mais raras, e as vitórias quase sumissem, o último triunfo do Commanders na pós-temporada aconteceu em 2005.



Alex Smith, quarterback que jogou por Washington de 2018 a 2020, deu uma entrevista para o programa The Rich Eisen Show e nele contou o porque a franquia foi mal nesses 3 anos que ele estava lá.


Na entrevista ele disse:


“É difícil. Eu acredito que você tenta eliminar todo o burburinho que existe lá, e é bastante burburinho. Tem um monte de distrações, em toda a organização e tudo em volta dela, e todas elas são obviamente merecidas. Existem muitas falhas nesses últimos 20 anos. Como tem muita coisa acontecendo, muitas distrações, é difícil tentar focar apenas em jogar futebol americano.”

Ele complementa:


Tem muita coisa acontecendo, com toda a organização, com o seu dono, com os treinadores e os generais managers. Historicamente tem muito drama lá. É um mercado grande, no meio da capital, com muita coisa acontecendo por lá, a franquia é histórica, mas tem muito tumulto e distrações.”

E termina dizendo:


“Se eu dissesse que todas essas coisas acontecendo dentro da franquia não entram no vestiário e no campo eu seria maluco. E isso acontece com qualquer time que tem esses problemas. Eu acredito que é algo que diferencia as boas e as más organizações, enquanto as boas eliminam esses problemas extracampo, as más tem problemas em evita-los. Todo o burburinho acaba entrando no campo, e, sim, isso acaba afetando o produto nele.”

Na entrevista, Alex cita os problemas “nesses últimos 20 anos”. Essa citação é chave para entender o problema de Washington, pois é por essa época que o time sofre 2 grandes mudanças.


commanders.com

A primeira delas foi a mudança de casa, de 1961 até 1996 o Washington Redskins jogava no RFK Stadium. O estádio ficava bem localizado em Washington e recebia jogos de futebol americano, baseball e futebol (foi sede da Copa do Mundo de 1994). Os cidadãos da capital se sentiam em casa lá, apesar do estádio já estar ficando ultrapassado. Como o estádio estava ficando velho, e a sua capacidade de 56 mil pessoas não era suficiente para a procura de ingressos com o sucesso do time nos anos 80 e início dos anos 90, o dono do time Jack Kent Cooke queria reformá-lo. Só que a negociação com a cidade foi muito difícil, por ser um estádio no meio da cidade, os vizinhos não queriam que invadisse seus terrenos, e existiam leis ambientais que precisavam ser respeitadas, impossibilitando uma expansão no RFK, apenas uma renovação era possível.


Cooke então foi conversar com outras prefeituras, de cidades próximas a Washington, para negociar um novo estádio. Em 1997, o time se mudou para o Jack Kent Cooke Stadium, atual Fedex Field, em Landover, no Estado de Maryland, a 8 km de Washington. O novo estádio era claramente mais moderno que o antigo, e muito maior, com capacidade para 80 mil pessoas. No começo foi um sucesso, as pessoas estavam animadas com o novo estádio e a torcida compareceu, o time até aumentou a capacidade para 91 mil e se tornou o maior estádio da NFL no começo dos anos 2000.


Os anos foram passando, o time não vencia mais, e os problemas começaram a aparecer. Por ser em uma cidade diferente de Washington, os torcedores tem que ir de carro pela estrada para chegar no estádio, só que a estrada e o entorno do Fedex Field não estavam preparados para receber 90 mil pessoas. Muito trânsito, pouco estacionamento e demora para entrar e para sair de lá. Uniu-se a má experiência com um time ruim, e a média de público despencou, em 2013, a média foi de 56 mil pessoas, menor que a capacidade do antigo estádio, RFK. Com a baixa procura por ingressos, a franquia foi diminuindo a capacidade com o passar dos anos, hoje, cabem um pouco menos de 68 mil pessoas no Fedex Field. Em rankings de piores estádios da NFL, constantemente ele está nas primeiras posições.


A segunda grande mudança foi a troca de dono da franquia. Jack Kent Cooke faleceu em abril de 1997 e, em 1999 Daniel Snyder comprou o time por 800 milhões de dólares. Quando comprou o time, comunidades indígenas tentaram conversar com ele para que o Redskins mudasse de nome, mas ele negava-se a ter esses encontros, com o passar do tempo e com as pessoas tendo mais informações, mais e mais pessoas começaram a pedir uma mudança de nome. Só que em uma entrevista ao USA Today em 2013, Snyder foi categórico, dizendo que jamais iria mudar o nome da franquia. Isso só mudou em 2020, depois da morte de George Floyd e os protestos do Black Lives Matter, empresas que patrocinavam o time, como a Fedex, a Nike e a Pepsi, pressionaram Snyder a mudar o nome da franquia ameaçando tirar o patrocínio se isso não ocorresse.


Além da polêmica com o nome, em 2020, o jornal Washington Post publicou uma série de artigos alegando que mais de 40 mulheres que já trabalharam para a organização foram assediadas sexualmente e discriminadas por Daniel Snyder e outros executivos da franquia. Depois desses artigos, a NFL fez uma investigação sobre Washington, e depois de um ano concluiu que realmente houveram casos de assédio, bullying e intimidação dentro da organização. A NFL multou o time em 10 milhões de dólares e Snyder continuou como dono, mas agora quem cuida do dia a dia da franquia é sua esposa, Tanya Snyder.


AP Photo/Patrick Semansky

Todos esses problemas tem influenciado muito no resultado de campo, desde que o time foi comprado por Snyder em 1999, tem um recorde de 156 vitórias, 212 derrotas e 1 empate na temporada regular. Nos playoffs são duas vitórias e 6 derrotas em 23 temporadas.


Em 2022 a franquia espera deixar esses problemas para trás e começar uma nova era. Será o primeiro ano sob o nome de Washington Commanders, com novos capacetes e uniformes, e também com mudanças dentro de campo, o quarterback da franquia é Carson Wentz, pelo qual eles trocaram 2 escolhas de 3ª rodada para o Colts, e além disso, no draft, que acontece no dia 28 de abril de 2022, o time pode também escolher um quarterback para ser o futuro da franquia. E para o torcedor do Commanders, você acredita que o time pode voltar a ser um protagonista na NFL? Ou acha que para isso acontecer Snyder precisa vender o time? Desabafe todas as suas mágoas com a franquia nos comentários aqui embaixo.

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