• Marcos Vinicius Soares

Action Jackson! Com show de seu quarterback, Ravens vencem os Chiefs de virada no Sunday Night

Se tem jogo no horário nobre, pode anotar na sua agenda que vai ser um jogão! Essa tem sido a lei da NFL em 2021, pois está sendo algo realmente impressionante o quão espetaculares estão sendo os prime times da Liga em 2021. Baltimore Ravens e Kansas City Chiefs nos entregaram um jogo espetacular no Sunday Night Football, cheio de pontos, reviravoltas e lances inesquecíveis que culminaram em uma grande vitória de Lamar Jackson, aliás, a sua primeira sobre Patrick Mahomes e os Chiefs.


O placar acirrado de 36x35 fez jus ao grande espetáculo ofensivo que ambas as equipes protagonizaram no Sunday Night Football. A festa ofensiva contou com quase 900 jardas combinadas e dez touchdowns, cinco dos Ravens e quatro de Kansas City, sendo um deles o touchdown defensivo anotado em uma pick six de Tyrann Mathieu no primeiro drive da partida. Baltimore anotou pelo menos um touchdown em todos os quartos da partida, com destaque para o último período, quando anotou dois para consumar a virada no placar.


Plano perfeito


É muito difícil anular Pat Mahomes, então para vencer os Chiefs você precisa seguir três premissas básicas, sendo que a primeira é colocar muitos pontos no placar, o que Baltimore conseguiu fazer como muito eficiência na partida de ontem pontuando em seis dos nove drives que teve no duelo. A segunda é controlar o relógio, outro ponto que os Ravens foram impecáveis, ficando com a bola por 35:59 minutos da partida, contra apenas 24:01 de tempo de posse de Kansas City, muito por conta da exibição dominante de seu jogo terrestre que somou 251 jardas em 41 tentativas – média de 6.1 jardas por carregadas – e foi responsável por três dos quatro touchdowns do time.

Por fim, a terceira e última premissa, forçar turnovers. Patrick Mahomes e o ataque de Kansas City vão pontuar e isso beira o inevitável, então, a missão de qualquer time é diminuir o número de posses de bola do quarterback dos Chiefs em uma partida, porque sentado no banco ele não é uma ameça, e Baltimore conseguiu isso correndo bastante e roubando a bola em momento chave do jogo, com uma interceptação e um fumble forçado.



A execução perfeita desse plano de ação levou os Ravens a ser o primeiro time a derrotar Andy Reid e Mahomes em setembro desde que a parceria de ambos começou em 2018 e quebra, forçar a primeira interceptação da carreira do quarterback dos Chiefs em setembro. Isso não é obra do caso e não é à toa que é comum ouvirmos o quanto Baltimore é um time bem treinado, pois John Harbaugh é um head coach muito inteligente e experiente e soube montar uma armadilha e que levou Kansas City a cair em seu plano de jogo sem nem perceber, mas falarei disso no próximo tópico.


O tempo é cruel


Kansas City tem um ataque explosivo, para o bem e para o mal. Como é possível dizer que um ataque dominante como o dos Chiefs pode ter um lado ruim? Simples, eles são tão explosivos e anotam pontos tão rápidos, que automaticamente, eles devolvem a bola muito rapidamente ao oponente, e contra um time que consiga igual essa capacidade de colocar pontos no placar, mínimos erros podem custar caro.


A título de comparação, os drives de Kansas City tiveram uma média de duração de 2:50 minutos, enquanto as campanhas dos Ravens duraram em média 3:27 minutos. A diferença pode parecer pouca, mas não é, e principalmente se considerarmos que Baltimore teve um drive ofensivo a mais no jogo. É bom ser capaz de anotar muitos pontos rapidamente, mas ao mesmo tempo é interessante dominar fisicamente a defesa adversária, fazendo-a ficar bastante tempo em campo, porque esse desgaste ao longo da partida costuma cobrar o preço no final e também diminui a capacidade do oponente de causar turnovers no final dos jogos, exatamente como vimos acontecer ontem.


Às vezes é melhor aceitar o sack


Antes que você pense que vou colocar a culpa da derrota dos Chiefs nas costas de Mahomes, já adianto, não vou. Ele não foi o responsável pelo revés do time nesse Sunday Night, a conta será muito mais pesada para a defesa que parecia muito mais uma avenida para o jogo terrestre de Baltimore do que qualquer outra coisa. Entretanto, o jogo de ontem é uma oportunidade de mostrar como o quarterback dos Chiefs não é perfeito.


Mahomes é tão capaz de improvisar, sair do pocket, fazer scrambles, ganhar jardas com as pernas e acertar passes impossíveis com o corpo em movimento, que em determinadas situações, parece que ele não consegue aceitar que uma jogada será infrutífera e tenta passes que não deveriam ser lançados. Quando esses passes dão certo eles viram o highlight da semana e passamos dias exaltando o quão incrível Pat Mahomes, porém quando eles dão errado, como foi o caso ontem contra Baltimore, precisamos criticar também.



Os Ravens conseguira pressionar o passador dos Chiefs em momentos pontuais, fora isso ele queimou as blitzes do time a rodo, como é de costume. Mas foi em um desses momentos chave de pressão que a defesa estava pronta para sackar Mahomes, e ele literalmente com o defensor agarrado em suas pernas o colocando no chão, lançou um passe totalmente displicente, na tentativa de ganhar meia dúzia de jardas, ao invés de aceitar que aquele snap estava condenado. Essa mentalidade de sempre avançar e tentar até o último segundo achar uma jogada é ótima, mas ela não pode se tornar arrogância, a ponto de você se recusar a aceitar um drive falho.


A interceptação veio em um péssimo momento, porque mesmo que o passe tivesse sido completo, o time não teria conseguido o first down, e como ele deu errado, colocou os Ravens com a posse da bola na metade do campo, enquanto um punt teria os feito iniciar a campanha seguinte bem mais próximo a sua própria end zone. O placar marcava 35x24 para Kansas City e com o turnover, Baltimore rapidamente deixou o jogo em apenas uma posse de bola, anotando um touchdown que deixou o placar em 35x30.


Corra Lamar, corra!


As maiores críticas a Lamar vêm de suas falhas como passador, mas o que as pessoas não entendem é que ele nunca será um pocket passer, tampouco parecerá um quarterback padrão, porque ele não é, Jackson é um jogador único. A maior ameaça que Lamar pode causar é o que vimos ontem, quando ele consegue ser uma ameaça gigante por terra, pois isso cria uma dúvida mortal nas defesas, e abre espaços para seu jogo aéreo fluir melhor. O resultado? É exatamente o que vimos ontem, um quarterback dominante que teve mais de 100 jardas terrestres e mais de 200 jardas passadas e acabou a derrotou um dos melhores times da NFL colocando 36 pontos no placar.



Isso é Lamar Jackson, um jogador que joga fora da caixa, ele é o que é, e quanto mais ele correr, melhor é para seu estilo de jogo e não o contrário. Ontem ele deu uma prova de coragem – algo que não se ensina, ou se compra – enorme, quando em 4th para uma jarda no final do duelo, ele pediu para Harbaugh arriscar, que ele mesmo ganharia essa jarda. E ele ganhou. Com ela ele conquistou não só o first down, mas a vitória para os Ravens e para si próprio, que pela primeira vez derrotou Patrick Mahomes e os Chiefs.


Correr é a solução para Lamar e não o problema.


A semana 3 reserva um confronto muito interessante entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, que colocará frente a frente Justin Herbert e Patrick Mahomes, ambos com campanha de uma vitória e uma derrota, enquanto Baltimore vai encarar os Lions.

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