• Vinicius Soares

A pior escolha de draft de cada franquia na última década – Parte I

O draft da NFL é talvez o momento que gera mais empolgação em toda a temporada da Liga. Antes que você diga que eu estou louco, por considerar o recrutamento mais empolgante que os jogos de playoffs ou até mesmo as grandes e históricas partidas da temporada regular, deixe-me explicar o motivo.



Cada nova leva de jogadores universitários que chega ao nível profissional é uma caixinha de surpresa, pois elas contem nomes que serão estrelas da Liga, outros que serão enormes busts – em português podemos traduzir como “farsa” – ainda há aqueles que serão apenas medianos e os que irão surpreender vindo de escolhas mais baixas do draft. Diga-me que momento da temporada reúne uma mistura tão completa e bem feita de emoção, esperança e imprevisibilidade? O efeito “empolgou” do draft é o mais forte de toda a temporada, mesmo que ele aconteça na offseason.


The Phinsider

A temporada regular tem a emoção e a esperança, afinal, há diversos jogos emocionantes e por mais inferior que seu time seja em relação ao adversário, você sempre tem um fiozinho de esperança que ele possa vencer o favorito em um domingo qualquer. Além disso, uma vitória inesperada ou expressiva na semana 1 muitas vezes gera um efeito empolgou na torcida que vai além da nossa compreensão, porém, a durabilidade desse efeito é muito curta e não são poucos os casos em que isso não sobrevive a segunda semana da temporada.


Nos playoffs além desse combo acima temos a imprevisibilidade, pois se trata de um jogo de eliminação único, onde absolutamente tudo pode acontecer dentro de um campo da NFL. Entretanto, a durabilidade disso é curta e em diversas ocasiões ao longo da história vimos times conseguirem vitórias milagrosas em uma semana e na rodada seguinte da pós-temporada sofreram derrotas amargas que puseram fim ao sonho, sendo o caso mais recente o Minnesota Vikings de 2017, que sete dias após o “Minneapolis Miracle” sofreu uma dolorosa derrota por 38x7 para o Philadelphia Eagles no NFC Championship Game.


O Draft não tem esse fator de durabilidade curta, a escolha de um jogador traz uma nova esperança à torcida que pode durar anos, seja para o bem, com o atleta se desenvolvendo naquilo que os fãs sonharam, ou para o mal, quando o prospecto não evolui e prova um bust. Ou seja, o “empolgou” gerado pelo recrutamento é diferente, pois a conexão criada entre o jogador selecionado e a esperança da franquia como um todo é especial e pode definir o futuro de uma equipe por anos.


Globo

Dito isso, quero relembrar aqui as piores escolhas de draft de cada equipe nos últimos 10 anos, entre 2010 e 2020, porém como o texto ficaria excessivamente extenso se eu abordasse as 32 equipes de uma só vez separei os times em grupos de quatro integrantes cada, sempre com duas equipes da AFC e duas da NFC e de modo que nunca fossem times da mesma divisão. Confira a lista de hoje que inclui Arizona Cardinals, Atlanta Falcons, Baltimore Ravens e Buffalos Bills.


– Não vou incluir o recrutamento de 2021 porque os jogadores sequer tiveram a chance de entrar em campo em suas carreiras –


Arizona Cardinals

Josh Rosen (UCLA) – quarterback – 10ª escolha de 2018


SB Nation

Rosen foi o penúltimo quarterback selecionado na rica classe de 2018, e na época do draft ele declarou que as nove equipes que deixaram de selecioná-lo iriam se arrepender. Bem, a única franquia que se arrependeu foram os próprios Cardinals, que em apenas uma temporada desistiram do jogador e draftaram Kyler Murray – quarterback titular do time até hoje – na 1ª escolha geral de 2019 e enviaram Josh para os Dolphins por uma escolha de 2ª rodada. Mesmo tendo “rendido” uma pick de 2ª rodada, o que amenizou seu fracasso, ele ainda deu prejuízo para o time dos Cardinals. Após ser dispensado pro Miami ele jamais se firmou em outra equipe da NFL. É certo afirmar que Rosen não teve os terrenos mais férteis do mundo para se desenvolver na NFL, mas ainda assim o atleta não mostrou nada de bom enquanto esteve em campo e seu status atual de jogador de pratice squad é totalmente compreensível.


Atlanta Falcons

Takkarist McKinley (UCLA) – EDGE rusher – 26ª escolha de 2017


USA Today

Quando os Falcons escolheram McKinley eles esperavam que fosse o parceiro de Vic Beasley (escolhido na 1ª rodada em 2015), que na época vinha de uma temporada onde tinha liderado a NFL em sacks. Hoje, quatro anos depois, nenhum dos dois jogadores está no elenco e o projeto foi um tremendo fracasso. Takkarist perdeu no desempate com Beasley porque o jogador vindo de Clemson conseguiu ser ao menos mediano em sua passagem pela equipe, enquanto McKinley foi um fracasso completo. Para piorar a situação do jogador, Atlanta fez uma trade up com os Seahawks para subir da 31ª para a 26ª escolha, entregando as picks 95 e 249 como pagamento extra pela troca. Ou seja, o time gastou múltiplas escolhas em um jogador de impacto mínimo dentro de campo.


Baltimore Ravens

Matt Elam (Florida) – defensive back – 32ª escolha de 2013


Los Angeles Times

É muito raro o front office dos Ravens errar em uma seleção de 1ª rodada, então, para achar a pior escolha da equipe na última década precisamos retornar até 2013, ano que a franquia teve sua escolha de 1ª rodada mais baixa do período, afinal eles eram os atuais campeões. O defensive back Matt Elam ficou apenas três temporadas com a equipe e foi titular em 26 jogos de 48 possíveis, conseguindo uma interceptação, 0.5 sack e forçou um fumble.


Buffalo Bills

EJ Manuel (Florida State) – quarterback – 16ª escolha de 2013


BuffaLowDown

Os Bills tiveram o azar de tentar buscar seu franchise quarterback na pior classe da posição na última década. Manuel não fez rigorosamente nada de bom no tempo que esteve em Buffalo, sendo titular em míseras dezoito partidas nos quatro anos que ficou por lá e registrando 20 touchdowns e 16 interceptações nesses jogos. O único jogador da posição escolhido na 1ª rodada de 2013 não se saiu melhor que seus parceiros de classe, Geno Smith, Mike Glennon entre outros, e o pior de tudo, ele custou uma escolha mais alta que todos eles. Entre todas as seleções do texto de hoje, está foi de longe a mais questionada desde o momento em que foi feita, pois EJ não era considerado um quarterback de 1ª rodada, muito menos dentro do top 20 do draft. A escolha do jogador custou mais alguns anos de mediocridade aos Bills, que só conseguiram encontrar seu franchise quarterback com a seleção de Josh Allen em 2018.


No próximo texto irei trazer as piores escolhas de draft na última década de Colts, Vikings, Raiders e Eagles. Fique ligado no Portal Golim Sports e não perca a sequência desta série e ainda esteja por dentro de tudo que acontece no mundo da bola oval assinando a nossa newsletter.

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