• Douglas Dolijal

A pequena – grande – história do Fantasy Football da NFL

Te ensinamos o básico, a forma mais rápida de jogar e até ideias de formatação e pontuação. Mas que tal entender um pouco da história de um dos jogos virtuais – sim, Fantasy é considerado um jogo virtual – mais jogados no mundo? Sem mais enrolações, e como diria o pessoal do antigo programa Ra-Tim-Bum, senta que lá vem história.


O começo


Os primeiros relatos sobre o Fantasy Sport datam de pouco após a segunda guerra mundial, por volta do final dos anos 50, listando o nome de um empresário chamado Wilfred "Bill" Winkenbach, que criou a uma liga de Fantasy Golf durante um campeonato que ocorria na região onde ele morava. A competição era simples, cada jogador escolhi uma equipe de golf, e aquele que no final do campeonato real somasse menos tacadas vencia a liga de Fantasy.


Pouco depois, nos anos 60, com sua conexão ao Oakland Raiders (hoje Las Vegas Raiders), Wilfred participou da elaboração de uma das primeiras ligas de Fantasy Football, que usava da mesma base do Golf, com a diferença de analisar os dados dos jogadores, ao invés dos dados mais coletivos. Essa liga foi batizada com o nome de Greater Oakland Professional Pigskin Prognosticators League – ou GOPPP para os mais próximos – que contava com 8 equipes, e teve como primeiro jogador selecionado foi o Quarterback e Place Kicker George Blanda, na época jogador do Houston Oilers (hoje Tennessee Titans).


Ainda nos anos 60, em Harvard, foram relatadas as primeiras notícias que se tem sobre o Fantasy Baseball (segundo mais jogado nos Estados Unidos), criado pelo Sociólogo William Gamson, que levou o “esporte” para a universidade de Michigan, onde se tornou popular no campus da universidade. Na década seguinte foi a vez de surgir o Fantasy do nosso futebol, e nos anos 90, a vez dos torcedores do basquete veio, com o boom do Bulls do Michael Jordan.



A evolução: ainda antes da internet e início do mundo dos negócios


A popularização geral do Fantasy data dos anos 80, como o sistema chamado Rotisserie. Esse sistema se popularizou após a sua criação pelo editor e escritor Daniel Okrent, através da liga Rotisserie League Baseball, que ganhou esse nome devido ao restaurante onde Daniel e seus amigos se encontravam para jogar, o “La Rotisserie Francaise”. Mas qual a diferença desse sistema para o anterior? O Rotisserie traz uma forma diferente de competição, ao invés de competir contra seus rivais de forma individual na semana, são escolhidas categorias, e são acumulados os pontos durante a temporada, e ao final, o time recebe pontuação por sua colocação em cada uma das categorias. Exemplo: Se meu time, em uma liga de 8, acaba em primeiro na quantidade de Homeruns, eu ganho 8 pontos, o segundo 7, terceiro 6 e assim por diante, onde o ultimo faz 1 ponto. Somasse então a pontuação total, e o time com a maior quantidade de pontos é consagrado campeão.


Como sua profissão era ligada a parte jornalística, Okrent escreveu uma matéria sobre a sua liga de baseball e como ela funcionava, iniciando assim uma febre entre os americanos durante o período onde o baseball era o esporte mais popular nos Estados Unidos. E obviamente, falando na terra do Tio Sam, empresas de analise esportivas viram aí uma oportunidade gigantesca de fazer dinheiro, e foram criadas as primeiras revistas/informativos mensais sobre Fantasy Sports. Daniel Okrent, escreveu em 1984 um dos livros mais antigos sobre Fantasy, focado obviamente para ligas no formato que ele havia criado, contendo regras, táticas de escolhas e analise de jogadores do período.


Na metade final dos anos 80, o Fantasy Football decidiu se arriscar aos novos ares do crescimento, agora já na era Super Bowl. No ano de 1987 surgiu a primeira revista anual de Fantasy Football, o Fantasy Football Index. Isso ainda era pouco, as revistas atualizavam na época uma vez por ano, de restante, os organizadores precisavam buscar os dados nos cadernos esportivos, anotar tudo e atualizar suas ligas, tínhamos um furo no mercado, que foi coberto em 1992, pela Fantasy Football Weekly - que hoje é um site chamado fanball.com - que atingiu 2 milhões de vendas na época. E além da revista, uma grande quantidade de empresas, vendo o mercado que tinham a frente, criaram o sistema de computação dos dados dos jogadores e envio via fax, ou seja, uma facilitação para os jogadores de Fantasy.


A era moderna, o Fantasy Sports e os milhões


Com a popularização dos computadores pessoais em solo americano, a barreira de entrada no mundo do Fantasy se tornou menor, e o mercado que já tinha um grande potencial de consumo havia aumentado. As empresas que antes geravam conteúdo e atualizações por fax, passaram a emitir os dados online, através de seus sites. Porém, ainda não tinha uma plataforma própria para o fantasy como conhecemos hoje, até o dia primeiro de janeiro de 1997, quando entrou no ar um site chamado Commissioner que além de atualizar as estatísticas dos jogadores, gerava suas pontuações, e tinha um quadro de mensagens da liga, para comunicação entre os jogadores. O Commissioner foi vendido dois anos após ir ao ar para a empresa Sportsline, pelo valor de 11 milhões de Dólares, divididos entre dinheiro e ações.


Criada também 1997, e indo ao ar pela primeira vez um mês depois do Commissioner, a Rotonews teve como diferencial para o “rival” as notas atribuídas aos jogadores, como seu status para o próximo jogador, se estava lesionado, se foi trocado ou se iria para o banco. A Rotonews se tornou nos anos seguintes um dos dez sites de esportes mais acessados, segundo a Media Metrix, o site superou até o site oficial da NBA. A exemplo do Commissioner, a RotoNews foi vendida em 1999, para a Broadband News, onde virou anos mais tarde a RotoWire.com.


O Ano de 1999 foi fantástico para o Fantasy Sports, com cerca de 30 milhões de jogadores, a expansão era enorme, e gerou a criação de uma entidade responsável por regulamentar o mercado dos negócios envolvidos com o jogo, a Fantasy Sports Trade Association. No mesmo ano, a Yahoo entrou no mercado, lançando a primeira plataforma com modalidades de graça para o jogo, e tornando-se a plataforma oficial da NBA anos mais tarde.


Os anos atuais, e o impacto na NFL


Após a constatação de que jogadores de fantasy passam mais horas assistindo a jogos, e que gastam em média 30% a mais que os espectadores comuns, a NFL decidiu criar sua própria plataforma, no início dos anos 2000. O mercado a ser explorado agora girava em bilhões de dólares, que era a estimativa de gastos dos jogadores com produtos e informações ligadas ao esporte, isso ajudou na valorização de alguns jogadores da NFL, mais precisamente, em algumas posições.


Se você leu o texto anterior pode entender isso. Jogadores de excelente desempenho no fantasy vendem mais camisetas, bonecos e produtos com seus rostos. Esse é o jogador que os times querem, porque se o impacto no fantasy é alto, sua produção na NFL é alta, e uma posição em especifico se beneficia com isso, a de Running Backs. Como dito no texto anterior, eles são os jogadores mais valiosos das ligas de fantasy, e quando são excelentes, recebem grandes salários, como foi o caso do Christian McCaffrey, RB dos Panthers, que teve seu contrato renovado com valores girando em torno de 17 milhões por ano. O por que isso é tão incomum? Running backs podem ser supridos por comitês, e pagar muito neles implica em tirar dinheiro de outra parte do time, já que a NFL tem um teto de gasto igual para todos os times. Então por que pagar? Porque um jogador que é querido por uma base de fãs aumenta o consumo dos produtos, e McCaffrey é a cara do Carolina Panthers pra isso.


Fantasy Sport no Brasil


No Brasil, o Fantasy mais popular ainda é o Cartola FC, ligado ao nosso campeonato brasileiro de futebol, que conta com a versão gratuita – que tem limitações de ligas que você pode jogar – e a premium que é paga, e te permite ter acesso a mais recursos. Com a popularização, a comunidade que joga fantasy das ligas americanas tem crescido cada vez mais, tendo ligas dos mais diversos formatos, estilos e loucuras (nota do redator: incluindo uma de Futebol Americano que eu jogo que conta com podcast e revistas). O crescimento da base de jogadores por ano no brasil gira em torno de 20%, e chegou ao faturamento próximo de 1,5 bilhões de reais no ano passado, variando entre ligas pagas, assinaturas de notícias e analises mais precisas. E esperasse que esse faturamento chegue na cifra de 3 bilhões ao ano até 2027.


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