• Vinicius Soares

A magia de Justin Herbert sob pressão

Justin Herbert teve uma temporada de calouro magnífica, trucidando alguns recordes da posição de quarterback para um novato e colocando seu nome nos livros sagrados da história da NFL.


O passador do Los Angeles Chargers foi selecionado na 6ª escolha geral do draft de 2020, atrás de Joe Burrow, escolhido pelos Bengals na 1ª posição do recrutamento, e Tua Tagovailoa, chamado pelos Dolphins uma escolha antes de Herbert. Enquanto Joe viu sua boa temporada de novato ser encerrada por uma devastadora lesão diante de Washington na semana 11 e Tua sofreu para traduzir seu jogo do College Football para a NFL, Justin ganhou a condição de titular após um erro do departamento médico que causou uma lesão pulmonar em Tyrod Taylor antes do jogo contra os Chiefs na semana 2 e a partir dali começou a reescrever uma nova régua para medir boas temporadas de um quarterback calouro. Confira alguns dos recordes estabelecidos pelo ex-jogador de Oregon em 2020:



  • Touchdowns aéreos: 31

  • Touchdowns totais: 36

  • Passes completos: 396

  • Jogos com mais de 1 Touchdown lançado: 10

  • Jogos de mais de 300 jardas aéreas: 8

  • Jogos com 3 ou mais Touchdowns aéreos: 6


Oregon Live

Observação: Herbert ficou a 40 jardas aéreas de quebrar o recorde estabelecido por Andrew Luck em 2012 de 4376 jardas lançados por um quarterback calouro. Sinceramente, se Justin tivesse jogado na semana 1 contra os Bengals, ele com certeza teria superado essa marca com folga.

A dominância estatística de Herbert é algo quase sem precedentes na história da NFL para um quarterback calouro, e não só pelo alto volume de números impactantes que descrevi acima, mas também pela maturidade, como podemos perceber quando vemos que mesmo tendo executado 595 tentativas de passe ele foi interceptado apenas 10 vezes. A postura e presença no pocket, o trabalho de pés, a força no braço, um atleticismo acima da média, uma precisão ridícula em passes em profundidade e uma incrível personalidade diante de lendas da Liga como Tom Brady e Drew Brees só comprovam que seus números não são fruto do acaso, sorte, ou de um sistema, estas características corroboram que o talento de Justin Herbert é algo fora da curva.


Durante o processo pré-draft de 2020, alguns analistas desenvolveram uma antipatia por Herbert que sinceramente eu nunca consegui entender, e não foram poucas as críticas que o prospecto sofreu acerca de sua suposta timidez e falta de liderança no vestiário. Com o tempo estas afirmações se mostraram levianas. É claro que ele possui defeitos, mas eles nunca foram maiores que sua qualidades, e tampouco o colocavam atrás de nomes como Jordan Love e Jalen Hurts. Antes que você me questione, sim, cheguei a ver isso ser dito na transmissão do draft.


Estes comentários acabaram gerando uma sensação de que o ex-Oregon era um prêmio de consolação para os Chargers, já que que Bengals e Dolphins haviam pego Burrow e Tagovailoa, os nomes mais desejados da classe. Isto nunca foi uma verdade, Herbert era um talento de primeira prateleira, e vale dizer que dos três principais prospectos de 2020, ele era o que tinha menos ajuda em sua Universidade, basta ver os elencos recheados de estrelas que Alabama e LSU tinham ao redor de Joe e Tua e compará-los ao time de Oregon. Não vou me aprofundar em questões esquemáticas, mas se você analisar o tape dos jogos verá que a comissão técnica dos Ducks não fazia o mínimo para maximizar os talentos de Justin, diferente do que os treinadores dos outros dois prospectos faziam.


Oregon Live

Que Justin Herbert foi fantástico creio que não há qualquer dúvida. Mas e se eu disser para você que o houve um quesito no qual o quarterback dos Chargers foi o melhor da NFL você acreditaria? Se a sua resposta tiver sido não, vou lhe mostrar que estou falando a verdade.


O calouro de Los Angeles teve o maior rating da Liga em jogadas sob pressão do pass rush, registrando 96.4 QBR e recebeu a nota de 75.4 do ProFootball Focus quando pressionado, que além de ter sido a maior nota já recebida por um novato na história, foi a maior da Liga em 2020. Confira algumas estatísticas que levaram Herbert a fica no topo da NFL em uma situação tão delicada para os quarterbacks:


  • 121 passes completos em 206 tentativas;

  • 1505 jardas, sendo 875 com a bola viajando no ar e 630 após a recepção;

  • 13 touchdowns e apenas 3 interceptações.


Outro destaque é o trabalho de Justin contra a man coverage, onde ele registrou 12 touchdowns e apenas 3 interceptações, números bem acima da média da Liga contra a marcação individual, mostrando que ele sabe explorar muito bem os matchups favoráveis ao ataque e tem uma leitura de defesas bastante avançada para um calouro.


Twitter/reprodução

Herbert controlou o pocket e manipulou as defesas de uma maneira espetacular sob pressão, principalmente se colocarmos isso na perspectiva de que ele é um calouro e jogou com uma linha ofensiva que foi classificada como a pior da NFL em 2020 pelo Pro Football Focus. Jogadores experientes como Bryan Bulaga e Trai Turner ficaram entre os piores de suas posições na temporada passada, com Bulaga sendo o 29º na lista dos right tackles com nota de 61.6 e Turner sendo o pior right guard de toda a NFL com nota de 34.8.


Com uma linha ofensiva reformulada para 2021 após as chegadas de Corey Linsley, Matt Feiler e Rashawn Slater, e com um ano de experiência na Liga, o que você espera de Justin Herbert nesta temporada da NFL?

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