• Nathan Bizotto

A – inesperada ou esperada – queda dos quarterbacks no Draft

Um dos principais atrativos do Draft, sem dúvidas, é a escolha de quarterbacks. A posição mais importante do jogo chama a atenção do grande público, que deseja saber quem será o futuro de cada franquia da NFL. Contudo, após cerca de duas décadas, só tivemos um QB escolhido nas duas primeiras rodadas. Embora fosse notável que a classe era abaixo da média, a queda de Malik Willis, Desmon Rider, Matt Corall e Sam Howell é difícil de explicar, pois, lembrando, todos eram cotados para o primeiro dia. Portanto, afinal, o que levou à queda dos quarterbacks em 2022?



Em um esporte cada vez mais aéreo, o quarterback, de longe, é a posição mais importante do jogo. Com várias equipes com questionamento nesta função, como Falcons, Panthers, Steleers, Saints, Giants e Lions, era de se esperar que os QBs saíssem ao longo da primeira e, no máximo, na segunda rodada, certo? Errado. Um dos principais motivos apontados para tal fato é a falta de confiança das franquias em relação aos jogadores, pois não faz sentido Atlanta seguir com Marcus Mariota, ao invés de draftar um jovem prospecto.


AP Photo/Steve Luciano

Esta é a principal questão. Os times preferiram, por boa parte do draft, ficarem com seus carros antigos, em vez de comprar um novo, que tem problemas semelhantes. Todavia, chegou uma hora em que o preço, ou seja, o valor, estava muito barato. Neste momento, as equipes puxaram o gatilho. Falcons, Titans, Panthers e Commanders se enquadram nesta analogia automobilística, porque nenhum deles arriscou selecionar um quarterback cedo, fizeram isso quando estavam na terceira e quinta rodada e o valor já era mais baixo. Na visão dos times, os jovens deste ano são incertezas, como a maioria dos prospectos que saem posteriormente à segunda rodada e, por isso, caíram tanto na board.


Escolhas dos principais QBs da classe


Kenny Pickett: escolhido na 20 pelos Steelers, 1ª rodada

Desmon Rider: escolhido na 74 pelos Falcons, 3ª rodada

Malik Willis: escolhido na 86 pelos Titans, 3ª rodada

Matt Corall: escolhido na 96 pelos Panthers, 3ª rodada

Sam Howell: escolhido na 144 pelos Commanders, 5ª rodada


Nos últimos 15 anos, tivemos, ao menos, dois quarterbacks saindo no top 40. Desde o início do processo pré draft, era conspícuo que o valor desta classe de QBs era baixo. Havia Pickett com o piso alto, mas o teto baixo. Ao contrário, Malik Willis com o piso baixo e o teto alto. Rider, Corall e Howell se destacavam pela mobilidade, mas não houve unanimidade. Era normal discordar do melhor na posição para este Draft, porém, essa derrocada a terceira rodada e afins não estava prevista.


“Conversamos sobre seu piso, mas também a antecipação e a precisão profissional eram muito óbvias e consistentes ao estudar seu tape". Foi uma coisa boa para ele voltar para a faculdade e ganhar mais um ano de experiência. Ele tem 24 anos. Ele é um jovem maduro. Você vê maturidade em seu jogo, e acho que todas essas coisas vão colocá-lo em posição de competir”. Disse Mike Tomlin sobre a seleção de Kenny Pickett, único quarterback draftado antes da terceira rodada.

Posteriormente há anos com quarterbacks escolhidos no topo do draft, nesta temporada, os rumos foram diferentes. Kenny Pickett, somente na escolha número 20, foi o primeiro jogador da posição a ser escolhido. Daí em diante se esperava uma corrida pelos atletas da função, mas isso não se concretizou. Só em meados da terceira rodada, Desmon Rider foi draftado por Atlanta, depois vieram Willis, Corrall e Howell, na distante quinta rodada. Contudo, ainda assim, é uma enorme queda, levando em conta a importância da posição no jogo.


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As equipes realmente não viram potencial nos jogadores e decidiram esperar. Ninguém gastou cartucho para subir e as escolhas vieram no decorrer da board. A classe de wide receivers roubou a cena nos dois primeiros dias, entretanto, a vertiginosa queda dos quarterbacks passa por eles próprios. A falta de constância, segurança e piso, afastou os times dos principais prospectos na posição. Willis e Pickett caíram em franquias, as quais tendem a corroborar em sua evolução. Por outro lado, Corall, Rider e Howell entram na liga com a responsabilidade de serem os salvadores de seus times, os quais passam por remodelações e não possuem um forte elenco de apoio ao redor.


Se tratando de Draft, não há como prever nada. O processo é uma ciência inexata. Portanto, no futuro, pode-se criticar a escolha das equipes em passar estes quarterbacks. Em contrapartida, a classe também pode ser considerada como uma das piores do século XXI. O que resta é aguardar o desenvolvimento e o encaixe dos novatos, que chegam com a tarefa de levar suas respectivas franquias a rumos altos, para o torcedor, ao Super Bowl. Porém, é importante ter paciência, pois, como citado várias vezes, não há nenhum Joe Burrow, Justin Herbert ou Patrick Mahomes nesta classe.

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