• Gabriel Remington

A importância do torcedor "modinha"

O futebol americano segue conquistando pessoas – de várias idades, diga-se – no Brasil, e muito disso devido ao trabalho duro de pessoas apaixonadas como as que compõem o Golim Sports. E, naturalmente, ao passo que a modalidade alcança mais espaço no país, os novos fãs precisam decidir por qual equipe irão torcer e absorver toda uma série de conteúdos a ela relacionado.



É bastante difícil explicar exatamente em que momento surgem o apreço e a paixão por um time, mas o que sabemos é que alguns fatores estão relacionados de alguma forma a esse momento. O entusiasmo da torcida, o nome e as cores da equipe, o uniforme e, claro, quão competitiva ela é. E aqui, meus caros, é que surgem os chamados “modinhas”. Torcedores classificados assim no Brasil são identificados como pessoas que se baseiam exclusivamente no recentíssimo histórico de um time para escolhê-lo como seu representante na NFL. Os “modinhas” são vistos como gente que não se interessa a fundo pelo esporte, por legado, por história e por outros fatores aos quais um “torcedor raiz” se apega. No entanto, este texto é uma defesa deles!


Calma, vocês irão entender. Sigam meu raciocínio.


Os brasileiros em geral torcem por algum time de futebol. Claro, há o que se pode chamar de “nominais” – mal acompanham o time, não compram camisas, não assistem a todos os jogos, tampouco sabem a escalação da equipe etc. –, porém há também um sem-fim de apaixonados. Enfatizemos um pouco mais esse grupo específico.


Acredito que todos hão de concordar que os torcedores devotados recebem uma herança. Sim, uma herança familiar relacionada a um time de futebol, o qual não se pode trair de forma alguma. Vocês, se torcem por algum time, devem ter passado por isso, certo? Nasceram numa família torcedora do time A... não há muita opção, já que toda sua infância deve ter sido marcada por tardes diante da TV, vendo pai, tios, primos gritando, reclamando, pulando...chorando. Vocês herdaram o sentimento, herdaram o legado, o qual, claro, costumeiramente, surge numa família a partir do vínculo geográfico com a equipe. Explico! Há times no Brasil que são o que se chama de nacionais, isto é, têm torcida em todo o país, mas, mesmo esses têm sua base de torcedores em seus estados, em suas cidades de origem. Ou seja, é bem maior a chance de um mineiro torcer por Cruzeiro ou Atlético Mineiro do que pelo Grêmio, afinal o vínculo local, geográfico aponta para esses times anteriores.


https://www.nytimes.com/2020/09/14/sports/football/nfl-season-restart.html

Tudo bem, tudo bem, aonde quero chegar? Nós, amigos, que apreciamos o futebol americano e o saudamos como o mais extraordinário esporte já inventado, aqui no Brasil não temos estes dois elementos: legado/herança + vínculo geográfico. Isso significa que há outros motivos, provavelmente, que nos levaram a escolher Buffalo Bills, Minnesota Vikings, New England Patriots, Kansas Chiefs ou Tampa Bay Buccaneers, por exemplo.


Propositalmente coloquei esses três últimos times na lista, afinal um brasileiro que se intitule torcedor de qualquer um deles hoje, será chamado de “modinha”. E pensemos: Por que alguém torceria pelos Patriots, pelos Chiefs ou pelos Buccaneers? Tom Brady, seis títulos de Super Bowl; Patrick Mahomes, ataque com sede de touchdowns; Tom Brady de novo, título mais recente de Super Bowl ... Palpites precisos? Ah, com certeza sim. Agora respondam: Se vocês torcem por qualquer outra equipe, quais são as razões?


Torcedores brasileiros de Broncos e Colts têm um apreço especial por Payton Manning, certo? E os torcedores dos Ravens? Joe Flacco e o recente título de SB têm algum impacto? Ou ainda o fato de que, desde o draft de Lamar Jackson, a franquia de Maryland voltou a ser candidata ao título? Torcedores dos Giants... Os títulos em cima dos Patriots têm alguma coisa a ver com sua escolha? Seahawks, Packers...


https://www.oddsshark.com/nfl/peyton-manning-super-bowl-betting-numbers-and-stats

Minha tese, amigos, é de que, boa parte dos torcedores brasileiros já foram “modinhas” em algum momento! E isso é natural! Lembrem-se: nós não tivemos, na maioria dos casos, certamente, uma família criando em nós um legado de torcida, de paixão por nenhum time de futebol americano e nós não somos nativos dos EUA, de modo que outros elementos nos fazem torcer por um determinado time. E reconheçamos: todo mundo quer torcer por uma equipe competitiva, com história legal, com torcida apaixonante e VITORIOSA. E a NFL é tão incrível, que viabiliza o surgimento de mais e mais times com potencial de criar torcedores “modinhas” no Brasil; todos esses que citei passaram – ou passam ainda em algum nível – por isso!


Fonte: Mike Siegel

Agora, uma crítica precisa ser feita: se um torcedor pula de time em time e, por conveniência, apoia o melhor do momento, então não é torcedor. Entretanto, se um vínculo real nasceu, uma paixão legítima se concretizou, aceitem seus títulos de “modinhas” e sigam firmes com sua equipe.

Eu vejo da seguinte forma, leitores: nós somos os primeiros! Vocês já pararam para pensar nisso? Eu penso frequentemente. Vocês não devem saber, assim como eu também não sei, quem foi o(a) grande precursor(a) do amor de sua família por um determinado time de futebol, nós seremos os primeiros, os criadores do legado, do futebol americano em nossas famílias! Nós não recebemos por herança essa torcida, mas nossos filhos, nossos sobrinhos, netos, bisnetos receberão e saberão que fomos os primeiros!


Entendamos os “modinhas” como os criadores dos legados dos Patriots, dos Chiefs ou dos Buccaneers no Brasil. Muitos de nós já fomos um deles e mantivemos nossa paixão. Apoiávamos nas glórias, seguimos apoiando em momentos turbulentos! E aqueles que receberem de nós esse sentimento, serão os herdeiros!


Modinhas cooperam com o crescimento do futebol americano no Brasil.

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